Autora de Como Matar o Seu Marido assassinou mesmo o marido, deliberou o júri

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Quatro anos depois da morte do marido, a norte-americana Nancy Crampton Brophy, autora do ensaio Como Matar o Seu Marido , foi condenada. Na sequência de 28 dias de julgamento e oito horas de deliberações, esta quarta-feira, o júri considerou a escritora «culpada» do assassinato do marido, Daniel Brophy, a 2 de Junho de 2018. A leitura da sentença ficou agendada para 13 de Junho, no tribunal em Portland, no estado do Oregon.

Nancy Crampton Brophy escrevia livros sobre relações que correm mal entre «homens robustos e mulheres fortes» — o que viria a acontecer com a sua. Com títulos como O Inferno no Coração ou O Marido Errado, descrevia como é que uma mulher se podia ver livre do marido, matando-o, sem que a polícia desconfiasse. Deve contratar um assassino profissional ou agir sozinha? Que armas deve usar? Estas eram algumas das questões que explicava num universo supostamente ficcionado, ainda que extremamente detalhado.

A ficção tornou-se realidade quando Daniel Brophy foi encontrado baleado na escola de culinária onde era professor, em Portland,​ por alunos. Acabaria por não resistir aos ferimentos que agora o tribunal concluiu terem sido infligidos por Nancy, com quem foi casado durante 27 anos. Ainda que o júri a tenha considerada culpada, a escritora negou todas as acusações, insistindo que o facto de a sua carrinha ser vista nas câmaras de videovigilância perto do local do crime, uma hora antes do incidente, se relacionava com o facto de estar a conduzir em busca de inspiração para os livros. Porém, os jurados ouviram que a arguida, na altura, mentiu a amigos, garantindo que estava em casa quando o marido foi baleado.

Foto Fotografia do momento da detenção DR Desconhecia-se o paradeiro da arma, que a polícia acreditava ter sido usada no crime — inicialmente, pensou-se que seria a arma do marido. No entanto, veio-se a provar que foi uma pistola comprada pela escritora . A mulher explicou que a aquisição era uma maneira de se inspirar, uma espécie de adereço para auxiliar na escrita de um novo livro. O homem que lhe vendeu a arma, Brett Glendinning, uma das testemunhas do julgamento, recordou ter ensinado a escritora a desmontar a arma e a como a limpar.

Reforma em Portugal foi motivo de discórdia O Ministério Público norte-americano apresentou como motivo do crime os problemas financeiros da autora quando matou Daniel Brophy com dois tiros no coração. «Não se trata apenas do dinheiro. É sobre o estilo de vida que ela queria, que Dan não podia proporcionar», sublinhou o procurador Shawn Overstreet. Os planos para a aposentação seriam um dos motivos de discórdia do casal, cujas poupanças para a reforma eram escassas. É que Nancy tinha o sonho de passar os últimos dias em Portugal. O marido não tinha a mesma vontade e, por esse motivo, a mulher assassinou-o, destacou, ainda, Overstreet. Além disso, recordou que, quando os polícias deram a notícia da morte do marido, a escritora fez muito poucas perguntas.

Nas declarações em tribunal, Nancy Crampton Brophy negou as acusações, dizendo que os problemas financeiros eram uma história antiga. «Financeiramente, estava melhor com o Dan vivo do que morto», insistiu, questionando o procurador sobre o móbil do crime e considerando que a acusação tinha falhas. Nos argumentos finais, a defesa, liderada pela advogada Kristen Wienmiller, criticou o Estado por não dar provas suficientes e argumentou que a teoria do seguro de vida não fazia sentido, apesar de Nancy ter recebido quase um milhão de dólares em seguros de vida e de trabalho do cônjuge, relata a Court Tv .

Concluídos os argumentos finais, em apenas oito horas o júri considerou Nancy Crampton Brophy culpada — momento em que a escritora nem pestanejou. Ainda sem conhecer a sentença, agendada para 13 de Junho, a equipa jurídica da autora garantiu a intenção de recorrer, avança o jornal local The Oregonian . A escritora está a aguardar julgamento na cadeia, desde Setembro de 2018 , quando foi detida, na sequência da polícia ter encontrado provas de compras de peças para armas no seu computador e o ensaio Como Matar o Seu Marido , usado também como prova — ainda que Nancy continue a reiterar o tom irónico do texto.

No ensaio Como Matar o Seu Marido , Nancy dizia que as armas de fogo eram «barulhentas, confusas e exigem alguma perícia». Além disso, acreditava que «cada um de nós é capaz de o fazer [matar] quando tem vontade suficiente», cita a Lusa. Numa publicação feita no Facebook, entretanto apagada, escreveu: «Se é suposto o homicídio libertar-me, de certeza que não quero acabar na prisão». Afinal, parece que será esse o seu fado.

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