Nomeação de primeiro-ministro de ultraesquerda afasta moderados do governo de Castillo

nomeacao_de_primeiro_ministro_de_ultraesquerda_afasta_moderados_do_governo_de_castillo.jpg

Entornointeligente.com / LIMA — A escolha do deputado Guido Bellido para o cargo de presidente do Conselho de Ministros , que no Peru tem uma função semelhante à de um primeiro-ministro, afastou os moderados do futuro Gabinete do novo presidente Pedro Castillo, anunciado com atraso na madrugada desta sexta-feira. Uma das maiores ausências foi a do economista de centro-esquerda Pedro Francke, professor da Universidade Católica do Peru, que assessorou Castillo no segundo turno da campanha e vinha tentando acalmar os mercados. A pasta do titular da Justiça também está vaga. 

Em uma sessão que atrasou duas horas e meia, e começou depois da meia-noite, Castillo nomeou 16 dos 18 ministros. Entre eles, destacam-se Héctor Béjar, advogado e doutor em Sociologia, de 85 anos, um ex-guerrilheiro, que não é filiado a nenhum partido e será o novo chanceler; e o ex-promotor do crime organizado Juan Carrasco, que assume como ministro do Interior.

Entenda : Sem consenso sobre nomes, Castillo adia posse de ministros e analistas veem possíveis riscos

A escolha de Bellido, no entanto, teria afastado nomes como o de Francke, e setores de centro e esquerda que apoiaram publicamente Castillo no segundo turno. Durante a campanha, Francke, dado como quase certo para o Ministério da Economia, se reuniu com empresários e outros agentes econômicos para explicar as intenções de um futuro governo Castillo, a seu pedido, e tentar acalmar os ânimos do mercado.

Mas, na manhã desta quinta-feira, quando se soube que o primeiro-ministro seria Bellido — que já havia criticado seu nome para a pasta — o economista revelou que não havia sequer sido convidado para o Ministério e que, diante da polêmica nomeação, já considerava que não fazia sentido ingressar no Executivo. Segundo fontes do Peru Livre, durante toda tarde, vários assessores teriam tentado convencê-lo, sem sucesso.

Contexto : Castillo faz discurso conciliador no Peru, mas governará sob pressão da esquerda e da direita

Vladimir Cerrón, polêmico presidente da legenda que levou Castillo à Presidência, também já havia se mostrado contrário à nomeação de Francke:  “Francke repete com frequência que precisa de funcionários de alto nível, isso cheira a um Chicago Boy [em referência à Escola de Chicago, defensora do livre mercado]. Eles fracassaram por décadas. Necessitamos confiar em nós mesmos”, escreveu no Twitter, no último domingo.

PUBLICIDADE Enquanto tentava lidar com as críticas, Castillo conseguiu recrutar o restante dos ministros, alguns profissionais experientes em setores-chave, como Juan Carrasco, advogado que assume como ministro do Interior. Ex-promotor, ele enfrentou gangues em Lambayeque, a região mais afetada por extorsões e crimes no Peru. O médico Hernando Cevallos, recrutado para preparar as propostas de combate à pandemia durante a campanha, por sua vez, assumirá o cargo de ministro da Saúde.

Contexto : Castillo assume no Peru e promete mudar economia ‘com responsabilidade, mas colocando na frente os interesses da nação’

A vice-presidente será Dina Boluarte, também do Peru Livre, embora mais próxima de Castillo do que de Cerrón. Ela assumirá o Ministério de Desenvolvimento e Inclusão Social, que nos últimos meses organizou a entrega de ajuda à população que caiu na pobreza por causa da pandemia. Ela é uma das duas únicas mulheres nomeadas até agora. A outra é Anahí Durand Guevara, nomeada como ministra da Mulher e Populações Vulneráveis, socióloga de 43 anos, e pesquisadora em diversos projetos relacionados a movimentos sociais, povos indígenas, interculturalidade e gênero.

Ao longo do dia, algumas figuras-chave que haviam apoiado Castillo expressaram publicamente seu desacordo com a escolha do presidente do Conselho de Ministros, como Julio Arbizu e Ronald Gamarra, dois renomados juristas que defenderam Castillo das acusações de fraude eleitoral lançada por Keiko Fujimori, que acabou em segundo lugar e tentava reverter os resultados.

Possível vitória de Pedro Castillo gera comoção popular no Peru; veja fotos Pedro Castillo, do Peru Livre, discursa para apoiadores da sacada da sede do partido, na capital Lima, antecipando a vitória que ainda não foi confirmada Foto: GIAN MASKO / AFP Multidão se aglomera para saudar Pedro Castillo, na sede do partido, em Lima Foto: ALESSANDRO CINQUE / REUTERS Apoiadores do candidato presidencial de esquerda peruano pelo partido Peru Libre, Pedro Castillo, marcham em Tacabamba, região de Cajamarca, nordeste do Peru Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP Pedro Castillo comemora na sacada da sede do partido em Lima a liderança na apuração dos votos Foto: LUKA GONZALES / AFP Apoiadores do candidato à presidência do Peru, Pedro Castillo, carregam uma bandeira peruana enorme na rua no dia seguinte ao segundo turno, em Lima, Peru Foto: SEBASTIAN CASTANEDA / REUTERS Pular PUBLICIDADE Apoiadorea de Pedro Castillo carrega lápis, símbolo da campanha do candidato que é professor e de origem rural Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP Apoiadores do candidato presidencial de esquerda peruano pelo partido Peru Libre, Pedro Castillo Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP Apoiadores do candidato presidencial de esquerda peruano pelo partido Peru Libre, Pedro Castillo, marcham em Tacabamba Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP Se eleito, Castillo promete rever o modelo econômico peruano, que gerou crescimento nos anos anteriores à pandemia, mas criou uma sociedade muito desigual Foto: STRINGER / REUTERS Apoiadores de Castillo marcham com bandeira gigante do Peru, na capital Lima Foto: STRINGER / REUTERS PUBLICIDADE “Primeiro erro grave do governo, nomear um primeiro-ministro que, em vez de afirmar alianças e consensos alcançados, os assusta. Isso além das declarações homofóbicas que acabei de ler e que são inaceitáveis. Espero que a direção tomada seja reconsiderada”, escreveu Arbizu no Twitter.

Concordamos em discordar:   A vitória de Pedro Castillo no Peru é uma vitória da esquerda?

A oposição também reagiu. Para o parlamentar de extrema direita Alejandro Cavero, a nomeação de Bellido “é uma mensagem que polariza”.

Bellido, investigado pelo Ministério Público este ano por suposta “apologia ao terrorismo”, ainda deve comparecer ao Congresso — onde a oposição tem maioria — para pedir um voto de confiança. Se seu nome for rejeitado, Castillo terá que nomear outro primeiro-ministro e reorganizar o gabinete. Seu partido, o Peru Livre, tem apenas 37 das 130 cadeiras. A segunda bancada é a Força Popular, de Keiko, com 24 assentos.

O novo presidente tem ainda o desafio de reativar uma economia duramente atingida pela pandemia, que despencou 11,12% em 2020, além de acabar com as convulsões políticas que levaram o país a ter três presidentes desde novembro de 2020.

O Globo, um jornal nacional:   Fique por dentro da evolução do jornal mais lido do Brasil

LINK ORIGINAL: OGlobo

Entornointeligente.com

Smart Reputation

Boxeo Plus
Boxeo Plus

Smart Reputation

Más en EntornoInteligente.com