BRASIL: Ex-'caixa-preta' de Trump, Bannon pode minar governo com acordo - EntornoInteligente

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WASHINGTON – O polêmico Steve Bannon é um dos responsáveis pela vitória de Donald Trump, quando, como estrategista-chefe, deu uma guinada à direita em sua campanha, radicalizando o discurso do candidato. Pois agora muitos acreditam que ele pode ser responsável por graves problemas para o presidente e seu partido. O seu depoimento na investigação da trama russa tem potencial explosivo, turbinado pelo rompimento público — e ruidoso — dos dois. E analistas indicam que as investigações sobre o eventual conluio da campanha de Trump com a interferência de Moscou nas eleições de 2016 podem se arrastar até novembro, tendo seu ápice perto das eleições, o que tende a ser prejudicial aos republicanos.

A CNN e o jornal “New York Times” informaram, citando fontes sigilosas próximas à investigação, que Bannon será entrevistado por investigadores que atuam para o procurador especial da trama russa, Robert Mueller, e não mais testemunhar perante um grande júri — organismo legal mais independente. O jornal, assim, altera a versão que tinha divulgado na véspera e aponta que este novo formato de depoimento é mais comum para testemunhas que passam a colaborar com as investigações. Especialistas jurídicos ouvidos pelo jornal americano afirmaram que essa mudança pode ser um sinal de que a investigação estava se acelerando, enquanto outros disseram que talvez simplesmente tenha sido uma tática de negociação para forçar Bannon a cooperar.

Dúvidas que comprometem Trump no caso da Rússia Trump e Michael Flynn durante a campanha presidencial. Presidente admitiu no Twitter que sabia que ex-conselheiro de Segurança Nacional mentira ao FBI Foto: GEORGE FREY / AFP Trump pediu a Flynn que mentisse ao FBI? O ex-conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn confessou ter mentido ao FBI sobre seus contatos com o então embaixador russo, Sergei Kislyak, durante o período de transição presidencial. O procurador especial Mueller quer saber se a decisão de mentir decorreu de instruções diretas do presidente. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumprimenta o então diretor do FBI, James Comey, durante evento no Salão Azul, em Washington Foto: Joshua Roberts / REUTERS O que Trump sabia ao pressionar Comey? O ex-diretor do FBI James Comey afirmou que Trump o pressionou a abandonar as investigações sobre Flynn. Mueller certamente deverá questionar se o presidente tinha ciência de que Flynn havia mentido quando pediu a Comey que deixasse a investigação de lado, o que configuraria obstrução de Justiça. Manafort, Trump Jr. e Kushner: na mira Foto: Reprodução O que foi o encontro na Trump Tower? Bannon não estava no encontro, em junho de 2016, com uma advogada russa na Trump Tower, na qual a campanha teria buscado informações contra Hillary Clinton, mas analistas creem que Mueller tentará saber quando o ex-estrategista-chefe soube da reunião, e o que foi passado a ele a respeito do encontro. O ex-assessor da campanha de Trump de política externa George Papadopoulos Foto: Reprodução O que Papadopoulos contou à equipe? O conselheiro da campanha de Trump admitiu ter mentido ao FBI e revelou que sabia que o governo russo tinha informações confidenciais sobre Hillary Clinton, mas não se sabe se Papadopoulos comunicou isso a altos funcionários. Mueller pode pedir a Bannon que esclareça essa questão. Bannon observa Trump em reunião Foto: NICHOLAS KAMM / AFP Bannon falou sobre lavagem de dinheiro? Bannon sugeriu ao autor do livro Michael Wolff que Trump Jr. e Jared Kushner estariam de alguma forma envolvidos em casos de lavagem de dinheiro. Mueller deve agora investigar se é apenas mera especulação ou se ele de fato tinha algum conhecimento real deste tipo de crime. Bannon acompanha reunião com Trump, em fevereiro de 2017 Foto: CARLOS BARRIA / REUTERS Como era o clima na campanha? O ex-procurador Renato Mariotti crê que Mueller pode pedir que Bannon explique o funcionamento interno da campanha de uma maneira geral e, em particular, “como os indivíduos interagiram uns com os outros”. O que significa que Trump pode se arrepender em breve da demissão de Bannon. (Washington Post)

Isso ocorre depois que Bannon, criador do slogan “America First (EUA em primeiro lugar) e de políticas restritivas a imigrantes e muçulmanos, foi citado no livro “Fogo e Fúria – Por Dentro da Casa Branca De Trump” (que sai em março no Brasil, pela Editora Objetiva) criticando o filho do presidente e seu genro. Ele teria tachado de “antipatriótica” e “ato de traição” a reunião de ambos com uma advogada russa que prometia informações comprometedoras de Hillary Clinton, então oponente do republicano na disputa eleitoral. O caso gerou o rompimento público dos dois e a renúncia de Bannon do comando do site “Breitbart News”, órgão da chamada “alt-right” (direita alternativa, com fortes traços racistas, nativistas e de supremacistas brancos), que ele comandava antes de ir para a campanha de Trump.

