BRASIL: Comissão de frente da Tuiuti vence como destaque do público do Estandarte de Ouro - EntornoInteligente

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RIO — Durante as duas noites de desfiles na Marquês de Sapucaí, foram muitos os momentos marcantes das escolas de samba que cruzaram a Avenida do Samba. Por isso, O GLOBO e o Extra quiseram saber a opinião dos internautas sobre o que mais bombou na Sapucaí. Ao todo, foram 8.213 votos na enquete que escolheu o destaque do público no Estandarte de Ouro. Os milhares de participantes escolheram a comissão de frente da Paraíso do Tuiuti como o ponto alto das apresentações, com 45% dos votos.

Comissão de frente da Tuiuti questiona fim da escravidão No aniversário de 130 anos da Lei Áurea, a Tuiuti representou a escrivadão Foto: Marcio Alves / Agência O Globo A Azul e Amarelo questionou se a escravidão foi, de fato, extinta no Brasil Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo A apresentação começou pela exploração dos negros trazidos da África Foto: Marcio Alves / Agência O Globo A ideia era fazer um paralelo entre a exploração no passado… Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo … e a atual precarização do trabalho Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo O desfile foi considerado o melhor da História da Tuiuti, segundo o presidente da escola Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo A escola passou pela avenida neste domingo, repleta de sátiras e referências a temas polêmicos Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo 1 de 7 Anterior Próximo Em segundo, com 13,5%, ficou o tom ácido e crítico trazido pela Beija-Flor no carro que recriava cenas da violência do cotidiano do Rio e uma ‘Pietá’ diferente, com um policial no lugar de Jesus. E em terceiro lugar, com 9,1%, a sátira política e social levada pela Mangueira à Avenida de forma divertida. No domingo e na segunda, as 13 agremiações do Especial trouxeram críticas sociais e políticas, assuntos de grande repercussão na internet, homenagens e cenas expressivas que emocionaram o público, entre outros destaques.

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“O grito de liberdade” era o nome da comissão de frente do Paraíso do Tuiuti, que arrancou aplausos e lágrimas de emoção de quem acompanhou o desfile na Marquês de Sapucaí. Com a pergunta-enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, a escola de São Cristóvão questionou o fim do trabalho escravo no Brasil 130 anos após a assinatura da Lei Áurea. Patrick Carvalho, de 33 anos, coreógrafo da comissão de frente, conta que convive diariamente com a mensagem transmitida na Avenida. Para ele, as premiações recebidas significam que as pessoas estão se unindo e indo, juntas, nessa luta por uma liberdade tão necessaria.

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— Sou negro, moro em comunidade e chego em casa com medo. Quis fazer uma comissão de muita verdade. Fico muito feliz. Entrar na Avenida com esse grito de alerta me deixa extremamente satisfeito. Sentia a vibração do povo gritando junto com a gente. Sempre acreditei que os pássaros ousados voam alto, e chegou a nossa hora — conta Patrick, ainda emocionado.

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O carnavalesco da Mangueira, Leandro Vieira, conta que, desde o fim do desfile da escola, o que ele mais ouviu dos cariocas apaixonados pelo samba é que a agremiação levou para a Avenida tudo o que eles queriam viver neste carnaval. A escola trouxe o enredo “Com dinheiro ou sem dinheiro eu brinco”, que contou a história do carnaval no Rio, com foco popular e na festa de rua sem objetivo comercial.

— Esse reconhecimento do público é muito bacana. O enredo começou como um abraço da escola na pluralidade e na cultura do Rio de Janeiro, e agora é o contrário. O povo é que está abraçando a Mangueira e apontando ela como uma das grandes favoritas.

Mangueira trouxe críticas irreverentes para a Avenida do Samba – Alexandre Cassiano / Agência O Globo Entre tantas mazelas sociais destacadas pela Beija-Flor, chamou atenção um alerta para a crescente onda de violência, disseminada também nas torcidas de futebol, no Rio e no país. Alegorias da escola de Nilópolis destacaram cenas de assalto, arrastão, vítimas de balas perdidas e policiais mortos – imagens que se tornaram comuns ao cotidiano das grandes cidades e que, segundo o enredo, são consequências do abandono do povo pelas autoridades, definidas como ratos e sanguessugas do “terror brasileiro”.

O resultado da votação mostra que os enredos sociais e políticos apresentados fizeram sucesso com o público. São temas que diariamente causam furor na internet e estampam as páginas dos noticiários. As fantasias e alegorias deram vida a essa crítica social contundente. As mazelas que atingem o Brasil, a escravidão de ontem e hoje e os protestos irreverentes contra a administração pública deram o tom na disputa.

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Violência no país: não faltou tema para representar o “terror brasileiro” – Silvia Izquierdo / AP

O Estandarte de Ouro é o prêmio mais importante do carnaval carioca. Em 2018, o júri escolheu o Salgueiro como a melhor escola . Organizado desde 1972 pelo GLOBO, o troféu agora também tem a participação do jornal “Extra”. A premiação tem 15 troféus para o Grupo Especial e os dois para a Série A. O júri é formado por especialistas no assunto e tem em 2018 o reforço do historiador Luiz Antonio Simas, colunista do Segundo Caderno do GLOBO e um dos maiores estudiosos da cultura popular.

Veja fotos dos vencedores do Estandarte de Ouro O Salgueiro conquistou o Estandarte de melhor escola do Grupo Especial Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo O melhor enredo para o júri do Estandarte é "Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco", da Mangueira, do carnavalesco Leandro Vieira Foto: Lucas Tavares / Agência O Globo O melhor samba-enredo foi o da Mocidade Independente de Padre Miguel, com "Namastê… A estrela que habita em mim saúda a que existe em você" Foto: Ricardo Moraes / Reuters A personalidade do ano é o compositor Martinho da Vila Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo O prêmio de melhor comissão de frente é do Paraíso do Tuiuti Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo O prêmio de mestre-sala é de Daniel Werneck, da Grande Rio Foto: Guito Moreto / Agência O Globo Verônica Lima, da Grande Rio, leva o Estandarte de porta-bandeira Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo O melhor puxador é Tinga, da Unidos da Tijuca Foto: Bárbara Lopes / Agência O Globo Ala: Garra Mangueirense, com o figurino "Bloco de sujo ou vem como pode no meio da multidão" levou o Estandarte de Ouro Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo A melhor bateria é da da Mocidade Independente de Padre Miguel Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo Ala das baianas da Mangueira fatura o prêmio do Estandarte de Ouro em sua categoria Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo Como revelação, a porta-bandeira do Império Serrano Raphaela Caboclo leva o Estandarte de Ouro Foto: Márcio Alves / Agência O Globo A passista Dani Moreníssima da Grande Rio comemora na passarela do samba o prêmio Estandarte de Ouro Foto: Fernanda Dias / Agência O Globo A comissão de frente da Grande Rio ganhou o Estandarte de Ouro na categoria Inovação Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo A escola de samba Cubango leva o Estandarte de Ouro de melhor Escola do grupo de acesso Foto: Barbara Lopes / Agência O Globo A escola de samba Cubango também conquistou o Estandarte de Ouro de melhor Enredo do grupo de acesso Foto: Barbara Lopes / Agência O Globo 1 de 16 Anterior Próximo BRASIL: Comissão de frente da Tuiuti vence como destaque do público do Estandarte de Ouro

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