O que falta, afinal, para Medicina chegar à CESPU?

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Entornointeligente.com / No início de Setembro, numa carta aberta ao Sr. Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, a Comissão Coordenadora da candidatura do Mestrado Integrado em Medicina do IUCS-CESPU, insurgia-se contra a imparcialidade e a ingerência do Sr. Ministro nas atribuições da A3ES, e propunha-se apresentar uma nova proposta. É pública a insistência da CESPU: esta será a décima vez que é apresentada uma candidatura à A3ES. