Morreu a poeta Ana Luísa Amaral

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A poeta Ana Luísa Amaral morreu durante a noite desta sexta-feira, vítima de doença prolongada, revelou a Universidade do Porto, onde era investigadora e professora aposentada da Faculdade de Letras. Tinha 66 anos.

Nascida em 1956, em Lisboa, mas tendo vivido a maior parte da sua vida em Leça da Palmeira, Matosinhos, Ana Luísa Amaral publicou o seu primeiro livro, Minha Senhora de Quê , em 1990. Uma nova edição da sua obra poética reunida, que inclui 17 títulos, foi publicada este ano pela Assírio & Alvim, do grupo Porto Editora, com o título O Olhar Diagonal das Coisas .

É uma das mais celebradas poetas portuguesas, com edições dos seus livros em chancelas tão prestigiadas como a americana New Directions ou a alemã Carl Hanser Verlag. Mas a sua bibliografia inclui também um romance, ensaios, livros para crianças, e ainda traduções de poetas como Shakespeare ou Emily Dickinson.

Ditou os primeiros versos aos cinco anos, aos 12 não ia para férias sem o saco dos poemas, aos 14 dactilografou-os todos numa Singer que ainda conserva. Como dizia uma entrevista em 2021 ao PÚBLICO , Ana Luísa Amaral assumia a sua dimensão excessiva, mas em poesia troca de bom grado a transgressão, que rompe com a tradição, pela arte mais subtil da subversão, que a mina por dentro.

Sobre a poesia, dizia nessa entrevista: «Isto não é a minha carreira, que essa foi na Universidade, é aquilo que eu faço porque tenho mesmo de fazer: poesia.»

No comunicado da Universidade do Porto, o reitor da instituição recorda Ana Luísa Amaral como «uma autora extraordinária, uma académica distinta e uma cidadã empenhada». «A sua obra literária irá certamente garantir que o nome de Ana Luísa Amaral perdurará para todo o sempre, mas quem teve o privilégio de a conhecer de perto terá a memória de uma pessoa generosa e uma activista dedicada às causas da igualdade e da solidariedade social», reforçou António de Sousa Pereira.

Ao longo da carreira, recebeu várias distinções nacionais e internacionais, nomeadamente o Prémio Literário Casino da Póvoa (2007), o Prémio de Poesia Giuseppe Acerbi (2007), o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (2008), o Prémio Rómulo de Carvalho/António Gedeão (2012), o Premio Internazionale Fondazione Roma: Ritratti di Poesia (2018), o Prémio de Ensaio Jacinto do Prado Coelho (2018), o Prémio Literário Guerra Junqueiro (2020), o Prémio Vergílio Ferreira (2020), o Prémio Reina Sofia de Poesia Ibero-Americana (2021), ou o Prémio Literário Francisco de Sá de Miranda (2021).

Professora aposentada da Faculdade de Letras do Porto e investigadora do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, é ainda um nome central dos estudos feministas portugueses, co-autora do Dicionário de Crítica Feminista e responsável pela edição anotada das Novas Cartas Portuguesas .

O corpo de Ana Luísa Amaral estará em câmara ardente a partir das 17h deste sábado, na Capela do Corpo Santo, em Leça da Palmeira. O funeral realiza-se no domingo, às 11h15, no Tanatório de Matosinhos.

Ana Luísa Amaral é a autora celebrada na edição deste ano da Feira do Livro do Porto, que irá decorrer de 26 de Agosto a 11 de Setembro.

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