Canal do Suez foi inaugurado há 150 anos. Eça de Queiroz foi um dos convidados - EntornoInteligente
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Desenvolvido por iniciativa do diplomata e empresário francês Ferdinand de Lesseps, o canal de 164 quilómetros necessita de 10 anos de trabalhos, de 1859 a 1869, nos quais participam um milhão de egípcios, segundo as atuais autoridades. Os especialistas estimam que dezenas de milhares de trabalhadores tenham morrido.

As festividades de inauguração do canal, que Lesseps considerou em 1864 não ser “prerrogativa de uma nação”, devendo o seu nascimento e pertencendo “a uma aspiração da humanidade”, decorreram entre 16 e 20 de novembro de 1869, e a cerimónia oficial de abertura a 17.

A imperatriz Eugénia de França esteve presente e houve festas sumptuosas, banquetes e paradas equestres para entreter as muitas centenas de convidados do vice-rei do Egito Ismail Paxá.

Eça de Queiroz estava entre eles e percorre o canal no navio “Fayoum”, de Porto Said, no Mediterrâneo, ao Suez, no mar Vermelho, com pernoita na cidade de Ismailia, a meio do caminho.

Quando regressa a Lisboa, a 3 de janeiro, publica no “Diário de Notícias” quatro reportagens sobre o assunto, onde fala das gentes, das bandeiras, dos tiros de canhões, dos navios enfeitados e de como a baía de Porto Said “estava triunfante” no “primeiro dia das festas”.

O relato da inauguração do canal do Suez aparece ainda no livro do escritor português “O Egito – Notas de Viagem”, que descreve pormenorizadamente a cultura egípcia da época.

Cerca de 4.000 anos antes, um primeiro canal tinha sido cavado entre o golfo do Suez e o delta do Nilo, reinava o faraó Sesostris III. É utilizado com interrupções até ao século VIII antes de ser abandonado devido ao custo dos necessários desassoreamentos.

No centro da turbulência do Médio Oriente, o canal do Suez tem uma história marcada por várias guerras e anos de inatividade.

A 26 de julho de 1956 é nacionalizado pelo Presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser, decisão na origem da crise internacional que leva o Egito a ser atacado três meses mais tarde, primeiro por Israel e depois pela França e pelo Reino Unido (dois países que possuem a quase maioria da sociedade que gere o canal).

Situado na orla do Sinai, está na linha da frente durante as guerras israelo-árabes de 1967 e 1973 e foi danificado e encerrado várias vezes, depois desminado e reabilitado.

Atualmente a via, pela qual passa aproximadamente 10% do comércio marítimo internacional, gera vários milhares de milhões de dólares de receita anualmente.

Em 2015, o Presidente Abdel Fatah al-Sissi inaugurou com ostentação o “novo canal do Suez”, a duplicação de uma parte da via marítima, mas para os 150 anos não está prevista qualquer grande festa.

Um selo com a imagem de Ferdinand de Lesseps foi lançado no Egito e em França e estava marcado um colóquio na biblioteca de Alexandria (norte) sobre o canal como “lugar de memória”.

Um museu do canal deverá abrir em Ismailia, nas históricas instalações da Companhia do Canal do Suez, mas os trabalhos ainda não foram concluídos.

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