Análise: estratégia de Lula com meio evangélico é chegar aos fiéis sem passar pelos líderes

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RIO — Em março do ano passado, quando o ministro Edson Fachin anulou todas as condenações do ex-presidente Lula na Lava-Jato , o petista atacou lideranças evangélicas em um pronunciamento para pressionar o Planalto a ser mais efetivo no combate ao coronavírus: «O papel das igrejas é ajudar para orientar as pessoas, não é vender grão de feijão ou fazer culto cheio de gente sem máscara, dizendo que tem o remédio pra sarar», disse, no que foi considerado um descuido por aqueles que acham fundamental a esquerda voltar a dialogar com os principais pastores e bispos do segmento.

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Lula discorda de que esse movimento de aproximação com os líderes seja a melhor estratégia para o PT. No início do ano, aliados tentaram articular um encontro do petista com o missionário R.R Soares, fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus, que tem cinco filhos na política, alguns deles em dúvida se o melhor a fazer em 2022 é apoiar Jair Bolsonaro. Lula preferiu não ter a reunião, com a crença de que conseguirá chegar aos fiéis sem precisar forçar uma relação com lideranças alinhadas ao atual governo.

Em novembro do ano passado, em um encontro virtual com a militância, o petista foi mais claro sobre o seu raciocínio. «O PT não pode acreditar na história de que os evangélicos são como se fossem um gado», afirmou, enfatizando em seguida a necessidade de o partido passar a seguinte mensagem: «A maioria dos fiéis, pobre e periférica, foi beneficiada por políticas públicas iniciadas pelos governos petistas».

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«Povo de Deus: Quem são os evangélicos e por que eles importam», do antropólogo Juliano Spyer, é o livro que fez a cabeça de Lula nesse sentido. A obra se propõe a sair do lugar comum da crítica ao patrimônio milionário acumulado por determinados líderes para focar na melhora de vida dos brasileiros, que estão nas igrejas para atacar temas como alcoolismo, violência doméstica e autoestima. Lula aposta exatamente na «melhora de vida» para atrair fiéis. Nada de falar de aborto, drogas e da agenda identitária. Quer tratar de economia essencialmente. Assim, acredita que poderá prescindir de Edir Macedo, Silas Malafaia e cia.

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