BRASIL: Análise: Insatisfação com amistosos revela feroz autocrítica da Alemanha - EntornoInteligente

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BERLIM – Quando a Alemanha empatou com a Espanha em 1 a 1, na última sexta, a reação quase unânime da imprensa esportiva mundial foi tratar a partida como uma exibição de altíssimo nível de duas seleções que chegam favoritas à Copa do Mundo de 2018. Jérôme Boateng, zagueiro de 29 anos, campeão mundial em 2014 e jogador do Bayern de Munique, não concordou. Titular da seleção alemã naquela partida, Boateng julgou “inadmissível” a quantidade de contra-ataques cedidos aos espanhóis, reclamou da “falta de determinação” da equipe e disse que era preciso melhorar “em todos os aspectos”. Joachim Löw, técnico da Alemanha há 12 anos, garantiu não ter se aborrecido com as reclamações do zagueiro. Pelo contrário: Boateng não só seguiu titular como virou capitão da seleção alemã contra o Brasil, na terça-feira.

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‘Não importa quem é o favorito’ para a Copa, diz atacante da Alemanha

Para os alemães, os amistosos deste mês serviram como “sinal de alerta antes da Copa do Mundo”. A frase foi dita pelo meia Toni Kroos, outro campeão mundial em 2014, depois da derrota por 1 a 0 diante da seleção brasileira. A primeira derrota sofrida pela Alemanha desde a semifinal da última Eurocopa, em julho de 2016, não foi tratada pelos alemães como um tropeço pontual, mas sim como sintoma de um desajuste atual que pouca gente fora do país consegue enxergar.

ANÁLISE: Seleção exibe o que lhe sobra e o que lhe falta

– Nós ainda não estamos tão bem como já costumamos ser no passado. Mal conseguimos segurar a bola no ataque contra o Brasil – comentou Kroos sobre uma noite em que a Alemanha teve quase 60% de posse de bola e 13 finalizações (embora, é verdade, apenas uma tenha tomado a direção do gol).

O tamanho da autocrítica revela uma Alemanha dura até demais consigo mesma. O jornal “Berliner Mornigen”, por exemplo, estampou a frase do “sinal de alerta” de Kroos no topo de seu caderno de esportes nesta quarta-feira. A reportagem observou que “passes errados pouco habituais caracterizaram a fraca exibição da Alemanha” contra o Brasil, e criticou a seleção alemã por “jamais ter se encontrado defensivamente ou exibido categoria ofensiva” na formação testada por Löw.

O mesmo texto que não poupa os jogadores alemães de críticas exibe uma fina ironia ao mencionar a importância dada pelos brasileiros à partida. A reportagem afirma que Löw, ao fazer sete modificações em relação ao time que iniciou contra a Espanha, tratou o amistoso como “teste” – uma indireta para o clima de Copa do Mundo que envolveu a torcida brasileira em Berlim. “Aqueles que ouviram como os numerosos torcedores brasileiros comemoram freneticamente o gol (de Gabriel Jesus) em uma partida amistosa”, diz o Berliner Mornigen, “podem adivinhar o tamanho do fardo que o 7 a 1 ainda representa”.

A ideia transmitida pela imprensa alemã é que o resultado do amistoso não deveria ser supervalorizado, tampouco servir de referência para o futuro. Só que a regra, coerente enquanto teoria, não se aplicou na prática para os próprios alemães.

Jornais desta quarta-feira estampam insatisfação alemã – Bernardo Mello Jogadores e comissão técnica evidenciaram muito desconforto com a derrota para o Brasil, que interrompeu uma sequência de 22 jogos de invencibilidade de Löw. Faltou só uma partida sem perder para que o treinador igualasse o recorde estabelecido por Jupp Derwall na década de 1980. Löw transpareceu irritação quando Gabriel Jesus abriu o placar. E confirmou o sentimento depois da partida.

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– Quando eu vejo o gol, para mim é óbvio: uma coisa daquelas não pode acontecer! É preciso haver cobertura em nossa área – reclamou o treinador, incomodado com o posicionamento de uma defesa que tinha três reservas (Trapp, Rüdiger e Plattenhardt) e dois titulares (Kimmich e Boateng).

O tabloide “Bild”, por sua vez, tentou levar a derrota em tom de brincadeira. “Agora está 7 a 2”, estampou em letras garrafais. “Tudo bem, nós ainda somos campeões do mundo”, diz o início do texto, que diminui a vitória brasileira ao status de “mini-revanche” da Copa de 2014.

Até na hora de contar piada, no entanto, a imprensa alemã deixou escapar como a derrota ficou entalada na garganta. “Aliás, podemos encontrar o Brasil novamente nas oitavas de final da Copa do Mundo…”, termina o texto, referindo-se a um possível cruzamento das duas seleções no início do mata-mata. Para isso acontecer, uma das seleções tem que avançar em primeiro e a outra apenas em segundo lugar no seu grupo. Uma vice-liderança na primeira fase da Copa não é o que se espera de Brasil e Alemanha. Exceto, talvez, por parte dos próprios alemães.

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