Alojamento. Estado e faculdades querem aumentar oferta - EntornoInteligente
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O número de estudantes a entrar para as universidades e politécnicos públicos tem vindo a aumentar nos últimos anos. E todos os anos há largos milhares de alunos que em setembro fazem as malas e deixam a casa dos pais para viver em cidades diferentes e frequentar um curso numa universidade ou politécnico. Este ano não foi exceção, com uma subida de 1,2% do número de estudantes face ao ano passado.

Para acomodar estes alunos, sobretudo os que têm dificuldades financeiras, no ano passado, o Governo lançou o Plano Nacional de Alojamento com residências a preços acessíveis, prevendo que até 2030 ficarão disponíveis 30 mil camas em todos o país. Destas, 600 camas ficarão acessíveis este ano letivo, diz em comunicado o Ministério da Ciência, tecnologia e Ensino Superior.

Números que os estudantes dizem que ficam bem longe das necessidades reais, estimando que todos os anos há cerca de 120 mil estudantes deslocados. Nos últimos anos, a falta de alojamento para os alunos deslocados tem sido, aliás, um dos principais problemas levantados pelas associações de estudantes de várias universidades do país, que apontam que há mais de 30 anos que não tem sido feito qualquer reforço ao número de camas disponíveis em residências.

A falta de alojamento é um problema que se sente, sobretudo em Lisboa e no Porto, onde o aumento do valor das rendas se tem vindo a agudizar sendo que é na capital e na Invicta onde estão as instituições de ensino superior mais procuradas pelos alunos. Apesar de se registar um aumento do número de estudantes nas instituições do interior, quase metade dos 44.500 alunos que conseguiram um lugar numa universidade ou politécnico, durante a 1.ª fase do concurso nacional, ficaram colocados em Lisboa e no Porto.

Face à enorme proporção de estudantes a fazer o ensino superior fora do local de residência, tanto o Governo como as instituições de ensino superior têm feito um esforço para criar alojamentos, à partida mais acessíveis do que os particulares.

Além das 600 camas que o Governo disponibilizou para alunos do Ensino Superior este ano, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior prevê que dentro de quatro anos fiquem disponíveis cerca de 12 mil camas em todo o país. As cidades que recebem anualmente mais estudantes, são também as que recebem o maior aumento no número de camas: mais 186 para Lisboa e 261 para o Porto. No total, o Governo disponibiliza 15 965 para os estudantes universitários.

Algumas destas camas estão em residências que vão sofrer obras, sendo que 17 são edifícios públicos que estão devolutos em todo o país. É o caso, por exemplo, do emblemático edifício da 5 de Outubro, em Lisboa, que há largas décadas acolheu os vários ministros da Educação.

Residências universitárias Uma das melhores alternativas para morar quando se estuda longe de casa são as residências universitárias que, por norma, proporcionam preços mais vantajosos e que não servem apenas para alunos bolseiros. Na maior parte dos casos, o único problema destes quartos é que tem de ser partilhado com outros estudantes.

Além do programa lançado pelo Governo, várias autarquias, universidades ou politécnicos têm vindo a tomar a iniciativa acabando por construir de raiz ou por transformar edifícios em residências. Uma das últimas apostas da Universidade de Lisboa fica no Campus da Ajuda onde está a nascer uma residência universitária, já com 186 camas disponíveis. A segunda fase da obra ainda não está acabada. Quando terminar, em Novembro, o espaço fica apto para receber mais 120 estudantes.

Mas a aposta das faculdades não acontece só em Lisboa. Guimarães vai inaugurar uma das maiores residências universitárias privadas do país e prevê que o espaço entre em funcionamento em setembro de 2021. O projeto pretende colmatar a falta de espaço para os alunos da Universidade do Minho e cria estadia para cerca de 600 alunos.

E também Coimbra terá, daqui a dois anos, mais camas para os alunos que decidirem escolher esta cidade para fazer o ensino superior. É que a U-WORLD, que também já chegou a Braga, vai abrir uma residência universitária privada em Coimbra, com a criação de mais de 700 camas.

Atrasos e camas insuficientes Preocupados com a falta de alojamento para estudantes estão os universitários da Universidade do Minho. “De há um ano para cá, o Ministério do Ensino Superior arranjou oito camas no polo de Guimarães e zero no de Braga. Mas encontrou 200 para o Porto e 300 para Lisboa”, acusou recentemente o presidente da Associação Académica da Universidade do Minho, Nuno Reis. O responsável garante que desde 1998 que não é construída nenhuma residência naquela universidade, o que dificulta a vida aos estudantes. “O preço de uma cama subiu de 150 para 250 ou mesmo 300 euros”, lamentou.

Também para a Guarda e Covilhã, o número de camas continua a ser insuficiente. Pelo menos é essa a opinião do presidente do Instituto Politécnico da Guarda, Joaquim Brigas, e que é partilhada pelo vice-reitor da Universidade da Beira Interior, João Canavilhas.

Joaquim Brigas considera que “a procura é muito superior à oferta” e que o número de camas não é suficiente, disse ao O Interior. “São precisas, não só residências universitárias mas casas para aluguer”, defende. À mesma publicação, João Canavilhas a UBI “irá colocar a concurso um terreno, para que seja explorado por privados”, garantiu. “A ideia é criar apartamentos com custos controlados, que possam ser alugados aos alunos”, garantiu.

 

LINK ORIGINAL: iOnline

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