Internacionalizar a economia precisa de uma PPP

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Entornointeligente.com / Portugal é uma economia aberta e integrada no vasto mercado europeu, onde o movimento das pessoas, dos bens, dos capitais e dos serviços, dentro de um conjunto de regras comuns e com um mínimo de barreiras, se faz livremente das margens do Atlântico às fronteiras da Rússia. Portugal integra-se igualmente no mercado global que, sem prejuízo para as recentes dificuldades provocadas pela crise financeira de 2008, pelas desconfianças populistas de 2014 e pela pandemia de 2020, tem permitido historicamente atingirmos um nível de crescimento económico e de desenvolvimento social mundial significativo, nomeadamente em continentes e países que estavam afastados das áreas mais desenvolvidas do planeta, contribuindo para retirar milhões de pessoas da pobreza. E, numa economia devidamente regulada e competitiva, os consumidores – cada um de nós – têm acesso a melhores bens e serviços a menores preços.

Acresce que, numa economia de mercado regulada, o setor privado tem um papel fundamental no crescimento económico e no desenvolvimento social, gerando a riqueza que paga os salários que permitem às famílias mandarem as suas filhas e os seus filhos para a escola, terem um teto sobre as suas cabeças e comida à mesa. E pagando igualmente os impostos que permitem aos Estados financiarem as políticas públicas necessárias para o nosso bem-estar coletivo.

Para que as nossas empresas possam participar no mercado aberto e possam gerar a riqueza que paga salários e impostos, são obrigadas a ser inovadoras, modernas e competitivas ou a prazo desaparecem. Para tanto, devem integrar redes de conhecimento e inovação com as universidades e centros de saber e, dada a dimensão do nosso mercado nacional, considerarem o mercado externo e as parcerias internacionais.

A internacionalização da nossa economia e a criação das melhores condições para que as empresas portuguesas ganhem novos mercados e novos clientes e que Portugal possa atrair novos investimentos estruturantes requer também o papel do Estado, nomeadamente no estabelecimento das leis, na criação de um melhor ambiente de negócios e na promoção da nossa imagem externa.

De facto, mesmo que as nossas empresas sejam – como muitas são – exemplos de boa gestão e modernidade, quando os consumidores e investidores na Europa e no mundo não associam Portugal a um país onde há inovação, qualidade e conhecimento, a internacionalização da nossa economia será muito mais difícil e as nossas empresas terão de fazer o dobro do esforço para atingirem metade dos resultados. Para tanto, Portugal dispõe de um conjunto de instrumentos públicos, nomeadamente a AICEP, o Turismo de Portugal, a rede das nossas embaixadas e consulados, os instrumentos de financiamento e garantias para a exportação e, no universo mais restrito do papel do setor privado na cooperação para o desenvolvimento, o Instituto Camões e a SOFID.

Estes mecanismos e instrumentos, bem conjugados e coordenados com o setor privado, permitem que as empresas tenham melhores condições de acesso aos mercados externos e encontrem clientes e investidores que sabem o que é Portugal, sem terem de ultrapassar ideias feitas e antigas sobre o nosso país. Uma PPP virtuosa que permite o crescimento económico e o desenvolvimento social.

Investigador associado do CIEP / Universidade Católica Portuguesa

LINK ORIGINAL: Diario Noticias

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