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A “geringonça” e a caranguejola

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A extrema necessidade de o PSD justificar a (injustificável) aproximação ao Chega tem levado alguns comentadores (de direita, claro) a procurar dizer que não há grande diferença em relação ao que aconteceu em 2015 com o governo PS. Pois bem, isso merece alguma comparação cuidada.

Comecemos pelas amizades internacionais; falam sempre da Coreia do Norte e da Venezuela (que, de facto, são regimes que, de todo, não se recomendam), mas esquecem como a UE se aproximou da Turquia de Erdoğan quando precisou de se livrar dos imigrantes, ou da cobertura que o PPE tem dado a Orban ou a Kaczynski, ou de como os mais variados governos conservadores convivem bem com a Arábia Saudita (que não é melhor do que a Coreia do Norte), ou ainda de como os governos Cavaco mantiveram excelentes relações com o MPLA de José Eduardo dos Santos, como acolhemos Mobuto em Portugal e fazemos vista grossa em relação à entrada de Obiang na CPLP, e como, afinal, todos olhamos para o lado a propósito do que se vai passando na China. De qualquer lado da barricada o número de esqueletos no armário é grande e bastante vergonhoso; aqui, ninguém atire pedras.

Mais populares Vacina da Moderna para a covid-19 tem eficácia de 94,5%, diz a empresa Maioria das bolachas e dos cereais de pequeno-almoço tem açúcar e sal acima do recomendado i-album Arquitectura Um restaurante que é uma homenagem à Costa Nova E quanto ao passado? Fala-se de Estaline para justificar que o que se passou na União Soviética não é muito melhor do que os horrores da Alemanha nazi – o que, em muitos aspetos, é verdade –, mas esquecem-se os apoios dados a sinistros regimes na América do Sul, o convívio fraterno com ditaduras, um pouco por todo o mundo, e às vezes bem sangrentas como na Indonésia de Suharto ou nas Filipinas de Marcos. O rol não acaba.

Para que a comparação seja séria, o que temos de avaliar são as propostas e políticas atuais. E, ao racismo e à xenofobia do Chega, às posições que tem assumido sobre os ciganos , quando propõe a castração química de pedófilos ou a pena de morte e a prisão perpétua, quando manda Joacine para casa (porque “a casa” dos negros é a África), que há de comparável no BE ou no PC? Para alguma direita, eu diria que achará que matar inocentes através do aborto, ou permitir a morte assistida e a eutanásia, será semelhante. Até admito que, para certas maneiras de pensar, o seja; mas a confusão instala-se porque parte do PSD (e Rui Rio) apoiam a legislação sobre o aborto e a eutanásia, e o PC opõe-se a esta última. São, com certeza, temas controversos, mas suscetíveis de serem discutidos no contexto de uma sociedade civilizada, como tem acontecido em praticamente todos os países ocidentais; as ideias do Chega é que ninguém “civilizado”, da esquerda à direita, tolera.

Rio e o PSD deviam, ao menos, olhar para a clareza de Merkel ao recusar apoiar a eleição do governador da Turíngia porque tal tinha recebido o apoio da AfD, ou para o discurso de Casado quando votou contra a moção de censura do Vox: gente da qual discordo mas que, com este tipo de posição, me merece, realmente, respeito Partilhar citação Partilhar no Facebook Partilhar no Twitter Por outro lado, dizer, como dizem alguns, que o PC e o BE são partidos revolucionários, em que é que isso se manifesta nas suas propostas atuais ? Não apoiar a presença de Portugal na Europa? Ou não ser a favor da NATO? Propor maior presença do Estado na economia e mesmo nacionalizações? Isso é matéria de opinião política, eventualmente controversa, mas não vai contra os ganhos civilizacionais que a cultura ocidental levou a cabo no último século. As propostas do Chega, essas sim, põem esses ganhos em causa.

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Subscrever × Rio e o PSD deviam, ao menos, olhar para a clareza de Merkel ao recusar apoiar a eleição do governador da Turíngia porque tal tinha recebido o apoio da AfD, ou para o discurso de Casado quando votou contra a moção de censura do Vox: gente da qual discordo mas que, com este tipo de posição, me merece, realmente, respeito.

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico

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LINK ORIGINAL: Publico

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