Nelson Sargento, lenda do samba, morre aos 96 anos, vítima de Covid

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Entornointeligente.com / Morreu, aos 96 anos, às 10h45 desta quinta-feira (27) o cantor e compositor Nelson Sargento. Baluarte da Mangueira, o sambista estava internado desde o dia 21 de maio no Inca (Instituto Nacional de Câncer) após testar positivo para Covid-19.

Nelson Sargento em imagens O sambista e artista plástico Nelson Sargento posa, ao completar 80 anos, abraçado com um de suas obras Foto: Leonardo Aversa / Agência O Globo – 16/07/2004 SC – 25.01.2012 – Nelson Sargento, compositor – Foto : Leonardo Aversa/ Agencia Globo Foto: Leonardo Aversa : Leo Aversa / Agência O Globo – 25/01/2012 Cada vez mais cultuado, Nelson Sargento iniciava temporada de shows no Café Laranjeiras, 1994 Foto: Fernando Quevedo / Agência O Globo – 01/02/1994 Nelson Sargento, 1985 Foto: José Leomar / Agência O Globo – 08/05/1985 Documentário sobre a Mangueira, escola de samba. Na imagem, Xangô, Padeirinho, Zagaia, Nelson Sargento e Babau Foto: Arquivo Pular PUBLICIDADE Nelson Sargento posa diante de um quadro Foto: Leonardo Aversa : Leo Aversa / Agência O Globo Nelson Sargento abraça o primeiro violão que guardava de recordação Foto: Thiago Freitas / Agência O Globo – 28/03/2012 Nelson Sargento recebe o carinho de Isabelita dos Patins, em celebração dos 75 anos da Mangueira, na Sala Cecília Meirelles, na Lapa Foto: Cristina Granato / Agência O Globo – 29/04/2003 Mestre Monarco e Nelson Sargento posam para entrevista especial na Cidade do Samba para o jornal O GLOBO Foto: Urbano Erbiste / Agência O Globo – 02/09/2016 Nelson Sargento Foto: Leo Martins / Agência O Globo – 15/02/2015 Pular PUBLICIDADE Quarentenado no apartamento onde mora em Copacabana, Nelson Sargento se ocupou na quarentena pintando quadros Foto: Ana Branco / Agência O Globo Reprodução de quadro de Nelson Sargento Foto: Leonardo Aversa : Leo Aversa / Agência O Globo – Reprodução de quadro de Nelson Sargento Foto: Leonardo Aversa / Agência O Globo – 25/01/2007 Nelson Sargento conversa com Luiz Inácio Lula da Silva e Sergio Cabral, então presidente do Brasil e governador do Rio Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo – 29/11/2007 Estreia do Feijoada com Arte, na Lapa. Madrinha do projeto, Zezé Motta foi prestigiar o sambista Nelson Sargento, que deu um show emocionante. Ao fundo, alguns quadros pintados por Nelson Foto: Leonardo Pessanha / Agência O Globo – 28/05/2007 Pular PUBLICIDADE Nelson Sargento comemora os 70 anos da amiga Beth Carvalho Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo – 05/05/2016 Nelson Sargento é eleito o cidadão do Samba. Homenagem do jornal Extra ao compositor Foto: Marcio Alves / Marcio Alves Clube do Samba. Diogo Nogueira comanda a roda de samba com o convidado Nelson Sargento Foto: Armando Paiva / AGIF – 09/04/2017 Dona Ivone Lara e Nelson Sargento, dois imortais do samba carioca Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo – 18/02/2014 Nelson Sargento desfila na Mangueira, em 2013 Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 11/02/2013 Pular PUBLICIDADE Nelson Sargento e Paulinho da Viola Foto: Leonardo Aversa : Leo Aversa / Agência O Globo – 29/01/2013 Nelson Sargento lançou canal no Youtube aos 93 anos Foto: Gustavo Cunha / Agência O Globo – 18/02/2018 Alcione Marrome Nelson Sargento Foto: Paulo Nicolella / Agência O Globo – 05/04/2018 Sargento foi vacinado contra Covid no dia 31 de janeiro, em uma cerimônia no Palácio da Cidade , na qual o prefeito Eduardo Paes deu início à campanha de vacinação para a terceira idade no Rio. Ao lado dele, estavam outros quatro idosos, entre eles o ator Orlando Drummond , de 101 anos. Mesmo tendo recebido as duas doses do imunizante, Nelson Sargento foi infectado. Ele deixa a mulher, Evonete Belizario Mattos, e os seis filhos biológicos (Fernando, José Geraldo, Marcos, Léo, Ricardo e Ronaldo), além de Rosemere, Rosemar e Rosana, que adotou.

