Arte e imaginação: Ziraldo lança coleção de dez livrinhos intitulada 'Os Meninos dos Planetas' + - EntornoInteligente

Entornointeligente.com / 11/08/2018 – Jornal do Brasil. / Neste fim de semana, Ziraldo estará na 25 Bienal de São Paulo, no estande da Melhoramentos, a partir das 16h, autografando seus títulos. Entre os lançamentos de sua velha casa editorial, há uma homenagem, “Ziraldo 85 – Ao mestre com carinho”, biografia ilustrada com 85 desenhos feitos pelos amigos cartunistas, e uma caixa com uma coleção de dez livrinhos intitulada “Os Meninos dos Planetas”, poético e galáctico presente de Ziraldo para as crianças de todo o Brasil e, por que não?, para os habitantes do planeta Terra inteiro. Já que os volumes com aventuras ocorridas no Sistema Solar são tão belos e delicados que podem ser lidos por pessoas de quaisquer idades e países. Basta gostarem de se aventurar pelo cosmos, o infinito estrelado. 

Também foi lançado nesta Bienal paulista, em parceria com Maurício de Souza, outro autor da Melhoramentos, o livro “MÃ’nica e o Menino Maluquinho na Montanha Mágica”, com grande repercussão, por se tratarem de dois bambas dos quadrinhos infantis, Maurício e Ziraldo. A narrativa, no caso, foi de Manuel Filho, que cruzou histórias dos famosos personagens MÃ’nica e Menino Maluquinho, tão amados pelos pequeninos. Obra para virar best-seller rapidamente.

Ziraldo já lançou pela editora 156 títulos e vendeu oito milhões de exemplares, 350 mil no exterior Falando em best-seller, os feitos editoriais de Ziraldo são imensos. É com orgulho que a Melhoramentos informa que o autor já lançou pela editora 156 títulos e vendeu oito milhões de exemplares, sendo que 350 mil no exterior, pois seus livros fazem sucesso em países da América Latina como Chile, Argentina e Uruguai, sendo que há até mesmo uma escola Ziraldo no Uruguai. “Sempre que vou a Montevidéu, vou visitá-la. Escola Ziraldo, pode imaginar?” (e ele ri, pronunciando o próprio nome em espanhol).

No dia 24 de outubro, o exímio quadrinista estará completando 86 anos. Mas a idade não o assusta, já que não para de criar, mantendo intactas as forças de seu pincel, de sua imaginação e sua técnica de artista gráfico. Admite que acha a velhice chata, devido à dificuldade para andar, as mazelas, a perda de memória, a necessidade de uma acompanhante. Até conta uma historinha: “Perguntei a Carlos Drummond de Andrade e a Pedro Nava o que achavam da velhice. Ficaram me olhando sem nada dizer. Eu disse então que perguntara a Alceu Amoroso Lima e que ele havia me respondido que a velhice era ótima, todo os dias dava graças a Deus por estar vivo e telefonava para a filha freira para conversarem sobre as maravilhas da existência humana…Ao que retrucou Drummond: ‘Este Alceu Amoroso Lima era um grande f.d.p.”

A inspiração costuma ganhar do esforço

Sem chegar ao extremo de dar graças a Deus pela vida todos os dias, para Ziraldo, enquanto a inspiração durar, isto é, enquanto for capaz de inventar beleza e alegria, está tudo bem. E não lhe falta inspiração, é claro. Inspiração essa que o levou a conceber os dez meninos, nove deles planetários – da Terra, de Marte, Urano, Plutão, Mercúrio, Vênus, Netuno, Saturno e Júpiter – e um pertencente a um satélite, a Lua.

O mineiro de Caratinga, que tornou sua cidade natal célebre, explica que quando resolveu criar “Os Meninos dos Planetas”, fugiu da ordem alfabética ou da ordem no Sistema Solar: “Se eu ficasse preso a uma ordem qualquer, a coleção ficaria forçada. Fui fazendo conforme a inspiração, deixando rolar… Comecei pela Lua, ou seja, pelo Zélen, e, no final, fiz três livros de uma só vez para terminar, todos eles editados em 2018: Netuno, Júpiter e Plutão”.

O momento, real e ficcional, todos sabemos, é de muito interesse por temas galácticos, universo em expansão, buracos escuros, vida em outros planetas, água em Marte, alertas de Stephen Hawking, campos gravitacional e eletromagnético. Ziraldo, no entanto, afirma que não foi esta espécie de “modismo” que o levou a criar os meninos planetários. Sempre gostou de desenhar astronautas, argonautas, cosmonautas: “O artista é assim mesmo. Ele vai na gávea do barco. Vê o horizonte primeiro. Faz tempo que desenho astronautas ou que conto histórias de viagens em outras galáxias. Quando criança, li Flash Gordon e o menos conhecido Brick Bradford, herói de uma série de quadrinhos criada em 1933 pelo escritor William Ritt e pelo desenhista Clarence Grey, que, na ocasião, já mencionava uma máquina do tempo”. 

Coleção “OS MENINOS DOS PLANETAS”, de Ziraldo O criador tem preferência por algum dos dez meninos? Não, não tem. São como filhos, sendo seu amor dividido igualitariamente entre todos eles: Mas admite que Saturno é realmente o mais criativo, já que através de seus anéis perdidos homenageia os pintores de que mais gosta, como Van Gogh, Kandinsky e Klimt. O gosto de desenhar cada livrinho, no entanto, foi similar: “Gostei muito de desenhá-los. Desta vez não fiz colagens. São novas criações, novos desenhos. Tudo novo”. Ele explica ainda que nem sempre a criação que dá mais trabalho é a que gera um resultado melhor. O que vem direto, de supetão pode ficar muito bom. Em outras palavras: “O que exige um trabalho danado, muito esforço, nem sempre fica bom”. 

