Benfica. Crise no futebol faz cair Bruno Lage e deixa Vieira a pensar no futuro - EntornoInteligente
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O Benfica caiu com estrondo na Madeira, mas foi uma queda há muito anunciada de um clube que entrou numa espiral negativa a 8 de fevereiro com a derrota no Estádio do Dragão, com o FC Porto. A partir daí iniciou-se uma crise desportiva, que nem a paragem do futebol devido à pandemia de covid-19 ajudou a resolver. Agora, a crise já ameaça ser diretiva, quando faltam poucos meses para as eleições para os órgãos sociais dos encarnados, que devem realizar-se em outubro.

Esta segunda-feira marcou praticamente o adeus ao título do Benfica (o FC Porto já está a seis pontos de distância a cinco jogos do fim) e determinou ainda a queda do treinador Bruno Lage, após a segunda derrota consecutiva e um ciclo em que o Benfica teve apenas duas vitórias em 13 jogos. Uma sequência de resultados que poderá já ter aberto uma nova e profunda ferida que pode atingir o presidente Luís Filipe Vieira, que está no 17.º ano como presidente do clube, período durante o qual os encarnados recuperaram da penumbra que viveram devido ao furacão Vale e Azevedo, na viragem do milénio.

Bruno Lage fez o último jogo como treinador principal do Benfica no Estádio dos Barrreiros

© Rui Silva / ASPress / Global Imagens

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Subscrever Ataque ao autocarro e chumbo do orçamento Os primeiros sinais de contestação dos adeptos foram nas bancadas ainda antes dos dois meses e meio de confinamento a que Portugal esteve sujeito. Quando a época foi retomada, sem adeptos nas bancadas, o empate 0-0 em casa com o Tondela fez com que a contestação atingisse um ponto extremo, pois quando a equipa regressava ao Seixal após essa partida na Luz, alegados membros da claque No Name Boys apedrejaram o autocarro da equipa, ferindo o alemão Julian Weigl e o sérvio Zivkovic devido aos estilhaços do vidro da viatura.

Seguiram-se um empate em Portimão, uma vitória sofrida em Vila do Conde e uma derrota caseira com Santa Clara. A consequência foi um cartão amarelo dado pelos sócios, na passada sexta-feira, na Assembleia Geral para apreciação e votação do orçamento do clube para a próxima época. O documento foi chumbado por curta margem (186 votos num universo de 37 965 votos expressos), mas o mais significativo foi o facto de a base de apoio de Vieira, até agora composta pelos sócios mais antigos, ter agora expressado o seu descontentamento nessa votação.

Vieira abre a porta à saída Este verdadeiro cartão amarelo a Luís Filipe Vieira poderá agora ter consequências imprevisíveis. É que, na sala de conferências de imprensa do Estádio dos Barreiros, no Funchal, o líder dos encarnados admitiu a possibilidade de também ele seguir o caminho do treinador Bruno Lage e pedir também a demissão. Essa pode, pelo menos, ser a conclusão que se pode extrair das suas declarações.

“Sou o único culpado. Se há hoje quem festeje a derrota do Benfica, quero dizer que nunca me verguei a nada. Por isso, quando chegar a Lisboa vou tomar uma decisão, mas até lá muita coisa vai acontecer e antes tenho de falar com a minha família” , disse, num claro sinal de que estará para tomar uma importante decisão. Os sinais de abandono voltaram a sentir-se de imediato quando fez questão de lembrar como estava o clube no início do século: “Não deixem o clube voltar ao passado. Porque em 2000 fomos nós todos que demos cabo do Benfica e fazer o que fizemos nestes 20 anos é muito difícil, quer em termos de estruturas, em termos desportivos ou financeiros.”

Luís Filipe Vieira (à direita com a mão na cabeça) foi a imagem do desespero benfiquista na Madeira

© Rui Silva / ASPress / Global Imagens

E continuou nos seus avisos: “Só foi possível chegarmos aqui porque tivemos estabilidade. Para conquistarmos um bicampeonato precisámos de 31 anos, para conquistar um tri estivemos 39 anos e um tetra nunca tínhamos conquistado. Isso só se faz com muito amor, com muita paixão, muito profissionalismo e determinação, dando tudo em prol do Benfica.” O discurso de Vieira foi marcado por alguma emoção, o que adensa a suspeita de que a sua saída poderá estar em cima da mesa. “Atenção, uma derrota não é o desespero total”, rematou, antes de deixar a sala de imprensa e entrar no autocarro da equipa rumo ao Aeroporto Cristiano Ronaldo.

A questão que se coloca neste momento é saber o que vai decidir Luís Filipe Vieira. Se, de facto, for a demissão, faltará saber se irá apresentar-se como candidato nas próximas eleições. Num final de época atribulado por causa da pandemia de covid-19, devido à qual os clubes ficaram privados de parte das suas receitas, o Benfica corre o risco de entrar em depressão profunda também ao nível diretivo. Neste momento, há três sócios que já se assumiram como candidatos: o ex-vice-presidente Rui Gomes da Silva, Ricardo Martins Pereira e Bruno Costa Carvalho, cuja candidatura ainda não se sabe se poderá ser aceite. No entanto, há notícias que dão conta de algumas movimentações para que surja um candidato com outro peso. Por exemplo, João Noronha Lopes, antigo vice-presidente mundial da cadeia de restaurantes McDonald’s, foi recentemente noticiado como estando a ser desafiado para avançar.

Renato Paiva deve render Lage até final da época Independentemente de as eleições se realizarem em outubro ou serem antecipadas devido à demissão dos órgãos sociais, é certo que é urgente resolver o problema do treinador, uma vez que Bruno Lage colocou o seu lugar à disposição, o que foi aceite pelo presidente Luís Filipe Vieira.

Nas últimas horas surgiram os nomes de Jorge Jesus, que tem contrato com o Flamengo, e do argentino Mauricio Pochettino, que está desempregado desde novembro, altura em que foi substituído por José Mourinho no comando do Tottenham. Contudo, o mais provável é que, até final da temporada, a SAD liderada por Luís Filipe Vieira opte por uma sucessão transitória , uma vez que dificilmente algum treinador com créditos firmados aceitará pegar na equipa nesta reta final de temporada, quando faltam cinco jogos da I Liga e ainda a final da Taça de Portugal, no dia 1 de agosto, frente ao FC Porto.

O desanimo dos jogadores do Benfica após mais uma derrota na I Liga. O título é praticamente uma miragem…

© Rui Silva / ASPress / Global Imagens

Nesse sentido, o mais provável é que, ao que o DN apurou, seja Renato Paiva, atual treinador da equipa B, a assegurar o comando da equipa principal até final da época , sendo que a principal missão do técnico de 50 anos é suster a espiral negativa onde a equipa caiu, segurar o segundo lugar que dá acesso à 3.ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões e tentar conquistar a Taça de Portugal.

LINK ORIGINAL: Diario Noticias

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