BRASIL: Kroton, Estácio e Paulo Freire - EntornoInteligente

Entornointeligente.com / Jornal do Brasil / Esfalfado pelo diuturno surgimento de denúncias nos campos político e empresarial, o brasileiro ainda não percebeu que nos gabinetes de grandes negociantes prospera contra ele e as futuras gerações um acordo contra o interesse nacional e, por derivação, nefasto para a população. 

O trâmite é a fusão de dois dos maiores grupos de educação superior no país: Kroton e Estácio de Sá. Um entendimento da ordem de 28 bilhões de reais, como estimam especialistas. 

O Brasil ferido pelos efeitos de monopólios nas áreas financeira, alimentos, construção pesada, entre outros, não pode assistir inerte a formação de mais um deles, agora na área educacional. 

Estas duas empresas passariam a deter mais de 50 por cento do mercado. Sem concorrentes ou disputando com os miúdos que sobreviverem, poderão precificar, sem maiores incômodos, o valor a ser cobrado de seus alunos. 

Porém, o mais grave: como ter garantias e meios de fiscalizar a qualidade do ensino oferecido pelo novo gigante do setor? Como será a mão-de-obra da qual depende o presente e futuro do país com um ensino homogeneizado? 

A este propósito não custa citar um brasileiro que a todos orgulha, Paulo Freire. 

“Seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica”. 

Em sua primeira manifestação, A superintendência-geral do Conselho de Defesa Econômica (Cade) foi duríssima na sua argumentação contra a junção das empresas. Mas isso não traz a certeza de que em plenário os conselheiros acatarão seu parecer. E esta incerteza traz consigo um risco enorme. 

Educação é segmento vital para qualquer nação. Não há no mundo desenvolvido ou em desenvolvimento um só país que não tenha colocado o ensino de todos os níveis com sua mais absoluta prioridade. 

Mas no Brasil às avessas, tudo é diferente (e para pior). Enquando Kroton e Estácio fazem um negócio de 28 bilhões de reais, tomamos conhecimento esta semana de que das 28,5 mil obras pactuadas pelo governo federal com estados e municípios para melhoria e construção de equipamentos escolares  apenas 11,4 mil foram concluídas (menos da metade), 2,4 mil estão canceladas ou inacabadas. Outras 1,6 encontram-se paralisadas e outras seis mil sequer foram iniciadas.

Uma lástima.

Que os conselheiros do Cade, para novamente citar este magnífico educador, inspirem-se nele, Paulo Freire.

“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.”

BRASIL: Kroton, Estácio e Paulo Freire

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