2019 pode ser o ano negro da polícia francesa. Sindicatos preocupados com vaga de suicídios - EntornoInteligente
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Oito polícias franceses, entre eles três das brigadas especiais antimotim e um comandante, cometeram suicídio nos últimos meses, elevando para 64 os registos deste ano na polícia do país, anunciaram as autoridades.

As mortes por suicídio na polícia francesa — que atingiram profissionais de as idades e de todas as zonas do país — levaram os sindicatos a exigir mais apoio para parar um problema de saúde pública que se está a agravar. Um inquérito parlamentar tornado público, em julho, apresenta duas grandes causas para explicar a situação de stress e quase desespero que atinge alguns elementos da polícia francesa:

excesso de trabalho que se agravou depois dos ataques terroristas de 2015 Violentos protestos antigovernamentais iniciados em novembro de 2018, pelo movimento ‘coletes amarelos’

Protestos do movimento ‘coletes amarelos’ começaram a 17 de novembro de 2018 e repetiram-se em toda a França durante meses. Causaram violentos confrontos, destruição e bens patrimoniais

THOMAS SAMSON/AFP/Getty Images

2019 é um ano de grande risco “A continuar a situação atual, 2019 deverá ser o pior dos últimos 30 anos”, avaliou Denis Jacob, dirigente sindical da União Alternativa da Polícia.

Um relatório do senado divulgado no ano passado, indicava que a taxa de suicídio na polícia francesa era 36% mais elevada do que a da população em geral, mas não apontava razões especiais para esta diferença.

“Nós não sabemos as razões”, declarou o ministro do Interior, Christophe Castaner, em abril, quando anunciou um novo plano de prevenção para o suicídio na polícia, sublinhando o insucesso das autoridades na tentativa de resolver este problema de saúde pública.

Por seu turno, o diretor nacional da polícia, Eric Morvan, enviou cartas a todos os agentes, encorajando-os a tomar consciência do que sentem, e a falar “sem terem medo de serem julgados”, sustentando que “falar sobre o desespero não é um sinal de fraqueza”.

Um relatório de especialistas divulgado recentemente aponta o trauma psicológico resultante das situações violentas como um fator de risco para o suicídio, que pode ser aumentado por outras razões, e levar a uma crise e ao suicídio, nomeadamente a hipervigilância constante em caso de potenciais ataques terroristas.

Os especialistas dizem, no entanto, que ao longo dos ataques terroristas, a atuação da polícia elevou a sua imagem perante o público, mas os posteriores protestos dos coletes amarelos deitaram por terra a aura de heróis, quando a raiva dos manifestantes se voltou contra os agentes.

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