BRASIL: Sem descanso nas férias, Arthur Zanetti busca série mais avançada para Tóquio-2020 - EntornoInteligente

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A expressão no rosto de Arthur Zanetti, com a face avermelhada e as veias sobressaltadas, remete a alguns dos exercícios nas argolas que o tornaram mundialmente conhecido. Mas não. Era apenas um dos exames de pré-temporada do ginasta para verificar a força e o equilíbrio muscular no pós-férias. E, até ali, na avaliação isocinética, o medalhista olímpico transparece seu espírito competitivo. Sob os gritos de incentivo dos fisiologistas Alex Itaborahy e Raul Freire, no Laboratório Olímpico no Centro de Treinamento do Time Brasil, na Barra da Tijuca, ele deu o máximo. Segundo a equipe, o recorde da máquina neste ano havia sido batido.

– É bem sofrido porque tem que dar a força máxima e tem muita resistência (não há carga no aparelho, mas a resistência é proporcional à força feita pelo atleta, numa velocidade angular constante). Não sei detalhadamente como foi, mas já vi pelos comentários que está bom – diz Zanetti, que ficará no Rio junto com a seleção brasileira de ginástica até a próxima semana para uma bateria de exames e treinos no CT no Maria Lenk. A primeira competição será em março, no DTB-Pokal Team Challenge, em Stuttgart, na Alemanha.

Os resultados do exame serão passados para a comissão técnica, que, a partir deles, monta o treinamento de força. E saberá se o atleta tem algum desequilíbrio muscular nos braços e nas pernas, que precisam ser corrigidos para evitar lesões e melhorar a performance. São detalhes que fazem a diferença entre um crucifixo perfeito (posição em que os ombros do ginasta fazem um ângulo de 90° em relação ao tronco) e uma hesitação que pode custar pontos preciosos na luta pelo pódio olímpico.

A perfeição é justamente a meta de Zanetti. Ele pretende criar uma série mais avançada neste ciclo olímpico até Tóquio-2020, que requer erro mínimo, mas pode distanciá-lo de rivais parelhos: o grego Eleftherios Petrounias, ouro no Rio, Denis Ablyazin, que foi bronze, e o chinês Liu Yang, campeão mundial em 2014.

– Não apareceu ninguém novo desde 2016, são os mesmos ginastas, mas agora estamos mais próximos. Antes sempre tinha um que despontava um pouco mais. Agora, os oito primeiros estão todos no mesmo bolo. Se um der um vacilo e o outro, não, é pódio – analisa Zanetti, ouro em Londres-2012 e prata no Rio-2016, acrescentando que o melhor momento de mudar a série será definido com a comissão técnica. – Tenho que ter um pouco mais de dificuldade para elevar a nota de partida e baixar a de execução (os descontos). Não adianta ter maior nota de partida e sofrer mais descontos.

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O destaque na avaliação física não é fruto do acaso. Enquanto a palavra “férias” sugere descanso, viagens e comida liberada para alguns, o termo teve outro significado para Zanetti. Ficou longe dos ginásios e das competições, mas não da exigente rotina de exercícios. Corrida forte todos os dias e jornada dupla na academia. Pés para o alto somente na semana das festas de fim de ano. A dedicação extrema é o método para superar os limites da idade. O ginasta fará 28 anos em abril. Em Tóquio, terá 30.

– Não parei nas férias. Voltei forte e até abaixo do peso em relação ao fim da temporada passada. É bom porque assim se consegue voltar mais rápido ao ritmo. Estou zerado, sem dor. Geralmente começamos o ano com alguma fraqueza muscular, com uma dor ou outra – conta ele, que usou 2017 para se recuperar da cirurgia do ombro esquerdo após as Olimpíadas e não competiu com todo o potencial. – Esse ciclo vai ser de superação para estar no topo.

FUTURO NO ESPORTE

Com a aposentadoria batendo à porta – ele garante que encerra a carreira após os Jogos de Tóquio -, Zanetti molda os planos enquanto se dedica ao último ciclo.

– Analisamos se eu aguentaria mais um ciclo, mas não dá. Será a última, ali encerro. Hoje em dia não dá mais para competir com mais de 30 anos. Até 2012 tinha um ou outro. Em 2016, não tinha mais. O máximo são 28 anos. O nível subiu muito. Os mais novos começam a fazer séries mais fortes mais cedo – argumenta.

Neste processo, ele já identifica possíveis sucessores nacionais. Com a estrutura atual da seleção de ginástica, acredita que o grupo masculino tem potencial para ir mais longe que a geração dele, que conquistou quatro medalhas medalhas nos dois últimos Jogos Olímpicos. Vai depender muito de os atletas aproveitarem o que lhes é oferecido atualmente, ressalta.

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– Tem um moleque do União (Rafael Salvador), forte e novo. Precisa ajeitar alguns detalhes, mas é novo e tem tempo para corrigir. Vou pegar no pé dele para ele me substituir nas argolas. Já falei com ele, e o meu técnico, o Marcos (Goto, coordenador técnico das seleções de ginástica), também deu um auxílio durante os treinamentos – afirma.

De olheiro a fomentador da ginástica, Zanetti não se vê longe do esporte no futuro.

– Penso em trabalhar em projetos que busquem o crescimento do esporte brasileiro. Talvez por meio de uma ONG – diz.

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