Juros em alta e perdas na Bolsa abalam a confiança de novos investidores

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Entornointeligente.com / SÃO PAULO E RIO – Na mesma semana em que o Banco Central elevou a Selic, a taxa básica de juros da economia, para 6,25% ao ano , o maior patamar em dois anos, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), cravou sua pior pontuação de 2021. Na segunda-feira, dia 20, fechou aos 108 mil pontos — bem distante do patamar de 120 mil pontos perdido em agosto —, com as notícias de que o conglomerado chinês Evergrande, que atua principalmente no ramo imobiliário, poderia dar um calote com repercussões globais.

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Ver as ações despencando faz parte da experiência dos veteranos do mercado, mas é especialmente difícil para quem acabou de chegar e passa nos últimos dias por sua primeira prova de fogo. Entre 2018 e 2019, o número de pessoas físicas na Bolsa brasileira dobrou, alcançando 1,4 milhão, mas esse crescimento se intensificou ainda mais em 2020 e em 2021, mesmo após o baque inicial da pandemia.

Com a Selic no menor patamar histórico — começou este ano em inéditos 2% — muita gente migrou das aplicações de renda fixa, como poupança e títulos públicos, para as ações em busca de retornos mais altos para seus investimentos, ainda que isso embutisse mais risco.

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O primeiro semestre deste ano terminou com 3,2 milhões de CPFs cadastrados na Bolsa. Agora, esses novatos enfrentam a primeira tempestade perfeita: abalos internos e externos provocam perdas na Bolsa, enquanto os juros sobem e restituem a atratividade das aplicações em renda fixa.

— Nunca tinha me exposto a esse tipo de risco, então não tinha como não me assustar — conta o enfermeiro e professor Maurício Peixoto, de 36 anos, que migrou da poupança para a Bolsa em março.

Apesar da apreensão, ele mantém os papéis, de olho no longo prazo. Mas analistas esperam que muitos retornem à renda fixa com juros mais altos e incertezas no ar.

Nervosismo nas mesas Na semana passada, nas mesas de operações de corretoras, investidores aflitos buscaram ajuda dos profissionais para entender por que a Bolsa caiu tanto, pulverizando momentaneamente parte do patrimônio em ações. A Rico, do grupo XP, fez uma força-tarefa para enviar aos clientes um relatório com orientações, conta a analista Paula Zogbi:

PUBLICIDADE — A vantagem dessa crise em relação às anteriores é que muita gente entrou na Bolsa no começo da pandemia já pensando em comprar nas baixas. O que não era esperado é a inflação tão alta por tanto tempo, fazendo a Selic subir.

Fotos: Integrantes do MTST ocupam a Bolsa de Valores, em São Paulo, em protesto contra desemprego e inflação Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) na B3, em protesto contra a inflação e o desemprego Foto: AMANDA PEROBELLI / REUTERS Membros de movimentos sociais ocuparam nesta quinta-feira a sede da Bolsa de Valores brasileira, a B3, em São Paulo, para protestar contra o desemprego, a inflação e a fome Foto: Reprodução / Twitter Manifestante usando máscara ergue o punho durante protesto dentro do prédio da Bolsa, em São Paulo Foto: Reprodução / Twitter Manifestante segura cartaz contra a gestão da economia do presidente Bolsonaro Foto: Reprodução / Twitter Os ativistas escolheram o local por sintetizar a desigualdade no país Foto: Reprodução / Twitter Pular PUBLICIDADE Manifestantes se reúnem em frente ao prédio da Bolsa, no centro de São Paulo Foto: Reprodução / Twitter Liderados pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), os integrantes ocuparam o térreo do prédio, no centro da capital paulista Foto: Reprodução / Twitter  

Luiz Fernando Araújo, presidente da gestora de investimentos Finacap, diz que é preciso mostrar ao investidor que não deve mudar sua posição de forma reativa:

— A tendência natural do ser humano é agir por reflexo e sair do risco nesses momentos de notícias mais preocupantes. Mas nosso trabalho é justamente acalmar o cliente e lembrar que é preciso seguir o planejamento financeiro de longo prazo.

O professor da educação infantil Guilherme de Oliveira, de 30 anos, aprendeu a administrar a ansiedade. Ele começou a comprar ações em fevereiro de 2019 e, durante a pandemia, teve as emoções testadas várias vezes pelo sobe e desce da Bolsa. Hoje, depois de ter recuperado perdas, diz ter desenvolvido uma estratégia para não se deixar abalar:

— Para quem é mais ansioso, o ideal é esquecer um pouco da ação, olhar no máximo uma vez na semana para não sofrer.

LINK ORIGINAL: OGlobo

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