BRASIL: Rússia e Ucrânia podem entrar em guerra? - EntornoInteligente

Entornointeligente.com / ENTORNOINTELIGENTE.COM / G1 Globo / Diplomatas russos dizem que podem não usar estes poderes “imediatamente” – mas isso parece implicar que eles poderiam ser usados em breve.

Putin disse que fará todo o necessário para “proteger os cidadãos russos e seus compatriotas” e já há confrontos em cidades do leste da Ucrânia.

Soldados russos estão em alerta de combate na fronteira, como parte de um grande treinamento realizado nesta semana.

‘Golpe neofascista’ Tanto a Rússia quando o Oeste dizem querer uma resolução pacífica, mas se opõem na questão fundamental sobre quem é a autoridade legítima na Ucrânia.

As potências ocidentais dizem que é o governo interino em Kiev , autorizado pelo Parlamento ucraniano.

Mas a Rússia diz que Kiev está nas mãos de um governo ilegítimo da “extrema direita”, com pontos de vista “xenofóbicos, antissemitas e neofascitas”, instalado como resultado de um “golpe de Estado” que afastou o presidente Victor Yanukovych ilegalmente.

Manifestantes pró-Rússia. (Foto: AFP) Putin quer que o Ocidente e Kiev voltem ao acordo assinado com Victor Yanukovych em 21 de fevereiro para garantir discussões sobre a reforma constitucional que satisfizessem as demandas de todos os partidos e regiões – provavelmente um modo mais rápido de aprovar reformas que transformassem a Ucrânia em uma federação, com mais autonomia para regiões de maioria russa e para a Crimeia.

Mas isso significaria reconhecer que Yanukovych ainda é presidente e que o novo governo é, portanto, ilegítimo. O Ocidente não vai concordar com isso.

O conflito está por um fio. A mobilização de soldados russos na Crimeia ainda não causou um banho de sangue. Mas se isso for ampliado para uma intervenção militar da Rússia em outras partes da Ucrânia, é difícil enxergar como conflitos violentos podem ser evitados.

Pedido de ajuda O leste da Ucrânia não é uma entidade separada geograficamente do país como a Crimeia. Não há uma maneira simples de determinar as regiões do país onde se fala russo terminam e onde começam as partes onde se fala ucraniano.

As autoridades de Kiev se contiveram até agora – mas por quanto tempo mais?

Tanque russo na Georgia. (Foto: Getty Images) Em relação às intenções da Rússia, o presidente Putin mostrou na Geórgia, em 2008, que está completamente preparado para ir à guerra. E a Ucrânia importa muito mais para ele.

Kiev pediu ajuda de outros países, mas o fato é que as opções dos países ocidentais são limitadas.

A Otan convocou reuniões de emergência. Ministros de Relações Exteriores da União Europeia também terão um encontro emergencial na segunda-feira.

Os Estados Unidos já acusaram a Rússia de invadir a Ucrânia e de violar a carta da ONU .

O secretário de Estado americano John Kerry advertiu que, a não ser que a Rússia tome atitudes concretas e imediatas de retirada, o efeito nas relações EUA-Rússia e na posição russa na comunidade internacional seria profundo.

Mas como o Ocidente deverá responder? Parece haver pouca disposição para uma reação militar da Otan.

É possível que ela aja para garantir a segurança na fronteira entre Polônia e Ucrânia. Mas o mais provável é que o Ocidente procure tomar medidas diplomáticas e econômicas para isolar a Rússia e suspender sua cooperação com o país.

Mas mesmo que o Ocidente impusesse sanções ou outras medidas, Putin deve calcular que – assim como no caso do conflito com a Geórgia em 2008 – elas podem não durar.

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Não é preciso um grande exercício para imaginar o impacto que uma nova relação hostil entre Ocidente e Oriente teria nas negociações sobre o programa nuclear do Irã, na guerra na Síria e na incerteza sobre a Coreia do Norte.

Apostas altas De qualquer forma, sanções como as do Irã poderiam ser uma opção? A Rússia provavelmente está muito entrelaçada economicamente aos seus parceiros no Ocidente, especialmente na Europa.

Além disso, a Rússia poderia, teoricamente, retaliar usando a “carta da Gazprom” – a dependência europeia do gás russo faz com que ela seja vulnerável.

O perigo deste confronto é que, ao contrário da Geórgia, as apostas são muito mais altas para os dois lados.

Para as potências ocidentais, não se trata apenas de defender um pequeno país no Cáucaso. É uma crise militar que acontece nas fronteiras da Europa e da Otan.

Para o presidente Putin, não é apenas uma batalha geopolítica por influência em um país no quintal da Rússia. Trata-se de proteger um território que para ele é, historicamente e culturalmente, uma parte essencial da ideia de Rússia.

O Principado de Kiev foi onde, há mais de mil anos, o Estado russo e a fé ortodoxa russa começaram. É por isso que ele fará o que puder para não perdê-lo, seja qual for o custo.

No conflito de 2008, a Geórgia perdeu a Ossétia do Sul e a Abecásia, anexadas pela Rússia.

Apesar de reconhecidos como países novos por boa parte do mundo, os dois territórios passaram, na prática, do controle da Geórgia para o controle russo. As negociações da ONU para resolver a disputa não chegaram a lugar algum.

Então a pergunta permanece: o que a Rússia pretende fazer na Ucrânia? Anexar a Crimeia e outras regiões de maioria russa, dividindo o país ao meio?

Otan pede que Rússia ordene retirada de soldados Neste domingo (2), o chefe da Otan, Anders Fogh Rasmussen, pediu que a Rússia envie seus soldados de volta às suas bases na Crimeia e evite interferências na Ucrânia.

O pronunciamento acontece enquanto a atividade militar se intensifica na região. Diversas bases militares ucranianas foram cercadas por soldados russos e estão efetivamente impedidas de circular.

Horas antes, o novo chefe da Marinha ucraniana, o contra-almirante Denys Berezovsky, jurou fidelidade à “República Autônoma da Crimeia” ao tomar posse, ao lado de Sergiy Aksyonov, político pró-Rússia eleito como primeiro-ministro local da Crimeia. O governo interino da Ucrânia, que é anti-Rússia, anunciou que investigará o contra-almirante por traição.

O secretário de Estado americano John Kerry visitará Kiev na terça-feira (4), segundo fontes nos EUA. Ele disse que a Rússia pode ser expulsa do G8 por suas ações, mas seu colega alemão, Frank-Walter Steinmeier, disse que o país deve permanecer como membro.

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