Câmara da Guarda contratou agência de comunicação que faz a campanha eleitoral do seu presidente

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Entornointeligente.com / A direcção da campanha eleitoral do candidato do PSD e actual presidente da Câmara da Guarda, Carlos Chaves Monteiro , contratou em Junho a empresa Valor de Fundo (VF) para assegurar os serviços de comunicação do candidato, designadamente as relações com os jornalistas. Um mês depois, em 23 de Julho, o presidente da autarquia, o mesmo Chaves Monteiro, assinou um contrato de seis meses com a mesma VF para que esta lhe preste serviços, entre outros, de “consultadoria estratégica de comunicação à presidência da Câmara”.

Por via destes dois contratos, o primeiro com o valor de 8 mil euros e a duração de quatro meses, e o segundo por ajuste directo e com o custo de 19.800 euros (mais IVA), a empresa está a ser paga ao mesmo tempo pelo município e pela candidatura do PSD, liderada pelo presidente da Câmara. De acordo com Chaves Monteiro, em resposta ao PÚBLICO, as tarefas contratadas pela autarquia à  VF consistem concretamente no “apoio à preparação da comunicação institucional do município e às suas relações com a comunicação social” e ainda, juntamente com o seu Gabinete de Comunicação, “na definição, redacção e adaptação de conteúdos de divulgação das actividades” da autarquia. Alem disso, acrescenta, a empresa “apoia directamente o presidente da Câmara na preparação da sua comunicação pública e presta serviços de  media training  a outros responsáveis da Câmara sempre que é necessário”.

O PÚBLICO pediu a Chaves Monteiro documentos que evidenciem serviços já prestados ao município no âmbito do contrato de 23 de Julho. “Atento o elevado número de conteúdos produzidos e o curtíssimo lapso temporal que nos oferece para resposta, é-nos impossível remeter tudo quanto solicitado”, respondeu o autarca. “É um trabalho de consultadoria estratégica e de assessoria de imprensa semelhante ao que fazemos com outros clientes, acerca do qual tenho os naturais deveres de sigilo”, informou por sua vez Luís Miguel Viana, o dono da VF, depois de solicitado a explicar “quais os concretos serviços” prestados pela empresa ao abrigo daquele contrato.

Em Outubro do ano passado, o município já tinha firmado um outro ajuste directo com a mesma empresa, com iguais características e valor, que cessou nos primeiros dias de Abril. Trata-se, contudo, de dois contratos distintos e não consecutivos, sem que no segundo haja qualquer referência ao primeiro.

No caso do contrato com a campanha eleitoral de Chaves Monteiro, o prestador de serviços é também a VF, explicou o director de campanha, Hugo Fernandes. O serviços são, no entanto, prestados pela Longo Alcance  (LA) – uma outra empresa de comunicação detida em 95% pelo dono da VF -, conforme se verifica nos comunicados de imprensa emitidos pela campanha. As duas empresas têm sede no mesmo escritório, em Lisboa. O PÚBLICO pediu à VF uma explicação para o facto de esta empresa não aparecer publicamente na campanha do autarca. “Um dos quadros da VF deixou a empresa este Verão e subcontratámos a LA”, respondeu o dono de ambas.

Quanto à contratação da VF pela autarquia, Chaves Monteiro justifica-a com o facto de o Gabinete de Comunicação do município ter “demasiadas atribuições para um quadro de pessoal que tem necessidade de abrir novas vagas, o que só será possível no próximo mandato”.

Fontes da oposição camarária garantem todavia que a equipa interna de que o município dispõe na área da comunicação e imagem é composta por dois gestores de redes sociais, duas produtoras de conteúdos, dois  designers  e quatro fotógrafos/operadores de imagem, além do pessoal afecto ao gabinete de relações públicas. O autarca desmentiu esta informação, afirmando que “a equipa afecta à comunicação” é constituída por duas produtoras de conteúdos “que também promovem a gestão de redes sociais”, dois  designers  e dois fotógrafos/operadores de imagem. Chaves Monteiro acrescentou que os fotógrafos e os  designers  “não estão em permanência” ao serviço do Gabinete de Comunicação.

À VF foi ainda perguntado se via objecções de natureza política ou ética no facto de prestar serviços simultaneamente ao município e à campanha do seu presidente . “Não vejo onde poderá estar o problema ético, uma vez que o contrato com a Câmara iniciado em Outubro de 2020 não teve qualquer incremento patrimonial na sua renovação em Julho. A prestação de serviços à campanha do PSD é uma tarefa autónoma, de uma natureza completamente diferente, e facturada enquanto tal a outra entidade”, argumentou Luís Miguel Viana. Este ex-jornalista fez parte da direcção do PÚBLICO entre 2000 e 2002 e foi director de informação da agência Lusa entre 2006 e 2011.

LINK ORIGINAL: Publico

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