Crise some e segue. Governo e Bloco cada vez mais distantes

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Entornointeligente.com / Bloco de Esquerda e PCP têm amanhã reuniões internas fundamentais – respetivamente da Mesa Nacional e do Comité Central – na definição do sentido de voto dos dois partidos face à votação parlamentar na generalidade da proposta de lei do Orçamento do Estado para o próximo ano (OE2022) , votação essa marcada para a próxima quarta-feira. As conclusões da reunião bloquista serão anunciadas amanhã; já as da reunião do PCP só na segunda-feira.

Os sinais disponíveis apontam para um agravamento da tensão à medida que a hora decisiva se aproxima. Ontem foi notório esse agravamento na relação entre o BE e o Governo. Os bloquistas, recorde-se, fizeram chegaram ao Governo um documento com nove ideias que querem ver no OE2022.

Cerca das 14.00, o partido colocou no seu site Esquerda.net uma notícia dizendo que o Governo tinha recusado todas as propostas. Três horas e meia depois, o Governo fazia saber, através de um “documento de trabalho” interno revelado à Lusa, que em relação a sete das propostas havia “avanços negociais”.

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Subscrever As duas em relação às quais não admitia esses tais avanços prendiam-se, ainda segundo o referido documento, com a reposição na lei dos 25 dias de férias e a revogação do fator de sustentabilidade e recálculo das pensões. “Dos nove pontos, vários ainda estão sem resposta, outros têm respostas manifestamente insuficientes. O balanço disto, não há forma de o ver como positivo”, afirmou à Lusa o líder parlamentar bloquista Pedro Filipe Soares. Acrescentando que da parte do Governo o que se assiste é a “falta de empenho” para se “aproximar das posições” do BE.

A pandemia como vacina O facto de o Governo falar em “avanços negociais” e o Bloco recusar perentoriamente eles terem existido dava a exata medida de que até que ponto a corda está esticada entre as duas partes.

Percebendo que a situação se está a complicar, podendo mesmo o país estar a caminhar a passos largos para eleições antecipadas, o Presidente da República lançou um novo argumento em defesa da aprovação do OE2022: a pandemia como vacina de uma crise política.

Falando em Londres, à margem de uma visita a uma exposição de Paula Rego no Tate Britain, Marcelo sublinhou que a pandemia covid vai dando sinais de se estar de novo a agravar. Sendo portanto agora mais do que nunca necessário somar a esse problema o de uma crise política (que resultaria da demissão do Governo na sequência do chumbo orçamental). “Vejo que a pandemia está em muitos casos, aqui mesmo [no Reino Unido], a voltar, vejo que a situação se está a agravar, vejo que os preços da energia estão a subir. Vejo, portanto, muitos problemas no horizonte”, afirmou. “Uma crise política que só juntaria mais um problema aos problemas que temos. Desejava e desejo, esperava e espero que seja possível ter um Orçamento.”

O Governo, entretanto, já começou a ensaiar face à esquerda o discurso do “nós ou o caos”. Ou, por outras palavras, “ou nós ou o PSD”. Quem o fez foi, no Parlamento, o ministro das Finanças.

“A alternativa que se oferece ao país e à população é um orçamento apresentado pelo PSD. Já vimos no ano passado qual era a visão, na hora da verdade, do PSD: cortes, congelamento do salário mínimo”, disse João Leão, ao apresentar o OE2022 na comissão parlamentar de Finanças.

O recado dificilmente podia ter sido mais explicito: quem não está com o Governo é porque está com a direita: “Pensamos que faz sentido que os partidos que não se reveem na visão da direita sobre como é que deve ser um bom orçamento para a economia e para as famílias, se devem procurar entender e procurar soluções e alternativas, num esforço de convergência entre as diferentes preocupações.”

Ontem quem se manteve em silêncio foi o PCP – sinal de que está a negociar com o Governo. No ano passado foram os comunistas quem salvaram Costa, abstendo-se. O BE e todos os partidos à direita do PS votaram contra.

LINK ORIGINAL: Diario Noticias

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