Josephine Baker entra no Panthéon como símbolo do universalismo francês

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Entornointeligente.com / Não podia deixar de ser um espectáculo, cantado, coreografado e com o seu momento orquestral, a cerimónia que conduziu o caixão de Josephine Baker, 46 anos depois da sua morte, ao Panthéon francês, tornando-se na primeira mulher negra a encontrar o seu lugar no templo republicano, em Paris .

Uma hora depois de ter começado, o cortejo fúnebre chegou às portas do Panteão ao som de J’ai Deux Amours,  uma das canções mais conhecidas de Josephine Baker , símbolo de uma mulher que teve dois países — nasceu em Saint Louis em 1906, nos EUA, e morreu em Paris em 1975 —, e uma biografia extraordinária. Foi bailarina, cantora, actriz, activista dos direitos humanos, espia durante a Segunda Guerra Mundial, uma libertária em relação ao corpo feminino, feminista e um ícone dos loucos anos 20. Como apontava o canal France 24 , que transmitiu a cerimónia em directo, foi essa herança multifacetada, onde cada um pode encontrar o que quer, que permitiu a toda uma nova geração de franceses identificarem-se com a artista e descer à rua para a homenagear.

Com a fachada clássica do Panthéon a ser transformada na boca de cena de uma sala de teatro através de uma projecção vídeo, com as cortinas a abrirem-se e a recordarem que se estreou em Paris no Théâtre des Champs-Elysées, em 1925, mas também que esta é a primeira artista das artes performativas a ter honras fúnebres no mausoléu da República francesa. Minutos depois, o Presidente francês, Emmanuel Macron , que detém o privilégio de escolher quem entra no Panthéon, percorreria detalhadamente a sua biografia, da infância segregada à Marcha sobre Washington de 1963, ao lado de Martin Luther King , da Resistência francesa à medalha dada por De Gaulle, para concluir que ela é um símbolo do “universalismo” francês: “Josephine Baker não defendeu uma cor de pele.”

Nos estúdios da France 24, os convidados comentavam que este era também um discurso para uma França que vai enfrentar eleições presidenciais em Abril, onde o debate sobre a emigração e o racismo é central, mas igualmente para o mundo, uma afirmação dos valores universais da República francesa. Macron afirmou que, ao lado de Luther King em Washington,  “ela foi mais francesa do que nunca”. 

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