BRASIL: Kerry visita o Egito um dia antes do julgamento de Mursi - EntornoInteligente

Entornointeligente.com / OGlobo / CAIRO – Em visita ao Egito um dia antes do julgamento do ex-presidente Mohamed Mursi, o secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou neste domingo que há indícios de que os generais poderiam restaurar a democracia no país. Mursi, deposto em julho após protestos em massa contra seu governo, é acusado de incitar o assassinato de manifestantes enquanto estava no poder. Outros 14 líderes da Irmandade Muçulmana – movimento ao qual Mursi faz parte – também comparecerão aos tribunais nesta segunda-feira, sob acusação de estimular a violência.

– Até agora, há indícios de que isso é o que eles estão pretendendo fazer – disse Kerry em uma entrevista conjunta com o ministro das Relações Exteriores egípcio, Nabil Fahmy.

Imediatamente após desembarcar na capital egípcia, o secretário de Estado reuniu-se com o seu homólogo egípcio. Ele expressou seu apoio às novas autoridades egípcias e fez um apelo pelo fim da violência e para que o país caminhe em direção à democracia. Kerry condenou “todos os atos de violência”, mas mencionou especialmente os cometidos contra as forças de segurança e igrejas, sem citar a repressão policial nas manifestações pró-Mursi.

– A história demonstrou que as democracias são mais estáveis​​, viáveis e prósperas do que qualquer alternativa – afirmou. – O Egito pode ser um exemplo de como um país pode prosperar se o seu povo escolher a democracia.

Kerry, a mais importante autoridade dos Estados Unidos a visitar o Egito desde a queda do ex-presidente islâmico, enfatizou a necessidade de julgamentos justos e transparentes. Ele tentou minimizar as tensões vividas entre os dois países nas últimas semanas após a suspensão da ajuda militar anual de Washington, dizendo que o Egito é um “parceiro vital” com o qual os EUA têm o compromisso de trabalhar.

– Nós dedicamos muito tempo à questão da ajuda. Mas concordamos que as relações entre os nossos países não devem ser marcadas pela assistência. Há outras questões mais importantes – disse o secretário de Estado, que condicionou os cortes à transição do governo, evitando usar a palavra “golpe”, considerada uma afronta pelos meios egípcios e por grande parte da sociedade.

Nabil Fahmy reconheceu as tensões nas relações com Washington, mas descreveu o encontro como “muito positivo”. Após a reunião com o seu homólogo, Kerry se reuniu com o presidente interino Adly Mansur.

A visita teve um alto grau de sigilo, num sinal de que as relações entre os dois países, aliados próximos de mais de três décadas, não estão em sua melhor fase. Enquanto Kerry passava pelas ruas da capital egípcia, a polícia e o Exército reforçavam as medidas de segurança em todo o país para o início do julgamento de Mursi, que será realizado em uma delegacia de polícia perto da prisão de Tora.

Fontes do governo asseguraram à imprensa que Mursi irá ao julgamento, o que seria sua primeira aparição pública após o golpe de Estado de 3 de julho.

Durante sua turnê, Kerry visitará, entre outros países, Israel, Arábia Saudita, Marrocos e Jordânia. Em relação às negociações de paz entre Israel e Palestina, o secretário de Estado manifestou o “compromisso” dos EUA com o êxito do processo. Ele reiterou sua oposição à construção de novos assentamentos nos territórios ocupados da Palestina, mas pediu discrição nesta fase inicial das negociações entre as partes.

Islâmicos temem autoritarismo e instabilidade

Mursi e os outros 14 líderes da Irmandade Muçulmana podem ser condenados à prisão perpétua ou à pena de morte se considerados culpados, o que aumentaria ainda mais a tensão entre os integrantes da Irmandade e o governo, e aprofundaria a instabilidade política que tem prejudicado o turismo e o investimento num país onde um quarto das pessoas está abaixo da linha de pobreza.

Quando os militares derrubaram Mursi, foi prometido um plano para conduzir o país a novas eleições livres. Contudo, o que se viu foi um dos mais duros esquemas de repressão já montados contra a Irmandade, que agora luta para sobreviver.

Em agosto, a polícia de choque, com apoio de atiradores do Exército, acabou com os protestos de rua que exigiam o retorno de Mursi. Autoridades acusam a Irmandade de estimular a violência e o terrorismo. Centenas de integrantes do movimento foram mortos, e muitos dos seus líderes, presos. A Irmandade nega ligações com atividades violentas.

As acusações de incitar a violência estão relacionadas com a morte de dezenas de pessoas em confrontos do lado de fora do palácio presidencial em dezembro, depois que Mursi irritou os adversários com um decreto que aumentava os seus poderes. O local em que Mursi está preso não foi revelado.

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