O que nos espera para lá do horizonte? A Magnum responde em imagens

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Entornointeligente.com / É no horizonte, o lugar indefinido onde “o finito toca o infinito”, que enfoca a colecção de 111 fotografias que a Magnum Photos , a cooperativa fotográfica mais antiga do mundo, e a fundação Aperture partilham com o mundo sob o pretexto do evento online Magnum Square Print , intitulado On The Horizon , a decorrer até 24 de Outubro.

A selecção de imagens, que inclui obra de fotógrafos como Alex Majoli, Thomas Dworzak , Steve McCurry ou Martin Parr , “explora os limites da prática fotográfica, estica os limites do que conhecemos e vemos e abraça o desconhecido”, descreve a Magnum ao P3, através de comunicado. Cada imagem é acompanhada de uma nota do autor sobre o seu significado, o que permite um vislumbre sobre o seu mundo interior. Onde termina o horizonte de cada um?

Abuelo-Estrella, um idoso de Cerro de la Garza. Guerrero, México. 31 de Dezembro, 2020. “Através de um caminho de montanha estreito, sinuoso, perigoso, as comunidades indígenas Na Savi, na cidade Guerrero, no México, todos os dias 31 de Dezembro fazem um ritual que comemora o final e o começo de um novo ciclo de vida. Procissões, danças, sacrifícios animais e outras práticas espirituais indígenas de gratidão à terra são realizadas para garantir boas colheitas e rios fartos, e para proteger contra a seca e as ondas de calor. Os rituais têm como objectivo fechar o passado e abrir caminho a novos horizontes.” – Yael Martinez YAEL MARTINEZ/MAGNUM PHOTOS Membro da tribo Rabari. Rajastão, Índia. 2010. “Os Rabari, uma tribo nómada que vive acompanhada de camelos e gado, percorrem o norte da Índia há séculos. À medida que os pastos desaparecem, o seu modo de vida continua a mudar. Agora apenas uma pequena percentagem de Rabaris continua nómada. A sua arte, muito particular, os seus têxteis e joalharias, combinam-se para formar uma identidade estética muito própria.” – Steve McCurry STEVE MCCURRY/MAGNUM PHOTOS Cesis, Letónia. 2004. “Giorgio Agamben disse: “A verdade é errante e sem ela um homem não consegue viver. Se um homem se afastar da verdade, ele estará a afastar-se igualmente da inverdade.” — Alex Majoli ALEX MAJOLI/MAGNUM PHOTOS Pessoas desempregadas procuram emprego na estação de comboios. Seine Maritime Department, Rouen, França. 1945. “Em Novembro de 1945, Werner Bischof viajou de carro por França e Países Baixos destruídos pela guerra. No dia 14 de Dezembro desse ano, ele escreveu no seu diário: “Estes homens estão desempregados. Há um barco a chegar ou não? Essa é a questão fulcral que determina a próxima oportunidade de emprego. Canais entupidos, pontes bombardeadas – as infra-estruturas da circulação europeia estão em ruínas.” – Património de Werner Bischof WERNER BISCHOF/MAGNUM PHOTOS Em patrulha com militares da Geórgia. Cabul, Afeganistão, Dezembro de 2009. “Por muito anos, enquanto cobria as guerras do Iraque e do Afeganistão, ficava preso dentro de veículos blindados com alguma frequência, observando o mundo hostil através de vidro à prova de bala, como se estivesse num aquário. Mesmo falando a mesma língua, não conseguiria perceber qualquer conversa que se passasse no exterior. Não aprendi muito sobre os países onde estive. Mais sobre os soldados que acompanhei.” – Thomas Dworzak THOMAS DWORZAK/MAGNUM PHOTOS Depósitos de minerais. Lago Natron, Tanzânia, 1999. “Estou a voar sobre o Grande Vale do Rifte, na Tanzãnia. O lago Natron e os seus bancos de minerais estão muito abaixo, onde estarão, embora invisíveis para mim, também muitos flamingos. No horizonte, Ol Doinyo Lengai, o vulcão, ou a Montanha de Deus, como os Maasai lhe chamam, enquadram esta paisagem sublime. – Stuart Franklin STUART FRANKLIN/MAGNUM PHOTOS Homem a tocar zoukra num casamento. Fernana Oumm El-Bechna, Jendouba, Tunísia. 