A linguagem desta vez foi muito poética. Há versinhos, rimas. As crianças vão adorar, porque os textos ficam cheios de ritmo, agradáveis de serem ouvidos. São ótimos livros para serem lidos para as crianças antes de dormirem. O escritor e artista gráfico admite que já escreveu poesia quando jovem. Mas achou que corria um grande risco devido à tuberculose dos grandes poetas brasileiros da era romântica: “Eu adoro Casimiro de Abreu, o poeta das ‘Primaveras’, ‘Ai, que saudades que tenho da aurora de minha vida!’. Começou a escrever com 17 anos e morreu com 21 (1839-1860). Deixou-nos uma obra maravilhosa. Achei que o espaço dos grandes poetas jovens estava ocupado. E ainda por cima morriam com tuberculose! Abandonei a poesia”.

Abandonou a poesia em parte. Os dez livros de Ziraldo com suas narrativas fantásticas, fabulosas, são cheios de lirismos. Os mais românticos, então, nem se fala. Os personagens têm ótimos nomes, bem criativos, fáceis de as crianças gravarem. Zélen, o Menino da Lua, foi criado em 2006. Em seguida, em 2008, veio Théo, o de Urano, namorado da Fada Anagrom, Morgana ao contrário, um anagrama; Irmin, o Capetinha do Espaço, que mora em Mercúrio, foi criado em 2011; o Menino de Marte se chama Martim, nasceu em 2012 e tem muitos irmãos e irmãs, os marcianos, é claro, que adoram se esconder na Terra; o Menino da Terra é chinês, se chama Nan e é muito preocupado com ecologia e o futuro do planeta. Nasceu em 2013, ano em que também nasceu Vevê, Menino de Vênus, um Cupido munido de amorosas flechas. Em Saturno, em 2015, nasceu Nino ou Saturnino, o grande artista do espaço, que ama pintores; o Menino D’Água, nascido em Netuno em 2018, chamava-se Tuna. Também são de 2018 Ju, o Menino de Júpiter, o maior menino do mundo, e Plut, Menino de Plutão, que brinca com as cores do escuro, iluminando e pintando o sete no breu de asa de graúna de seu planeta. 

Não vou contar as histórias de cada um desses personagens aqui porque elas valem a pena serem descobertas com um menininho e uma menininha do lado, totalmente deslumbrados. Há tantos ensinamentos, que Ziraldo optou por dar algumas explicações ao fim de cada livrinho. Ou seja, deixou o que tinha que ser esclarecido para o final, a fim de não atrapalhar a narrativa com pés de página ou decifrações internas de seus códigos pessoais. Para possível encantamento das crianças, ele chegou a criar um novo tempo de verbo, o pretérito imperfeito do presente do indicativo, já que tudo se passa no século 3.000. Eis o que ele nos diz a respeito em “O menino da Lua“, que foi o primeiro título da coleção: “Não posso começar uma história que se passa no futuro dizendo, por exemplo, ‘Era uma vez um herói’, porque a vez ainda será. Também não posso dizer ‘Nosso herói se chamava’, porque ele ainda se chamará. O jeito que achei foi usar o meu novo tempo de verbo e começar a história assim: ‘Serera uma vez um herói que se chamarava'”

Como tudo ia ficar muito esquisito, ele optou pelo século 3.000. “O melhor que fazemos, portanto, para contar tudo, é imaginar que já estamos no século 3.000, aonde chegamos porque os habitantes da Terra tomaram juízo, pararam de derrubar as florestas, não deixaram subir a água dos mares, impediram que o fogo esquentasse os campos e o ar e a vida continuou. Século 3000! Foi lá que acabei parando minha máquina do tempo. Acho que ninguém jamais foi tão longe futuro adentro”.

É isso, criançada. Vamos passear na máquina do tempo com Ziraldo. Peçam a seus pais que comprem os livrinhos… um de cada vez, para não dar um baque no orçamento doméstico. A coleção toda fica bem cara. Entre outras coisas vão conhecer a belíssima história de Romeu e Julieta, na qual Ziraldo muda o final, criando um final feliz. Shakespeare já deve tê-lo perdoado, afinal de contas ninguém briga com Cupido, o filho de Vênus, e muito menos com o grande artista brasileiro, que também outra história de amor muito simpática, a de Théo com a fada Anagrom, em que a feiticeira, horrível se torna uma feiticeira boa, participando das festas das boda do casal apaixonado.

Não há dúvida de que Ziraldo sempre será um menino com muito amor para dar às crianças em seu coração generoso, consciente da necessidade de proteção de nosso planeta para que continue a girar em torno do sol. E por que não entra para a Academia Brasileira de Letras? Porque a Academia é boba, fazendo política onde o que deveria prevalecer é o mérito. 

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SERVIÇO

Coleção “Os Meninos dos Planetas” , de Ziraldo (Ed. Melhoramentos, 472 páginas), formada pelos livros”Nino, o Menino de Saturno“; “O Capetinha do Espaço ou O Menino de Mercúrio“; “O Menino da Lua“; O Menino da Terra“; “O Menino que veio de Vênus“; “O namorado da Fada ou O Menino de Urano“; “Os Meninos de Marte“; “O Menino D’Água e o Planeta Netuno“; “Ju, o Menino de Júpiter – O Maior Menino do Mundo” e “As cores do escuro e os Meninos de Plutão”.

Coleção completa: R$ 350 (os exemplares também são vendidos de forma avulsa, a preços variados)  

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* Jornalista e escritora

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