China detalha plano para atingir pico de emissões até 2030 e neutralizá-las até 2060

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Entornointeligente.com / PEQUIM — A China anunciou nesta terça-feira como planeja atingir seu pico de emissões de carbono antes do fim desta década, com ações para reduzir o desperdício e reformar sua malha energética para torná-la mais sustentável. O anúncio, que tem diretrizes pouco específicas e não apresenta novas metas, vem a cinco dias do início da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas , a COP-26.

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O plano traça ações e prazos para setores como a indústria, transportes, construção civil e energia. O objetivo é cumprir a promessa feita pelo presidente Xi Jinping no ano passado de neutralizar suas emissões de gases causadores do efeito estufa até 2060 — uma década depois do que os especialistas consideram necessário para evitar um cataclisma.

O gigante asiático é hoje o maior poluente do planeta, responsável sozinho por cerca de um quarto das emissões globais, e pleiteia um protagonismo ainda maior na diplomacia ambiental. A ausência de Xi na COP-26, que começa no domingo em Glasgow, na Escócia, no entanto, é vista como um sinal negativo para a cúpula, considerada imperativa para fazer frente à crise climática. 

Notícias em imagens nesta terça-feira pelo mundo Criança vestindo fantasia da série 'Round 6' da Netflix posa para fotos em frente a uma boneca gigante chamada 'Younghee', em exibição em um parque em Seul, Coreia do Sul Foto: KIM HONG-JI / REUTERS Sudanês protesta contra um golpe militar que derrubou a transição para o regime civil, no distrito de al-Shajara, no sul de Cartum Foto: – / AFP Policiais montados são vistos durante protesto do partido esquerdista Peru Libre, exigindo que o presidente Pedro Castillo feche o Congresso unicameral, no centro de Lima Foto: GIAN MASKO / AFP Migrante em uma caravana para os EUA carrega criança nos ombros sob a chuva em direção à Cidade do México para solicitar asilo e status de refugiado em Huixtla, Estado de Chiapas, México Foto: ISAAC GUZMAN / AFP Pessoas participam de uma passeata para protestar contra o casamento entre a princesa Mako do Japão e Kei Komuro, em Tóquio Foto: KAZUHIRO NOGI / AFP Pular PUBLICIDADE Mulheres protestam em Cabul conclamando a comunidade internacional por apoio aos afegãos, que vivem sob o domínio do Talibã Foto: JAMES EDGAR / AFP Profissional de saúde coleta uma amostra para testagem de coronavírus em uma plataforma ferroviária, em Mumbai, Índia Foto: PUNIT PARANJPE / AFP O plano de ação remete a promessa de elevar a capacidade de produção eólica e solar a 1,2 mil gigawatts até o fim desta década. De momento, contudo o país aumenta sua produção de energia termoelétrica e a exploração de carvão para driblar a crise energética e garantir o abastecimento durante os meses de inverno.

O documento traça que todas as decisões futuras que dizem respeito ao planejamento econômico e políticas industriais sejam compatíveis com as metas de redução das emissões. O objetivo é aumentar a participação de energia limpa para 80% até 2060, bem mais que os 15,9% vistos em 2020. No ano passado,  o carvão correspondeu a 56,8% da malha energética chinesa.

Além dos 80%, a diretriz também reitera objetivos prévios de aumentar o consumo de combustíveis não fósseis para cerca de 20% em 2025 e 25% em 2030. Isto, contudo, pode não ser muito fácil: nos últimos cinco anos, o crescimento médio anual foi de apenas 0,58%, segundo um estudo da seguradora Ping An citado pela revista Caixin.

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Novas hidrelétricas e viagens ‘verdes’ Até 2030, 40% de todos os veículos produzidos anualmente serão movidos por novas fontes de energia, e 70% das viagens interurbanas entre cidades com mais de 1 milhão de habitantes serão sustentáveis, promete o governo.

O documento também prevê a construção de novas hidrelétricas nos rios Yangtze, Mekong e Amarelo e o desenvolvimento de uma nova geração de tecnologia nuclear, incluindo reatores offshore de pequena escala. Além disso, a capacidade de refino de petróleo chinesa terá um teto de 1 bilhão de toneladas por ano a partir de 2025.  Hoje, o país refina em média 900 milhões de toneladas anuais.

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O país também almeja controlar “razoavelmente” o consumo de petróleo e gás “ajustando gradualmente o consumo de gasolina” com o uso de biocombustíveis e combustíveis sintéticos menos poluentes para aviões. Analistas creem que o consumo de diesel no país já atingiu seu pico, e a demanda por gasolina deve atingi-lo entre 2025 e 2028.

Como um dos substitutos, o governo chinês promove o gás natural, que também é um combustível fóssil emissor de gás carbono. O país hoje investe cerca de US$ 131 bilhões em novas infraestruturas para o gás natural, segundo um levantamento divulgado pela think tank Global Energy Monitor nesta terça.

PUBLICIDADE Pequim também planeja que setores com grande dependência energética, como a indústria do aço, tornem-se mais eficientes e aumentem suas taxas de reciclagem e seu uso de novas tecnologias para reduzir gradualmente as emissões. Na semana passada, o governo havia anunciado que ao menos 30% da capacidade de produção nesses setores seriam mais eficientes até 2025, mas não está claro como.

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Cobrança internacional O país também promete tomar medidas para encorajar investimentos privados em indústrias limpas, e haverá a criação de um fundo nacional para a transição verde. Preve-se também expandir o escopo do mercado de carbono local e a implementação de novos padrões para prédios e cidades verdes até 2025: metade das novas fábricas e edifícios públicos serão cobertos por painéis solares, por exemplo.

Tratam-se, contudo, de pontos vagos para um país que é pressionado para adotar compromissos mais contundentes. A China ainda não revisou suas metas de redução de emissões estabelecidas no Acordo de Paris, de 2015, mas a expectativa é que isso ocorra ainda antes da COP-26.

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PUBLICIDADE Esses objetivos são estabelecidas por propostas voluntárias chamadas NDCs (contribuições nacionalmente determinadas). Para analistas, é essencial que os maiores poluidores sejam mais incisivos em suas políticas para neutralizar a emissão de CO 2 até 2050 e manter o aumento da temperatura global a 1,5 o C acima dos níveis pré-industriais (1850-1900), patamar considerado máximo para evitar uma catástrofe irreverstível.

A pressão mais recente sobre Pequim veio da União Europeia, cujo representante climático,  Frans Timmermans, terá um encontro com o enviado ambiental chinês, Xie Zhenhua, na quarta em Londres. Segundo o europeu, trata-se de uma tentativa de entender melhor como os chineses chegarão a Glasgow no fim de semana: 

— Eles dizem que querem ser mais ambiciosos — afirmou à Bloomberg TV. — Espero ter uma ideia clara de quando eles pretendem atingir o pico de emissões. ( Com agências internacionais )

LINK ORIGINAL: OGlobo

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