8 de Agosto de 2020. “Um habitante de Fernana contou-me esta história: ‘Quando era jovem trabalhava em construções por todo o país. Quando as minhas costas começaram a doer-me, fui a um médico. Ele disse-me que precisava de cirurgia. Quando eu acordei da anestesia, não sentia as minhas pernas. Agora, a minha mulher e a minha filha têm de trabalhar para colocar comida na mesa. Trabalham 13 horas por dia nos campos.'” – Zied Ben Romdhane ZIED BEN ROMDHANE/MAGNUM PHOTOS Baía de Somme, Fort Mahon, França. 1991. “Sempre fui fascinado pelas zonas costeiras. Ao longo dos anos tirei uma enorme quantidade de fotografias, em muitos países diferente, de praias, de encostas, arribas e frentes marítimas. Sinto uma atracção física por lugares onde a água e a terra se encontram. É o fim de um mundo, o começo de outro; uma fronteira natural, uma nova fronteira. Para mim, são lugares simbólicos, cheios de promessa e possibilidades, que me dão uma sensação de esperança e liberdade. Esta fotografia foi tirada em Fort Mahon, no norte de França, numa região de que sempre gostei e que me recorda da costa belga antes de ter sido estragada pela construção excessiva.” – Harry Gruyaert HARRY GRUYAERT/MAGNUM PHOTOS The Cross, cidade de Nova Iorque. 1966. “A fotografia ‘The Cross’, de Ernst Haas, simboliza mais do que a sua jornada pela América, onde sonhava ir desde criança. Quando Haas se tornou um fotógrafo, ele sabia que ia encontrar novas ideias através da realização de imagens. A cidade de Nova Iorque e este edifício em particular mudaram a forma como olhava e fotografava. A Fotografia tornou-se num acto feliz para ele, numa nova forma de olhar o horizonte. Tendo sobrevivido à Segunda Guerra Mundial em Viena, Nova Iorque era para ele – e para muitos emigrantes – um novo começo, um lugar onde se podia reinventar. Os edifícios, as suas formas e estruturas eram diferentes de tudo o que tinha visto até então. Ele dizia sempre que Nova Iorque e a sua arquitectura o forçavam a olhar para cima, com admiração, para um novo horizonte diariamente. Nova Iorque tornou-se a sua casa.” — Victoria Haas, Património de Ernst Haas ERNST HAAS/MAGNUM PHOTOS Bulgunnyakhtakh, Yakutia, Rússia. 2021. “O princípio de uma noite longa. Libélulas, em busca de mosquitos, circundam bombeiros voluntários. Os homens enchem um tanque de água num lago antes de seguir para o coração do incêndio florestal. ‘No âmago de cada começo vive a magia, a magia protege-nos e ajuda-nos a viver.’- Stufen, Hermann Hesse, 1941” NANNA HEITMANN/MAGNUM PHOTOS Do dia e da noite. 2021. “Foi um dia inesquecível em Los Angeles na companhia da Dolly Parton. Há muito que a admiro pelos seus múltiplos talentos e espírito generoso. Nunca irei esquecer o conselho que me deu nesse dia. Iria casar-me dentro de poucos dias e estava ansiosa. Perguntei-lhe qual era o segredo para um relacionamento de longa duração bem sucedido, uma vez que ela está casada há décadas e ela respondeu ‘Viajem muito – e não juntos.'” GILLIAN LAUB/APERTURE Médico da aldeia, 1948. “Após a Segunda Guerra Mundial, a revista LIFE atribuíu ao fotógrafo W. Eugene Smith a tarefa de cobrir uma história de um médico da América rural. Enviaram-no para uma pequena aldeia, Kremmling, Colorado. No foco: o Dr Ernest Ceriani. Inicialmente, Smith limitou-se a observar o médico e a ganhar a confiança dos habitantes da aldeia. Ele escreveu: ‘Eu passei quatro semanas a viver com ele. Fiz poucas imagens, no início. Fundi-me com o papel de parede e esperei.’ A história que captou foi publicada em 11 páginas da revista, a 20 de Setembro de 1948. A LIFE sumariza: ‘Country Doctor tornou-se num clássico assim que foi publicada, estabelecendo Smith como mestre da jovem arte do ensaio fotográfico e tornando mais sólida a sua posição como um dos mais apaixonados e influentes fotojornalistas do século XX.” W. EUGENE SMITH/MAGNUM PHOTOS Aldeia perto de Jaisalmer, Rajastão, Índia. 1994 “Quando se tenta ir para além do horizonte, existe tendência para esquecer o que está em primeiro plano – a experiência imediata do primeiro plano e a sua relação com o horizonte é igualmente importante. A paisagem desértica tende a ser muito estática, mas a natureza e o tempo costumam criar experiências imprevisíveis. Aqui o camelo imquieto, que se move da esquerda para a direita, deu à escolha várias várias formas e estuturas. É sempre o desconhecido a revelar-se num determinado momento de exploração: este completa a sensação de estar lá.” – Raghu Rai RAGHU RAI/MAGNUM PHOTOS Mennonites. La Batea, Zacatecas, México. 1994. “Tirei esta fotografia na colónia Batea Mennonite, em Zacatecas, México, em 1994. Peter Wiebe, a sua esposa Susanna e alguns dos seus catorze filhos sentaram-se à mesa, na cozinha, num domingo de manhã. Comeram amendoins. A colónia, que ficava numa zona de deserto, era pequena e muito pobre. Aquele ano foi novamente seco e havia pouca esperança no horizonte – a única saída talvez fosse emigrar. Muitas das crianças acabaram por fazê-lo para lugares como a Bolívia, onde havia chuva, culturas e terra barata.” LARRY TOWELL/MAGNUM PHOTOS Um Mujahid do of the Islamic party, Hezbi-Islami, guards the road to the capital. Near Kabul, Afghanistan. 1992. “Graciela (Iturbide) enviou-me um bloco de notas feito de papel de amate: nas suas páginas, ela tinha copiado, meticulosamente, a lenda de Farid-al-Din Attar em tinta negra: Simurgh, o Rei dos Pássaros, deixou cair uma pena esplêndida no centro da China. Os pássaros que decidiram ir procurá-la viveram aventuras incríveis, atravessaram sete vales e sete mares, defrontaram mil perigos. Muitos morreram, alguns desertaram. Só trinta pássaros regressaram à montanha do rei. Olharam para a pena durante muito tempo e perceberam que eles mesmo eram Simurgh, que Simurgh estava em cada um de todos eles. Há vários meses que penso no meu próximo projecto: o ressurgimento do Islão no mundo.” – Abbas, nas suas notas publicadas em “Return to Mexico” A. ABBAS/MAGNUM PHOTOS Mulher atravessa uma ponte de corda que está 24 metros acima do chão. Carrick-a-Rede, Antrim, Irlanda do Norte. 2004 “Esta frágil ponte de corda que liga duas ilhas na Irlanda do Norte era demasiado estreita para que passassem várias pessoas, então eu esperei numa ponta enquanto a ponte baloiçava com o grande vendaval que se abatia sobre ela e a jovem mulher.” Ian Berry IAN BERRY/MAGNUM PHOTOS Um jovem descansa num barco que desliza sobre as águas do rio Ogoué, no Gabão, em 1984. “Este rio corre no interior da floresta do Gabão. A floresta cobre 80% do país. O Gabão é o maior produtor do mundo de madeira Okoumé; as árvores crescem até 40 metros de altura. Representam grande parte da riqueza do país. Este jovem sabe disso. Olhando o horizonte, ele espera o melhor para o seu país, cuja situação se tem alterado desde os anos 80. Grandes ivestidores de Singapura estão presentes no país e controlam a exploração do território. Esperamos que os herdeiros das florestas respeitem a harmonia da natureza e não conduzam o mundo a uma desflorestação em massa.” – Caroline Barbey, fotografia é propriedade de Bruno Barbey CAROLINE BARBEY/MAGNUM PHOTOS
LINK ORIGINAL: Publico

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