Ômicron faz casos dispararem no Sul da África, mas gravidade ainda permanece baixa

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Entornointeligente.com / Os primeiros indícios de como a recém-descoberta variante Ômicron da Covid-19 se comportará vêm do Sul da África, o marco zero da cepa. Países como África do Sul, Botsuana e Lesoto estão no centro dos holofotes globais, apesar de a disseminação da nova forma do vírus ainda ser muito incipiente e o número de casos, relativamente pequeno para que se tirem maiores conclusões.

Perguntas e respostas : O que já se sabe sobre a variante Ômicron

Até o momento, a proporção de pessoas diagnosticadas com Covid-19 que foram internadas na África do Sul nas últimas duas semanas é similar à de surtos provocados por outras cepas, disse Waasila Jassat, especialista de saúde pública no Instituto Nacional para Doenças Comunicáveis sul-africano, em uma entrevista coletiva. Nenhum país, no continente ou fora, confirmou até o momento mortes causadas pela Ômicron.

Notícias em imagens nesta segunda-feira pelo mundo Manifestantes libaneses bloqueiam uma rodovia durante um protesto na capital Beirute Foto: ANWAR AMRO / AFP Guerrilheiro do Talebã fica de guarda enquanto as mulheres esperam em uma fila durante a distribuição de dinheiro do Programa Mundial de Alimentos em Cabul, Afeganistão Foto: HECTOR RETAMAL / AFP Já se passaram mais de dois meses desde que Cumbre Vieja começou a entrar em erupção, forçando mais de 6.000 pessoas a saírem de suas casas na ilha de La Palma, nas Ilhas Canárias, Espanha Foto: LUISMI ORTIZ / AFP A mais nova república do mundo. A ilha de Barbados abandona a monarquia britânica e deixa de ter como chefe de estado a rainha Elizabeth II para ter Sandra Mason, de 72 anos, como a primeira presidente Foto: TOBY MELVILLE / REUTERS Mãe e filho verificam suas temperaturas enquanto se preparam para embarcar em um ônibus de Singapura de volta à Malásia, após a reabertura da fronteira terrestre entre os dois países após quase dois anos de fechamento devido ao coronavírus Foto: CAROLINE CHIA / REUTERS Pular PUBLICIDADE Homem anda de bicicleta ao longo de uma rua em meio à poluição atmosférica em Nova Delhi, Índia Foto: JEWEL SAMAD / AFP Presta-se mais atenção na África do Sul porque foi lá que se detectou o primeiro caso da doença e é lá que há mais diagnósticos confirmados — é também a nação com melhor infraestrutura da região, tendo assim mais recursos para fazer um controle do quadro epidemiológico e sequenciamento genômico do vírus. Nesta segunda-feira, uma das principais autoridades sanitárias do país disse que o número de novos diagnósticos diários pode triplicar até o fim da semana, ultrapassando 10 mil.

Segundo Salim Abdool Karim, conselheiro-chefe do governo durante a resposta inicial à crise sanitária, em 2020, as vacinas devem ser eficazes na prevenção de casos graves da doença — os laboratórios dizem que levarão cerca de duas semanas para ter dados mais eficazes. A Ômicron apresenta um total de 50 mutações, quase o dobro das vistas na Delta — mais de 30 delas apenas na proteína spike, usada pelo vírus para invadir as células e alvo da maior parte dos imunizantes.

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Evidências preliminares sugerem que a nova variante aumenta o risco de reinfecção, mas o número elevado de mutações não significa necessariamente que a cepa é mais perigosa. Como seu primeiro caso foi confirmado apenas no dia 11, levando-se em conta o ciclo da Covid, é neste momento que seu impacto nas internações começa a ser sentido. 

PUBLICIDADE — Pacientes vacinados tendem a se sair muito melhor. Ainda não vimos um aumento significativo das internações, mas ainda é muito cedo  — afirmou o médico Unben Pillay, também em entrevista coletiva.

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Epicentro entre os jovens A média móvel de 14 dias das pessoas internadas diariamente na província de Gauteng, epicentro da crise sanitária sul-africana — 84% dos novos casos estão concentrados lá — era de 49 na última sexta-feira. Na quinzena anterior, o número havia ficado em 18.

As mortes não crescem na mesma proporção, mantendo-se praticamente estáveis. Hoje, em média 0,53 pessoa por milhão morre diariamente devido à Covid-19 na África do Sul. No Brasil, para fins comparativos, a taxa é de 1,08. Hoje, até mesmo a incidência de casos por lá é inferior: 42 em cada milhão de brasileiros são diagnosticados por dia com o vírus, contra 30 para cada milhão de sul-africanos.

A tendência de crescimento, ainda assim, é precupante: em 11 de novembro, o país registrava em média 300 infecções diárias, contra 3,2 mil vistas no domingo. O epicentro é em Gauteng — mais especificamente, entre pessoas na casa dos 20 e 30 anos. A faixa etária, por si só, é mais um complicante para entender o impacto da Ômicron.

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Com menos comorbidades, os jovens são naturalmente menos vulneráveis a quadros graves da doença. São também os menos vacinados, cobertura ainda mais defasada levando em conta que pouco menos de 25% da população sul-africana está completamente inoculada. 

Jassat,  do Instituto Nacional para Doenças Comunicáveis,  disse que cerca de 87% dos internados na província não estão completamente vacinados, e que há um número significativamente alto de crianças pequenas precisando de hospitalização: entre 14 e 28 de novembro, 62 crianças com menos de 2 anos foram internadas, 20 a mais que entre aqueles na faixa etária dos 30 aos 32 anos. Ele alertou, contudo, que ainda não é possível saber se isso é relacionado à nova forma do vírus. 

Diferentemente de outros países africanos, onde há um problema real com a escassez de doses, a África do Sul encontra problema para driblar a desconfiança popular na vacinação. O presidente Cyril Ramaphosa disse no fim de semana que avalia tornar a inoculação obrigatória para que a população possa usar transportes públicos e ingressar em prédios oficiais, por exemplo, mas até agora nada foi anunciado. O presidente também descartou, neste momento, impor uma quarentena nacional.

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