Nelson Sargento: história viva do samba Nelson (quarto, da esquerda para direita), com Xangô, Padeirinho, Zagaia e Babau Foto: Divulgação Trio de bambas: Nelson Sargento, Guilherme de Brito e Monarco em 2000 Foto: Divulgação Com Beth Carvalho, João Nogueira, Elza Soares, Noca da Portela e Zé Kéti, em 1997 Foto: Leo Aversa Com Chico Buarque, no carro da Velha Guarda em 1998, ano em que o o cantor e compositor foi enredo da escola Foto: Gabriel de Paiva Ao lado de Walter Alfaiate (1930 — 2010) , em 1999 Foto: Guilherme Pinto Pular PUBLICIDADE Com Maria Bethânia em 2015: no ano seguinte, a baiana seria tema do enredo campeão da Mangueira Foto: Lívea Mattos Com a portelense Tia Surica Foto: Bárbara Lopes / Agência O Globo Covid-19: Entenda por que vacinados também podem adoecer

O garoto que aprendeu a tocar violão com Nelson Cavaquinho e que desde cedo compunha com seu padrasto, o letrista Alfredo Português, tinha um encontro com o destino. Logo se tornaria um dos baluartes da Mangueira, autor de alguns dos sambas-enredos mais importantes da história da escola, da qual virou presidente de honra. Em quase um século de vivências, Nelson Sargento não apenas testemunhou como participou diretamente das diferentes mutações do samba. Um gênero em eterna agonia, que ele e seus parceiros sempre socorreram “antes do suspiro derradeiro”, como diz uma de suas músicas mais conhecidas, “Agoniza mas não morre”.

Nelson Sargento em imagens O sambista e artista plástico Nelson Sargento posa, ao completar 80 anos, abraçado com um de suas obras Foto: Leonardo Aversa / Agência O Globo – 16/07/2004 SC – 25.01.2012 – Nelson Sargento, compositor – Foto : Leonardo Aversa/ Agencia Globo Foto: Leonardo Aversa : Leo Aversa / Agência O Globo – 25/01/2012 Cada vez mais cultuado, Nelson Sargento iniciava temporada de shows no Café Laranjeiras, 1994 Foto: Fernando Quevedo / Agência O Globo – 01/02/1994 Nelson Sargento, 1985 Foto: José Leomar / Agência O Globo – 08/05/1985 Documentário sobre a Mangueira, escola de samba. Na imagem, Xangô, Padeirinho, Zagaia, Nelson Sargento e Babau Foto: Arquivo Pular PUBLICIDADE Nelson Sargento posa diante de um quadro Foto: Leonardo Aversa : Leo Aversa / Agência O Globo Nelson Sargento abraça o primeiro violão que guardava de recordação Foto: Thiago Freitas / Agência O Globo – 28/03/2012 Nelson Sargento recebe o carinho de Isabelita dos Patins, em celebração dos 75 anos da Mangueira, na Sala Cecília Meirelles, na Lapa Foto: Cristina Granato / Agência O Globo – 29/04/2003 Mestre Monarco e Nelson Sargento posam para entrevista especial na Cidade do Samba para o jornal O GLOBO Foto: Urbano Erbiste / Agência O Globo – 02/09/2016 Nelson Sargento Foto: Leo Martins / Agência O Globo – 15/02/2015 Pular PUBLICIDADE Quarentenado no apartamento onde mora em Copacabana, Nelson Sargento se ocupou na quarentena pintando quadros Foto: Ana Branco / Agência O Globo Reprodução de quadro de Nelson Sargento Foto: Leonardo Aversa : Leo Aversa / Agência O Globo – Reprodução de quadro de Nelson Sargento Foto: Leonardo Aversa / Agência O Globo – 25/01/2007 Nelson Sargento conversa com Luiz Inácio Lula da Silva e Sergio Cabral, então presidente do Brasil e governador do Rio Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo – 29/11/2007 Estreia do Feijoada com Arte, na Lapa. Madrinha do projeto, Zezé Motta foi prestigiar o sambista Nelson Sargento, que deu um show emocionante. Ao fundo, alguns quadros pintados por Nelson Foto: Leonardo Pessanha / Agência O Globo – 28/05/2007 Pular PUBLICIDADE Nelson Sargento comemora os 70 anos da amiga Beth Carvalho Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo – 05/05/2016 Nelson Sargento é eleito o cidadão do Samba. Homenagem do jornal Extra ao compositor Foto: Marcio Alves / Marcio Alves Clube do Samba. Diogo Nogueira comanda a roda de samba com o convidado Nelson Sargento Foto: Armando Paiva / AGIF – 09/04/2017 Dona Ivone Lara e Nelson Sargento, dois imortais do samba carioca Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo – 18/02/2014 Nelson Sargento desfila na Mangueira, em 2013 Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo – 11/02/2013 Pular PUBLICIDADE Nelson Sargento e Paulinho da Viola Foto: Leonardo Aversa : Leo Aversa / Agência O Globo – 29/01/2013 Nelson Sargento lançou canal no Youtube aos 93 anos Foto: Gustavo Cunha / Agência O Globo – 18/02/2018 Alcione Marrome Nelson Sargento Foto: Paulo Nicolella / Agência O Globo – 05/04/2018  

Nascido Nelson Mattos em 25 de julho de 1924, ele tomou contato com o universo do samba ainda na infância, quando se mudou com a mãe e os 17 irmãos para o morro do Salgueiro, na Tijuca. Aos 10 anos, já desfilava e tocava tamborim na escola Azul e Branco (que em 1953 iria se fundir com a Depois Eu Digo e resultar na Acadêmicos do Salgueiro). Mas na Mangueira, para onde se mudou aos 12 anos, ele iria construir a sua história. Após perder o marido, sua mãe foi morar com o pintor de paredes lisboeta Alfredo Lourenço, o Português, compositor de fados convertido em sambista.

