Olimpíadas: Evolução de sapatilhas dá esperança de quebra de recorde 'imbatível' nos 100m feminino

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Entornointeligente.com / Shelly-Ann Fraser-Pryce conquistou praticamente tudo que esteve ao seu alcance. Nove vezes campeã mundial, bicampeã olímpica, deu um tempo na carreira após os Jogos do Rio para ser mãe. Deu a luz ao filho Zion, em 2017, e voltou a competir em alto nível novamente. A única coisa que sempre esteve praticamente inalcançável para ela foi o recorde mundial na sua prova favorita, os 100m rasos.

A marca de 10s49, de 1988, é uma das mais antigas do atletismo. A americana Florence Griffith-Joyner pulverizou o recorde anterior em 33 centésimos, uma eternidade se tratando de tempos de velocistas do mais alto nível, e o mundo nunca mais viu nenhuma mulher ser capaz de se aproximar do recorde mundial. Pelo menos até agora.

Neste sábado, às 9h50 (horário de Brasília), a final da prova mais nobre do atletismo reunirá provavelmente a jamaicana e outras sete atletas que conseguiram, ainda nas primeiras provas classificatórias, marcas expressivas. Sete foram abaixo dos 11s. Três — Shelly-Ann, a compatriota Elaine Thompson Herah e a marfinense Marie-Josée Ta Lou — correram abaixo dos 10s84. Questionada sobre se poderia bater o recorde que dura 33 anos, Shelly-Ann mostrou confiança:

— Com certeza. É uma pista super-rápida.

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Recorde sob suspeita Se acontecer, será o fim de uma marca longeva e controversa. O resultado de Florence Griffith-Joyner em 1988 até hoje convive com suspeitas de um doping que nunca foi provado. As desconfianças se baseiam nos 33 centésimos que a americana tirou em relação ao recorde anterior. Trata-se da maior evolução na história dos recordes dos 100m, tanto masculino quanto feminino. Para efeito de comparação, Usain Bolt, que conseguiu quebrar o recorde mundial três vezes, primeiro abaixou o tempo em dois centésimos, em seguida em três, posteriormente em nove.

Flo-Jo foi campeã dos 100m e dos 200m nos Jogos de Seul, em 1988 Foto: Arquivo  

A evolução das marcas de Flo-Jo também reforçava as suspeitas de trapaça. Ela virou recordista aos 28 anos, e antes disso seu desempenho esteve longe de ser tão assombroso. O salto de performance foi abrupto: a melhora no seu tempo pessoal nos 100m foi de 47 centésimos, de 1987 para 1988. Nos 200m, outra prova em que é recordista mundial até hoje, a evolução foi de 62 centésimos. Além disso, o próprio contexto geopolítico reforçava desconfianças.

— O doping, na forma como conhecemos, veio com o avanço das ciências, da indústria farmacêutica, no pós-Segunda Guerra Mundial — explica Marco Bettine, professor da USP, com pós-doutorado em sociologia do Esporte: — E tem sua escalada maior no crescimento da polaridade entre Estados Unidos e União Soviética, entre as décadas de 1960 e 1980.

PUBLICIDADE A aposentadoria precoce de Florence, logo depois dos Jogos de Seul, quando outros atletas questionaram publicamente a lisura dos resultados da americana, incluindo o brasileiro Joaquim Cruz, e a morte aos 38 anos, sufocada após uma crise de epilepsia enquanto dormia, completaram o leque de fatos suspeitos.

Rebeca Andrade é prata no individual geral da ginástica Ginasta brasileira Rebeca Andrade mostra sua medalha de prata conquistada na final do individual geral. Foto: COB Pódio formado com a americana Sunisa Lee (ouro), a brasileira Rebeca Andrade (prata) e a russa Angelina Melnikova (bronze). Foto: COB Rebeca e seu técnico na ginástica. Foto: COB Rebeca na apresentação do solo ao som do funk Baile de Favela. Foto: Jonne Roriz/COB Rebeca Andrade em movimento na barra de equilibrio. Foto: COB Pular PUBLICIDADE Rebeca Andrade na trave de equilíbrio. Foto: COB Rebeca Andrade na trave de equilíbrio. Foto: COB Rebeca Andrade nas barras assimétricas. Foto: COB  

Doping tecnológico Mais de três décadas depois, as atletas dos 100m rasos podem sonhar com a quebra dos recordes de Florence Griffith-Joyner baseadas em outro tipo de ganho de vantagem. A evolução das pistas de atletismo e das sapatilhas proporcionam melhora de desempenho que não está imune às críticas. O jamaicano Usain Bolt, ao acompanhar a primeira edição dos Jogos desde a aposentadoria, reclama da ameaça de possibilidade de seus recordes serem batidos por atletas que competem com equipamentos melhores que os seus.

— Já tentaram mexer nos calçados antes e o corpo diretivo disse: “Não, você não pode mudar”. Então, saber que agora eles estão fazendo isso é ridículo — afirmou Bolt à Reuters.

A tecnologia dos novos calçados já surte efeito nas marcas alcançadas em provas de maior distância em 2021. Nas de velocidade, ainda não foi possível mensurar com certeza. O fato é que Shelly-Ann Fraser-Pryce, aos 34 anos, alcançou nesta temporada sua melhor marca da vida — 10s63. O que ajuda a entender o otimismo da jamaicana em quebrar a marca trintona da americana.

PUBLICIDADE Em jogo, está algo simbolicamente quase tão valioso quanto a medalha em si. Se o lugar mais alto do pódio é uma vitória sobre os adversários de uma prova, o recorde mundial é a soberania sobre todos os outros atletas, do presente e do passado. E diferentemente do título olímpico, que fatalmente será de outro no futuro, no caso do recorde, não há garantia de que ele será quebrado. Por enquanto, essa mística segue sendo de Florence Griffith-Joyner.

— Teoricamente, esse recorde já era para ter caído — afirma o jornalista Marcelo Barreto, autor do livro Almanaque Olímpico: — Mas ela não foi pega. Até o recorde cair, Florence ficará no terreno das lendas olímpicas, apesar das suspeitas.

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LINK ORIGINAL: OGlobo

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