Arezzo&Co entra no vestuário feminino com compra da marca Carol Bassi

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Entornointeligente.com / RIO –  Em linha com sua estratégia de entrar no setor de vestuário, depois da aquisição da Reserva e da Baw, a Arezzo&Co anuncia a compra da marca de luxo  de roupas femininas Carol Bassi.  O valor pago é de R$ 180 milhões, o qual será parcelado, e pode chegar a R$ 220 milhões se algumas métricas forem atingidas nos próximos anos.

Segundo a Arezzo&Co, a operação está inserida na estratégia de ampliação de seus negócios no setor de moda e varejo, com diversificação de produtos e expansão de marcas em seu portfólio, “reafirmando seu posicionamento de uma house of brands”.

Rony Meisler, fundador da Reserva e CEO da AR&Co, braço de lifestyle da Arezzo&Co, diz que o grupo planeja cerca de 20 lojas no modelo que Carol Bassi tem hoje em São Paulo, de mil metros quadrados, além de formatos menores, sendo que três ou quatro já seriam abertas no próximo ano.

— Em 2022, devemos abrir umas três ou quatro lojas e vamos desenvolver o segmento de calçados e acessórios da marca Carol Bassi com a estrutura da Arezzo.

Outro plano que faz parte da expansão da companhia, segundo Meisler, é que para o próximo ano a grife de sapatos Schutz vai ganhar uma linha feminina de roupas. O faturamento estimado é de 25% do total da receita da marca nos dois primeiros anos e 50% até 2026. A estratégia inclui e-commerce, lojas próprias e multimarcas.

Também em 2022, a partir de março, a Reserva deve lançar roupas femininas.

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Em junho, a Arezzo&Co comprou a Baw Clothing , de roupas casuais, por R$ 105 milhões. E, em outubro do ano passado, a Reserva, por R$ 715 milhões , sua maior aquisição até então.

A marca de Alexandre Birman, CEO da Arezzo&Co, inclui ainda as grifes de sapatos Schutz, Anacapri e a operação brasileira da Vans.

Em abril, houve a tentativa de outro grande passo para o varejo de roupas que seria a compra da Hering . Mas a empresa catarinense recusou a oferta de R$ 3,2 bilhões e fechou acordo com o Grupo Soma, das marcas Farm e Animale, por R$ 5 bilhões.

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Logo depois da compra da Reserva, a Arezzo&Co também comprou 75% do brechó on-line Troc, marcando a entrada do grupo no segmento de segunda mão, que deve movimentar aproximadamente R$ 31 bilhões até 2029, segundo comunicado do grupo.

Roupas femininas de luxo Carol Bassi foi criada em 2014 pela estilista paulistana Anna Carolina Bassi e é voltada para os públicos A e B. Sua principal loja fica no shopping Cidade Jardim, em São Paulo. Em outubro, abriu uma pop up store no Village Mall, no Rio, e também está presente em 90 pontos multimarcas em 20 estados.

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O lugar onde as peças clássicas e românticas da marca mais fazem sucesso, no entanto, é no digital. São mais de 330 mil seguidores no Instagram e um time robusto de vendas pelo WhatsApp, com 55 grupos para atender cerca de oito mil clientes — de onde vem aproximadamente metade das vendas da marca.

O faturamento mensal das lojas próprias é de R$ 3,5 milhões. E a estimativa da Arezzo&Co é que tenha potencial de entregar receita bruta de R$ 110 milhões e um EBITDA de R$ 32 milhões em 2022.

Entre os planos da Arezzo&Co, está implementar um e-commerce, ampliar o número de lojas Carol Bassi e desenvolver calçados e bolsas com valores a partir de R$ 890 e R$ 2 mil, respectivamente.

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Compra de roupas e conhecimento digital Fernando Gambôa, sócio-líder de Consumo e Varejo da KPMG no Brasil e América do Sul, observa que este tipo de aquisição no mercado varejista vem ganhando força, especialmente após o início da pandemia. A compra de ativos e escala continuam sendo importantes, afirma, entretanto, fortalecer as marcas se torna ainda mais relevante.

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— Nessa ideia de potencialização é muito importante a compra cirúrgica daquilo que completa. Não é só a marca de roupa que é comprada, mas o conhecimento que vem do negócio adquirido.

Ele continua: — Estas compras hoje são muito mais do que escala e carteira. São compras de especialidades que a empresa não dispõe, e de pôr as suas especialidades para potencializar a nova marca adquirida. Existe uma relação de ganha ganha bem relevante.

No caso da Carol Bassi é a potência digital, principalmente nas redes sociais. Rafael Antunes, sócio da Inove Investimentos, avalia que na corrida para criar seu próprio ecossistema, as holdings, como grupo Soma e Arezzo&Co estão de olho também da expertise que estas marcas trazem.

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Para ele, o acordo de hoje é uma estratégia a longo prazo de posicionamento de marca, principalmente tendo em mente que o vestuário, que foi duramente afetado pela pandemia, agora começa a acelerar suas vendas.

— Quando você olha apenas os números, não há um incremento expressivo na compra (da marca). A questão é a criação desse ecossistema com mais marcas, de criar uma sinergia entre e-commerce e mais lojas físicas.

Meisler, da Arezzo&Co, diz que o foco da aquisição é o crescimento da marca Carol Bassi mas reconhece que o conhecimento digital é um diferencial.

— A digitalidade dela é brilhante. Carol realmente construiu uma metodologia em grupos de WhatsApp que é nova. Cada vendedora cuida de três ou quatro grupos e produzem conteúdo. Além da forma como trabalha o digital e a loja feminina, tem a curadoria multimarca dela para construir um marketplace.

LINK ORIGINAL: OGlobo

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