BRASIL: Jovens são baleados na comunidade Bateau Mouche, na Praça Seca - EntornoInteligente

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RIO – Um menino de 7 anos e uma jovem de 15 foram baleados ontem na Favela Bateau Mouche, na Praça Seca, em Jacarepaguá. Segundo a Polícia Militar, Luís Miguel Oliveira foi atingido de raspão por um projétil que entrou em sua casa durante um confronto entre traficantes e milicianos. Por sua vez, a adolescente levou um tiro na cabeça. De acordo com investigações preliminares, ela foi alvo de uma tentativa de execução.

Entre a madrugada de terça-feira e a noite de quarta, duas crianças e um adolescente foram baleados no Estado do Rio. Emilly Sofia, de 3 anos, morreu ao ser atingida por um tiro de fuzil durante uma tentativa de assalto em Anchieta: ela estava dentro de um carro com a mãe e o padrasto no momento em que bandidos fizeram pelo menos 12 disparos contra o veículo. No Complexo da Maré, uma bala perdida provocou a morte de Jeremias Moraes, de 13 anos. Ele estava indo jogar bola quando um projétil atravessou seu peito. Em São Gonçalo, João Pedro da Costa, de 4 anos, foi baleado nas costas enquanto caminhava para uma igreja com o pai. O disparo partiu de um bando de traficantes: eles tentavam parar um automóvel que entrava com o porta-malas aberto na Favela da Linha, no bairro Rio do Ouro.

CAVEIRÃO QUEBRA E OPERAÇÃO ACABA

A comunidade do Bateau Mouche é disputada por traficantes e milicianos desde dezembro do ano passado. Ontem, o confronto começou de madrugada, e, pela manhã, equipes do 18º BPM (Jacarepaguá) deram início a uma incursão para tentar pôr fim à guerra. No entanto, a operação acabou sendo suspensa por volta das 16h, porque um veículo blindado apresentou problemas mecânicos.

Luís Miguel estava brincando na sala de sua casa quando foi atingido de raspão no ombro esquerdo por um disparo. Os pais demoraram cerca de uma hora para levá-lo a um hospital: não conseguiam sair porque a troca de tiros era intensa. Enquanto não conseguiam buscar socorro, usavam panos para estancar o sangue que saía do ferimento do menino. Moradores da Bateau Mouche contaram que pelo menos três balas atingiram a residência da família.

– Não tinha como ir para o hospital por causa dos tiros. Ninguém subia e ninguém descia. Eu fiquei muito assustado. Eles ( os pais ) ficaram uma hora estancando o sangue do menino em casa. A situação está muito difícil na Praça Seca. Não consegui voltar para casa na sexta-feira da semana passada devido a um confronto, e, pelo mesmo motivo, não dormi em minha residência no domingo. A gente não sabe o que faz quando está na rua porque, a qualquer momento, a guerra pode começar de novo. Os bandidos não deixam a gente subir o morro, não querem saber se estamos ou não com uma criança. O negócio deles é mandar bala para todo lado – disse um morador, que pediu para não ser identificado, ao site G1.

Segundo um outro morador, no fim da madrugada, traficantes incendiaram casas no alto da comunidade, mas a informação não foi confirmada pela polícia.

Quando os tiros cessaram, os pais de Luís Miguel o levaram para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Jacarepaguá. Em seguida, ele foi transferido para o Hospital Municipal Souza Aguiar, onde recebeu alta no início da noite.

As circunstâncias em que a adolescente de 15 anos foi baleada não eram claras até a noite de ontem. Testemunhas disseram que um grupo de homens a deixou em frente ao quartel do Corpo de Bombeiros do Tanque. Uma ambulância levou a adolescente para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, onde foi submetida a uma cirurgia. À noite, médicos informaram que seu estado de saúde era gravíssimo.

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Procurada pelo “Jornal Nacional”, da Rede Globo, para comentar os casos de Luís Miguel e da adolescente, a Polícia Militar lembrou que boa parte de seu efetivo foi mobilizada para reforçar o policiamento na região do Sambódromo. O governo do estado não quis comentar a violência na Favela Bateau Mouche.

O clima de tensão na região da Praça Seca é forte desde o último dia 2, quando dezenas de homens armados entraram na Bateau Mouche. Com um celular, um morador da região gravou imagens do momento da invasão. De acordo com investigadores, a ação foi comandada por Hélio Albino Filho, o Lica. Ele é acusado de ser um dos criadores da milícia que, anos atrás, assumiu o controle da favela.

Lica esteve preso por quatro meses em 2012: acabou sendo libertado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Sem conseguir retomar seu espaço na milícia, ele teria se unido a traficantes para tentar tomar a comunidade.

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Con Información de OGlobo

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