Na terça-feira, Bannon compareceu à Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes que investiga a trama russa, mas se negou a responder a maior parte das perguntas, utilizando o argumento de “privilégio executivo” para tal, ou seja, que as informações poderiam colocar dados secretos do governo em xeque. O site “The Hill” informou, também citando fontes sigilosas, que Bannon não espera ser interrogado sobre o período entre janeiro e agosto — quando foi estrategista-chefe da Casa Branca — nem sobre a transição de governo. Sua expectativa é ser questionado apenas sobre período da campanha. O site informou, ainda, que o advogado de Bannon esteve todo o tempo do depoimento em comunicação com representantes da Casa Branca.

Veja também Promotor e Câmara intimam Bannon sobre caso de conluio com Rússia Livro que estremeceu governo Trump se tornará série de TV Quais as chances de Trump sofrer impeachment? Entenda o processo — Isso pode ser um indício de que Bannon ainda aposta em pontes para retomar uma relação com Trump. Mas diante de um depoimento de Mueller, sob juramento, a amizade ou não com o presidente pouco importa, pois Bannon, neste caso, precisa se preocupar em salvar sua pele — disse Juan Carlos Hidalgo, analista de políticas públicas do Cato Institute.

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Também na quarta-feira, uma audiência especial de George Papadopoulos — ex-assessor da campanha que reconheceu contato com os russos, foi desmentido pela Casa Branca como um simples “moço do cafezinho” na campanha e virou delator para o FBI — foi adiada por 90 dias. Fontes acreditam que se trata de novos avanços na investigação. Mueller também está negociando com advogados uma forma de questionar o presidente.

O site “Politico”, por sua vez, informou que um juiz determinou para alguma data entre setembro ou outubro o julgamento de Paul Manafort, ex-chefe da campanha eleitoral de Trump, já acusado por Mueller de lavagem de dinheiro e recebimento ilegal de recursos de governos estrangeiros. Isso coincidiria com o pico dos debates das eleições de meio de mandato, em 6 de novembro, quando serão renovadas todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 33 das cem do Senado, além da disputa de diversos governos estaduais. Os republicanos esperam perder assentos, e os democratas sonham em conquistar ao menos uma das duas Casas do Congresso. Além disso, o polêmico livro sobre o primeiro ano de Trump na Casa Branca, “Fogo e Fúria”, vai virar série de televisão — mas os detalhes ainda não foram conhecidos. Mais uma possível dor de cabeça para o presidente.

‘Fogo e fúria’: o que está no livro que sacudiu a Casa Branca de Trump Inimigos íntimos. Trump e Bannon em foto de janeiro: ex-assessor pode virar dor de cabeça ao presidente por causa de agenda radical Foto: Carlos Barria / REUTERS / 22-1-2017 ‘Ato antipatriótico’ em reunião O ex-estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon, classificou uma reunião de 2016 entre uma advogada russa e assessores de Trump na campanha — incluindo seu filho e genro — para buscar podres contra Hillary Clinton como “traição” e “ato antipatriótico”. Trump atacou Bannon, acusando-o de perder a cabeça. Trump, familiares e assessores acompanham votação em 8 de novembro de 2016: livro afirma que presidente não queria ter vencido Foto: Reprodução Descrença na vitória Wolff diz que a campanha de Trump não acreditava que ele venceria as eleições — e nem mesmo o próprio republicano achava que sairia vitorioso. O objetivo da família Trump com a campanha seria autopromover-se e se tornar ainda mais famosa em escala internacional. Trump estaria radiante, mesmo que se visse prestes a ser derrotado. Trump e Melania no discurso após republicano vencer a eleição Foto: Reprodução Lágrimas de Melania Na noite de 8/11/2016, quando apuravam-se os votos da eleição, a possibilidade inesperada de uma vitória apanhou a família Trump de surpresa. Ele próprio teria ficado, primeiro, em choque, e depois, horrorizado. Enquanto isso, sua mulher, Melania, teria caído em prantos — mas de desespero, e não de alegria. Em foto de 8 de novembro, Donald Trump deposita voto em Nova York Foto: Richard Drew / AP John quem? Constituição? O autor diz que Trump não sabia quem era o presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner. A revelação teria vindo à tona quando o atual presidente recebia sugestões para ser chefe de Gabinete: “Quem é esse?” Trump também teria se mostrado enfadado com tentativas de aprender a Constituição dos EUA. Donald Trump faz juramento na sua cerimônia de posse como presidente dos EUA, em janeiro de 2017, ao lado da família Foto: Jim Bourg / AP Posse sem graça Trump não teria ficado nada feliz no dia da sua cerimônia de posse, após recusa de vários artistas em participar do evento. Ele teria se mostrado irritado o dia todo e brigado com a mulher, Melania, enquanto se queixava de vários aspectos da cerimônia. Ivanka Trump, no Capitólio dos EUA Foto: ALEX WONG / AFP Ambições de Ivanka Segundo o livro, a filha mais velha de Trump já tem planos para, se houver oportunidade, concorrer à Casa Branca. Os relatos são de que Ivanka, assessora do pai, teria dito que ela seria a primeira mulher na Presidência dos EUA, e não a democrata Hillary Clinton. BRASIL: Ex-‘caixa-preta’ de Trump, Bannon pode minar governo com acordo

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