PUBLICIDADE Antes de estourar na música, porém, o artista fez um pouco de tudo: pintou paredes, trabalhou em uma fábrica de vidros e, na década de 1940, serviu no Exército. Foi lá que ganhou o apelido Sargento, adotado profissionalmente mais tarde. Depois do Exército, emendou uma série de sucessos compondo com o seu padrasto. Juntos, venceram o concurso de samba-enredo da Mangueira em 1949, com “Apologia ao mestre”, e 1950, com “Plano SALTE”, conquistando os campeonatos para a escola nos respectivos carnavais.

O sucesso no carnaval consolidou a reputação de Nelson, que se juntou a outros ícones mangueirenses, como Cartola, Carlos Cachaça e Darcy da Mangueira. Tanto que, em 1958, tornou-se presidente da ala dos compositores. Na década de 1960 integrou formações seminais na história do samba, como A Voz do Morro (com Zé Kéti, José da Cruz, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho e Anescarzinho do Salgueiro) e Os Cinco Crioulos (com Mauro Duarte e de novo Elton, Jair, Paulinho e Anescarzinho). Com eles, participou do histórico show “Rosa de Ouro”, produzido por Hermínio Bello de Carvalho em1965, no Teatro Jovem, em Botafogo.

Nelson foi autor de mais de 400 composições — muitas delas compostas no mesmo violão, que o acompanhou por mais de 50 anos. O instrumento foi comprado às pressas, de segunda mão, para que pudesse integrar o show “Rosas de Ouro”.

PUBLICIDADE — O Elton (Medeiros) foi na Mangueira e deixou um recado para eu ir ao Teatro Jovem, para um trabalho — recordou ele, em uma entrevista de 2019 . — Como eu era pintor de paredes na época, achei que seria para pintar o teatro. Só quando cheguei lá soube que precisavam de mais um compositor de samba para o grupo do espetáculo. Não tinha violão, e comprei este aí, como está agora. Continuei pintando as minhas paredes, mas dali em diante comecei a me profissionalizar.

Lançado em 1979, seu primeiro álbum solo, “Sonho de um sambista”, inclui clássicos como “Agoniza mas não morre”. Gravado por inúmeros intérpretes, e tratado como uma espécie de hino por Beth Carvalho, é uma exaltação à resiliência do samba. Nelson costumava dizer que fazer música era essencialmente “contar histórias”. E canções como “Falso amor sincero”, também presente em seu álbum de estreia, são exemplo da inteligência e humor com que “narrava” essas histórias. A música tem um dos versos mais famosos do artista: “O nosso amor é tão bonito/ Ela finge que me ama/ E eu finjo que acredito”.

Nos últimos anos, a longa vivência de Nelson transformou-o numa espécie de museu vivo da cultura, fonte de consulta permanente para pesquisas e produção de livros e filmes. Ele testemunhou a transformação das escolas em gigantes comerciais, e viu o samba ganhar as gravadoras e as paradas de sucesso.

PUBLICIDADE Nelson também explorou outras facetas, como a de artista plástico. Ao pintar o apartamento do jornalista e compositor Sérgio Cabral, foi estimulado a expor sete quadros de sua fase abstrata, em 1973. Em 2019, teve 14 obras expostas no Espaço Favela do festival Rock in Rio. Em outro papel, o de ator, trabalhou em longas como “O primeiro dia”, de Walter Salles e Daniela Thomas, e “Orfeu”, de Cacá Diegues. E, como escritor, lançou em 1994 o livro de poemas “Prisioneiro do mundo”.

Mesmo após os 90 anos, continuou fazendo shows — em um dos mais recentes, “Nelson Sargento com vida”, de 2017, contou com participações de Monarco, Criolo, Diogo Nogueira, Sandra de Sá e Alcione. Em 2019, desfilou como Zumbi dos Palmares no enredo “Histórias para ninar gente grande” , que deu o último título do carnaval à Estação Primeira de Mangueira.

— Enquanto os meninos que moram dentro da minha cabeça estiverem na ativa, continuarei fazendo algumas coisas — disse ele sobre sua vitalidade, em uma entrevista de 2018 .

Ele foi internado no Inca (Instituto Nacional de Câncer) por causa de seu histórico — em 2005 ele tratou um câncer de próstata.

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LINK ORIGINAL: OGlobo

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