110 Histórias, 110 Objectos: os modelos de redes cristalinas

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Entornointeligente.com / No podcast 110 Histórias, 110 Objectos , um dos parceiros da Rede PÚBLICO , percorremos os 110 anos de história do Instituto Superior Técnico (IST) através dos seus objectos do passado, do presente e do futuro. Neste 17.º episódio do podcast, exploramos os modelos de redes cristalinas do Técnico.

À entrada da Torre do Sul, no campus da Alameda do IST, não passam despercebidos dois modelos de redes cristalinas, misturados com outros objectos do universo da química expostos em vitrinas e nas paredes. Os modelos, que “permitem uma leitura química das interacções entre moléculas e átomos no cristal”, como nos explica Clementina Teixeira, professora aposentada do IST, representam duas células unitárias para o sulfato de cobre e uma célula e meia unitária para o ferro e cianeto de potássio. Materializam-se em pequenas bolas coloridas unidas por segmentos metálicos, dispostas em rede. “Uma rede cristalina é algo que se baseia numa rede espacial, que é um conceito matemático, e que explica como é que se distribuem os átomos, as moléculas ou os iões num cristal”, esclarece Clementina Teixeira.

Foto Débora Rodrigues Estas representações ajudam a perceber “a estrutura, os ângulos entre as ligações, como são feitas as ligações entre os constituintes para cada substância, os planos reticulares… Tudo isso dá informação química sobre as estruturas das substâncias e a maneira mais correcta de as colher, que é num estado sólido quando formam um cristal”, complementa. 

“Há muitos modelos, estes são especiais porque são rigorosos”, defende ainda Clementina Teixeira. “A rede cristalina é infinita, mas estamos a tentar reduzir o infinito ao nosso objecto de estudo que é o modelo com a célula unitária”.

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Os modelos de redes cristalinas, numa ampliação de várias substâncias à escala de 100 milhões, são também conhecidos como modelos miniatura Beevers, em homenagem ao seu criador Arnold Beevers (1908-2001), que criou uma empresa em Edimburgo que passou a comercializá-los. Os modelos que estão no IST foram adquiridos em 1998, em Budapeste e vieram de alguma forma revolucionar a pedagogia em torno dos modelos de cristais. “A alternativa a estes modelos eram outros feitos com esferas transparentes, compactas de outras cores. O que acontece é que fazíamos esses modelos às vezes em bolas de ping pong . Os modelos [que existiam na altura] eram tão requisitados nas cadeiras de química geral, onde dávamos as estruturas do estado sólido, que andava toda a gente a usá-los”, recorda. 

“Os modelos [de redes cristalinas do IST] são quase históricos porque foram comprados numa altura em que Beevers ainda era vivo. Ele achou um encanto todo esse percurso de utilização dos modelos e de fotografar crianças a interagir com eles e ofereceu-se para reparar gratuitamente os modelos que estavam danificados”, conta. 

Neta de um ourives – “cresci no meio de pedras preciosas” -, Clementina Teixeira recorda outro momento simbólico da divulgação dos cristais: o Crystals on the Rocks , projecto criado em 1991, num período em que o vulcão Etna entrou em erupção. O projecto foi integrado nas aulas em 1993, venceu um Prémio da Secretaria de Estado da Juventude em 1995 e deu origem a um kit para professores. Em 2019, Clementina Teixeira foi também uma das mulheres homenageadas pela Ciência Viva. Actualmente mantém-se ligada a projectos informais de divulgação da química: “Sou fascinada por tudo, neste momento estou a trabalhar em botânica. Quero continuar a produzir trabalho e também a colocar no Técnico um projecto onde não haja limites entre as várias áreas do saber. O que eu quero deixar ao Técnico são ideias, fundamentalmente”.

O podcast 110 Histórias, 110 Objectos é um dos parceiros da Rede PÚBLICO. É um programa do Instituto Superior Técnico com realização de Marco António (366 ideias) e colaboração da equipa do IST composta por Filipa Soares, Sílvio Mendes, Débora Rodrigues, Patrícia Guerreiro, Leandro Contreras, Pedro Garvão Pereira e Joana Lobo Antunes.

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