Cinco anos do golpe que deu mais poder a Erdogan

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Entornointeligente.com / O golpe que há cinco anos procurou derrubar Recep Tayyip Erdogan serviu apenas para reforçar o poder do presidente turco, que aproveitou para fazer uma purga em vários setores da sociedade, dos militares aos professores, médicos ou juízes, de tal forma que há quem defenda que tudo não passou de uma encenação. Apesar de as próximas eleições gerais estarem marcadas apenas para 2023, Erdogan já está a preparar-se para a luta, com a oposição ainda indecisa se vai concorrer unida ou se arrisca ir dividida na esperança de apoiar o candidato mais votado numa eventual segunda volta.

Na noite de 15 para 16 de julho de 2016, estava Erdogan de férias no Mediterrâneo, uma fação das Forças Armadas turcas saiu à rua para derrubar o presidente e o governo do Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP). Erdogan regressou de imediato a Istambul (a casa em que estava seria depois atacada) e lançou um apelo para que o povo fosse para as ruas – “ainda não vi nenhum poder maior do que o do povo”. No golpe falhado, morreram mais de 300 pessoas e mais de duas mil ficaram feridas, ficando contudo claro que os golpistas (que acabaram por se entregar) não tinham o apoio da população.

Erdogan apontou o dedo ao teólogo e empresário Fethullah Gülen, que vive num autoexílio na Pensilvânia e lidera um movimento de oposição ao regime. O ex-aliado de Erdogan (desentenderam-se em 2013) sempre negou estar envolvido, mas milhares dos seus seguidores foram detidos e afastados – quase 24 mil militares foram expulsos do Exército e 125 mil funcionários públicos foram demitidos. O movimento é considerado uma “organização terrorista” e as purgas ainda continuam, tendo sido abertos quase 300 processos judiciais, com três mil pessoas a serem condenadas a prisão perpétua.

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Subscrever Os analistas atribuem as culpas pelo falhanço do golpe a três fatores: desorganização e falta de planeamento; falta de apoio popular e de ajuda externa; ausência de controlo dos media e de uma narrativa eficaz para justificar a iniciativa.

Depois do golpe, a comunidade internacional criticou a repressão – a falta de apoio dos parceiros da NATO não passou despercebida – e o isolamento político tem tido efeitos a nível económico. Mas Erdogan reforçou o seu regime, que se tornou mais rígido e menos transparente, especialmente após a revisão constitucional de 2017, que lhe permitiu um substancial reforço dos poderes presidenciais.

E Erdogan já pensa nas eleições. “Se nos quisermos preparar de maneira decisiva para as eleições de 2023, devemos saber que há duas paragens importantes pela frente: 2021 e 2022. 2023 é literalmente o ano das eleições”, disse aos deputados do AKP, reiterando que é hora de começar a planear o futuro.

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LINK ORIGINAL: Diario Noticias

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