Advogada, ultracatólica e opositora de Morales (e dos indígenas). Quem é a Presidente interina da Bolívia? - EntornoInteligente
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“Sonho com uma Bolívia livre de ritos satânicos indígenas. A cidade não é para os índios. Que saiam daqui para os Andes ou para o chaco.” Estas palavras foram escritas no Twitter pela autoproclamada Presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, a 14 de abril de 2013. Já não podem ser encontradas na sua redação original porque, após a sua sessão de investidura, a agora antiga senadora apagou o tweet depois de este ter circulado nas redes sociais.

Numa outra publicação, também já apagada, Áñez pronunciava-se contra o Ano Novo aimará, etnia que apelidava de “satânica”, justificando que “ninguém substitui Deus”. Este aparente confronto entre Deus e o Diabo voltou a ser sublinhado quando, já investida como Presidente interina, se dirigiu à sede do Executivo na capital boliviana, La Paz, e declarou: “A Bíblia voltou ao palácio.” De resto, foi com o texto sagrado nas mãos que esta terça-feira assumiu o cargo de Evo Morales, numa sessão legislativa sem quórum, uma vez que foi boicotada pelo partido do Presidente demissionário, o Movimento para o Socialismo (MAS).

Nascida em Trinidad, capital do departamento do Beni, a advogada, atualmente com 52 anos, licenciou-se em Ciências Jurídicas e Direito, tendo sido diretora e apresentadora de televisão. É casada com um político colombiano e é habitualmente descrita como ultracatólica e conservadora.

Participou na redação da nova Constituição Áñez pertenceu à Assembleia Constituinte que, entre 2006 e 2008, redigiu a nova Constituição, tendo, em seguida, regressado à televisão para ser depois chamada de volta para a política. No final do ano seguinte, foi eleita senadora pela já dissolvida coligação Plano Progresso para a Bolívia – Convergência Nacional.

No seu primeiro mandato parlamentar, Áñez revelou-se uma forte opositora de Morales. Um dos casos mais emblemáticos foi a sua oposição ao projeto de construção de uma estrada num território indígena. No seu segundo mandato, iniciado em 2015, desenvolveu trabalho legislativo de prevenção do feminicídio e da violência contra as mulheres. É membro do partido de centro-direita Movimento Democrático Social e opôs-se à possibilidade de Morales se candidatar a um quarto mandato.

A segunda mulher a presidir à Bolívia Após o reconhecimento pelo Tribunal Constitucional, tornou-se a segunda mulher a presidir à Bolívia, depois de Lidia Gueiler Tejada, que foi chefe de Estado entre novembro de 1979 e julho de 1980, também interinamente. Segundo o artigo 169 da Constituição, quem deve suceder a um Presidente demissionário é o seu vice-Presidente, seguindo-se-lhe o presidente do Senado e o presidente da Câmara dos Deputados. No entanto, todos estes se demitiram na sequência da renúncia de Morales no domingo.

“Tomarei as medidas necessárias para pacificar o país”, declarou Áñez na sessão de investidura, alegando ser a pessoa que se segue na hierarquia do Estado e prometendo eleições em breve. O MAS classificou a cerimónia como “ilegal” e Morales, já no México, país que lhe concedeu asilo político, escreveu no Twitter: “Consumou-se o golpe mais matreiro e nefasto da história. Uma senadora da direita golpista autoproclama-se presidente do Senado e depois Presidente interina da Bolívia sem quórum legislativo, rodeada por um grupo de cúmplices e apoiada pelas Forças Armadas e pela polícia que reprimem o povo.”

Os EUA, o Brasil, a Colômbia, o Reino Unido e a Rússia já reconheceram Áñez como Presidente da Bolívia. Añez reconheceu, por sua vez, o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, como Presidente, revertendo a posição de Morales. Guaidó autoproclamou-se Presidente interino da Venezuela em janeiro e foi reconhecido como tal por mais de 50 países, incluindo Portugal, que consideram ilegítimo o regime do Presidente eleito, Nicolás Maduro.

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