Amber Heard retoma testemunho contra Johnny Depp e vê-se atacada no contra-interrogatório

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A ex-mulher de Johnny Depp, Amber Heard, regressou, esta segunda-feira, ao banco das testemunhas, num julgamento por difamação cheio de acusações de abuso físico e emocional de ambos os lados. Heard relatou, com todos os detalhes possíveis (dado o elevado número de objecções da advogada de Depp), várias situações em que diz ter sido vítima de violência física por parte do ex-marido.

Até que chegou o momento de enfrentar o contra-interrogatório, que se revelou feroz. E a advogada de Jonny Depp, Camille Vasquez, fez questão de colocar o dedo na ferida, regressando ao emotivo testemunho da actriz sobre uma alegada violação. «Testemunhou que foi violada com uma garrafa «, lembrou Camille Vasquez, recordando que a actriz disse que «sangrou da vagina» para, logo a seguir, perguntar se tinha procurado cuidados médicos ou tirado alguma fotografia. «Eu não queria dizer a ninguém», respondeu Heard. Vasquez continuou a questionar todos os episódios em que Heard afirmou ter sido agredida, até chegar a outra questão: do dinheiro. Afinal, este caso vale milhões para qualquer dos lados.

Camille Vasquez fez questão de sublinhar que a afirmação da actriz de que tinha doado o montante do seu acordo de divórcio de sete milhões de dólares (6,7 milhões de euros) de 2016 foi falsa . «Até hoje, não pagou 3,5 milhões do seu dinheiro à ACLU… até hoje, não pagou 3,5 milhões do seu dinheiro ao Hospital Infantil de Los Angeles», esclareceu a causídica perante uma desconfortável, mas concordante, Amber Heard. «Eu prometi a totalidade» do valor às instituições, avançou Heard, acrescentando que não tinha sido capaz de cumprir a promessa por «estar a ser processada».

No entanto, a advogada de Depp lembrou que os sete milhões de dólares lhe foram entregues quase seis meses antes do seu ex-marido a ter processado, em Março de 2019, e que pelo menos 500 mil dólares foram pagos à ACLU por Elon Musk, o multimilionário com quem Amber Heard namorou após o divórcio. Heard insistiu que as doações de Musk não tinham nada a ver com os 3,5 milhões de dólares prometidos por si.

Reuters/Pool Steve Helber/Lusa/POOL Reuters/Pool Reuters/Pool Fotogaleria Reuters/Pool Ele diz, ela diz Desde o início do julgamento, os jurados no caso escutaram gravações explícitas das discussões entre Amber Heard e Johnny Depp, que estiveram juntos cerca de seis anos (e casados pouco mais de um ano), e ouviram os actores a testemunharem sobre episódios chocantes que incluíram um dedo cortado (que Depp acusou ter sido Heard), fezes numa cama (de que Heard foi acusada), pontapés, puxões de cabelos e murros (que Heard acusou Depp) e uma agressão sexual com uma garrafa (que Heard descreveu ter sofrido, apontando o dedo ao ex-marido).

O primeiro a apresentar o caso foi Johnny Depp, que subiu ao banco das testemunhas a 19 de Abril . A estrela da saga Piratas das Caraíbas declarou que nunca bateu em Amber Heard, nem em nenhuma outra mulher, e argumentou que a agressora da relação era a ex-mulher , contando com o testemunho de uma psicóloga que afirmou que Heard sofria de perturbação de personalidade histriónica e de personalidade limítrofe ( borderline ).

Sobre o comportamento da mulher que acusou de violento, o actor contou que, no início de 2015, pouco depois do casamento, Amber Heard atirou uma garrafa de vodka na sua direcção que cortou a parte superior do seu dedo médio direito — a corroborar a acusação foram apresentados relatórios médicos, mas a defesa da actriz afirma que o corte foi feito pelo próprio.

Noutra situação, em Abril de 2016, Depp contou que foram encontradas fezes na cama do casal e um dos seus seguranças testemunhou que Amber Heard lhe disse que as fezes tinham sido aí deixadas como uma «piada horrível que correu mal». Heard, entretanto, negou, acrescentando que não achava nenhuma graça à ideia.

