Bombas em Gaza, rockets contra Israel no segundo dia de conflito

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A operação militar israelita contra a Jihad Islâmica na Faixa de Gaza continuou este sábado, no segundo dia, com ataques aéreos israelitas sobre o território que provocaram, segundo as autoridades do território, 14 mortos e 110 feridos. Israel disse ter morto vários operacionais da Jihad Islâmica, o segundo maior grupo armado palestiniano a seguir ao Hamas, no poder em Gaza, que está, para já, fora do conflito.

Tudo começou na semana passada com uma operação em que um líder da Jihad Islâmica foi detido em Jenin, na Cisjordânia. A localidade tem vindo a ser alvo de operações militares de Israel desde uma série de ataques contra israelitas em que alguns dos responsáveis eram de Jenin. Foi numa destas operações que foi morta a jornalista da Al-Jazeera Shireen Abu Akleh , ao que tudo indica por militares israelitas.

A Jihad Islâmica preparava uma operação contra Israel para vingar a detenção do responsável Bassam al-Saadi, de 61 anos, na Cisjordânia. Israel manteve as comunidades em redor da Faixa de Gaza em confinamento e impediu (ainda mais) entradas e saídas do território palestiniano, e na sexta-feira à tarde começou uma operação militar com um ataque contra Gaza em que matou um dos líderes locais do movimento, Tayseer al-Jabari.

A Jihad Islâmica respondeu disparando rockets contra Israel, mas a maioria dos analistas esperavam para ver se o Hamas, no poder no território, iria entrar no conflito.

O risco para o Hamas é muito mais alto já que responde pelas condições, normalmente já precárias, da população da Faixa de Gaza, que já está sobrecarregada com medidas draconianas após 15 anos de bloqueio, que afectam entradas e saídas de pessoas e de material, por exemplo de construção (Israel diz que pode servir para fazer armas), e também sofre um fornecimento de electricidade errático – com as medidas desta semana, a população está para já apenas com 8h de fornecimento de electricidade por dia, e há alertas de que a central eléctrica pode mesmo parar de funcionar por não ter combustível (este entra através de Israel, e as restrições actuais impedem a sua passagem).

Tanto a Jihad Islâmica como o Hamas nasceram com ligações à Irmandade Muçulmana do Egipto, e são apoiados pelo Irão, mas seguiram caminhos diferentes: o Hamas decidiu participar no processo político e entrar em eleições, e venceu as legislativas de 2006, enquanto a Jihad Islâmica manteve o foco no combate armado, rejeitando qualquer compromisso com Israel.

Desde que o Hamas assumiu o poder na Faixa de Gaza, em 2017, a diferença entre as duas acentuou-se. O Hamas tem de pesar qualquer ataque com as consequências para a população (embora às vezes arrisque, como em Maio passado). Já a Jihad Islâmica, «livre dos encargos da governação e das suas responsabilidades inconvenientes, continua a ganhar apoio público pela sua posição de confronto», comentou no Twitter Erik Skare, investigador da Universidade de Oslo e autor de dois livros sobre o movimento. «Isso significou iniciar mais actividades armadas sem articular com o Hamas. A Jihad Islâmica tornou-se maior, mais ousada, e mais desafiadora». Resumindo, «demasiado grande» para Israel.

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