Com mercado financeiro nervoso, Nubank reduz em 20% faixa de preço de suas ações na abertura de capital

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Entornointeligente.com / SÃO PAULO — Com o mercado financeiro mais nervoso por conta do surgimento da Ômicron, a nova variante do coronavírus, além de uma onda global de pessimismo com as ações de fintechs, o Nubank reduziu a faixa de preço de suas ações de seu IPO (Initial Public Ofering, abertura de capital, na sigla em inglês) programado para a próxima semana na Bolsa de Nova York. A faixa inicial de preço cotada inicialmente entre US$ 10 e US$ 11, foi reduzida em 20% para entre US$ 8 e US$ 9 nesta terça-feira.

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“Fizemos uma mudança que diminui a expectativa do preço por ação e por BDR, para que eles estejam mais alinhados com as condições atuais do mercado financeiro. O nosso foco é, como sempre foi, no longo prazo. Por isso, buscamos estabelecer uma faixa de preço condizente com o mercado neste momento”, informou o banco no seu blog.

Para José Augusto Albino, sócio-fundador do Catarina Capital, gestora focada em empresas de tecnologia, a redução da faixa de preço anunciada pelo Nubank pode ser atribuída a vários fatores neste momento.

— É um junção de fatores. O mercado financeiro está mais complicado neste momento com o surgimento de uma nova variante do coronavírus, o que gera mais dúvida entre os investidores, que acabam migrando para ativos mais seguros. E temos ainda um momento delicado para empresas de tecnologia, que apresentaram resultados mais fracos no terceiro trimestre, com maior necessidade de financiamento —diz Albino.

Ele lembra ainda de fatores internos do Brasil, como a alta da taxa de juros, o quadro fiscal ruim e o início de um ano eleitoral. Na prática, diz o sócio da Catarina Capital, por ser uma empresa brasileira, esses fatores tornam o Nubank um ativo de maior risco.

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— O Nubank vende uma tese de empresa global, mas atua basicamente na América Latina. Então, os investidores podem não estar comprando essa tese neste momento. Trata-se de uma empresa brasileira, com os problemas macros do país, e é difícil se desvincular desse cenário – observa o especialista. Além de Brasil, o Nubank atua no México e Colômbia e recentemente comprou uma empresa na Índia.

PUBLICIDADE Mas as fintechs também passam por um momento delicado na visão de investidores globais. Neste mês, a fintech indiana de pagamentos digitais Paytm fez uma das maiores estreias da Bolsa da Índia, ao captar US$ 2,5 bilhões, em sua oferta inicial de ações. Alguns dias depois, seus papéis já tinham se desvalorizado 40%.

A brasileira Stone, que negocia suas ações na Bolsa de tecnologia Nasdaq, acumula perdas de cerca de 74% este ano Além de apresentar resultados mais fracos no terceiro trimestre, a Stone errou a mão em operações de crédito e teve que suspender a oferta. A queda das ações da Stone acabou arrastando as ações da PagSeguro, outra fintech brasileira de meios de pagamento, que também é negociada na Nasdaq. Os papéis da PagSeguro estão em baixa de 48% este ano.

Para os analistas, a trajetória de alta dos juros no Brasil prejudica as fintechs de meios de pagamento ao encarecer o custo de sua operação e também da captação de recursos, dada a necessidade de investimentos.

Com a redução de preço das ações, o IPO do Nubank agora deve movimentar US$ 2,8 bilhões se a oferta sair no topo da faixa, frente aos US$ 3,6 bilhões previsros anteriormente. No ponto médio, o Nubank levantaria US$ 2,7 bilhões.

Com as mudanças, o banco digital pode estrear na Bolsa avaliado em US$ 39 bilhões, considerando o ponto médio da faixa de preço. No piso, valeria US$ 36,8 bilhões e se as ações saírem no topo da faixa de preço, o Nubank chegaria a uma vaor de US$ 41 bilhões. Antes, o banco esperava chegar a um valor de mercado de US$ 50 bilhões em seu IPO.

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O Nubank também informou que garantiu investidores âncoras, que indicaram o interesse em comprar pelo menos US$ 1,3 bilhão da oferta. Entre eles estão gigantes como Sequoia, Tiger, Softbank, Dragoneer, Baillie Gifford, Sands Capital, Invesco, e fundos geridos por Morgan Stanley e J.P. Morgan .

Em relação aos BDRs, recibos de ações que serão negociados no Brasil na B3, o banco esclareceu aos clientes que aderiram ao programa NuSocios, ou que estão fazendo reservas dos papéis, que nada mudou.

“Se você fez uma reserva de BDRs para o IPO, isso não muda em nada o valor que você pretende investir – na prática, uma mesma quantia de dinheiro pode dar a possibilidade de comprar mais BDRs, com um preço unitário menor do que inicialmente estimado”, explicou o banco em seu blog.

O BDR do Nubank equivale a um sexto de um ação do banco.

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