Já Amber Heard, que se tornou conhecida do grande público já após o divórcio de Depp, com o seu papel de Mera em Aquaman , garantiu que apenas bateu em Depp para se defender e para proteger a irmã mais nova — neste ponto, a sua psicóloga testemunhou que a actriz apenas tinha sido agressiva para se defender, mas confrontada com uma gravação em que Amber Heard assume «ter batido» em Depp, a terapeuta acabaria por concordar que naquele caso não se tratava de uma agressão reactiva.

Um dos momentos mais dramáticos do julgamento ocorreu durante o segundo dia de testemunho de Amber Heard, em que a actriz descreveu um episódio em que acusou Johnny Depp de a ter agredido e de ter inserido uma garrafa de vidro na sua vagina enquanto ameaçava matá-la. Durante a descrição, a actriz mostrou-se extremamente angustiada e em stress emocional , uma postura que diversos peritos em linguagem corporal, ouvidos pela Court TV , que tem transmitido o julgamento, consideraram pouco credível.

Os comentários terão sido levados em conta e, uma semana depois, Amber Heard mostrou-se mais contida e mais cautelosa à forma como expõe as diversas situações que afirma terem ocorrido.

Guerra nas redes e no ecrã Ainda há menos de dois anos, Johnny Depp sofreu uma dura derrota no Reino Unido, quando um tribunal considerou que «espancador da mulher», como o The Sun escrevera, não constituía difamação, depois de ter dado como provados diversos incidentes de violência extrema de Depp contra Heard. E agora, tratando-se de um caso de difamação, basta que Amber Heard consiga provar que o ex-marido lhe tenha batido uma única vez para que o júri não dê razão a Depp.

O que parece certo é que, na guerra das relações públicas, a equipa que gere a imagem do actor Johnny Depp está a liderar a corrida (e a de Heard foi substituída a meio do processo ). Um estudo dos memes e publicações no TikTok indica uma clara tendência para alinhar com Depp, apesar de ambos os ex-cônjuges afirmarem ser vítimas de violência. «O que está a sair nas redes sociais, na Instagram e na TikTok, é bastante abominável porque estas são alegações graves de abuso vindas de ambos os lados», disse Alex McCready, chefe de reputação e privacidade no escritório londrino de especialistas em direito da família Vardags, citado pelo The Guardian .

A etiqueta TikTok #JusticeforJohnnyDepp tem mais de 11 mil milhões de visualizações, enquanto a de #JusticeforAmberHeard tem apenas pouco mais de 80 mil. A hashtag #AmberHeard conta com 9,8 mil milhões de visualizações. E, por causa deste apoio do público, é muito possível que Depp recupere a sua carreira independentemente do veredicto. Já Amber Heard poderá ver o seu ligar em Aquaman 2 em perigo: uma petição online exige que a actriz seja retirada da sequela do filme sobre o personagem da DC Comics e já reúne mais de quatro milhões de assinaturas.

A actriz falou, esta segunda-feira, sobre a sua participação em ambos os filmes, alegando que a sua vida profissional tinha sido prejudicada pela controvérsia agora em julgamento. Heard expôs as cláusulas do seu contrato da Liga da Justiça com a Warner Bros.: pela participação no Aquaman de 2018 recebeu um milhão de dólares mais «bónus de bilheteira» e o seu cheque para a sequela de 2023 de Aquaman e o Reino Perdido era de dois milhões de dólares — um filme que quase perdeu. «Lutei muito para ficar no filme, eles não me queriam… no filme», disse.

Johnny Depp está a processar Amber Heard por difamação, depois da publicação de um artigo no The Washington Post em que a actriz se identificou como uma sobrevivente de abusos. O actor exige uma compensação de 50 milhões de dólares (48 milhões de euros), alegando ter perdido trabalhos por causa da acusação que descreve de falsa. Por seu turno, Amber Heard contra-atacou com um processo de difamação de 100 milhões de dólares (96 milhões de dólares), argumentando que Depp a difamou ao chamá-la de mentirosa.

Foto Jason Momoa e Amber Heard em Aquaman 2 DR
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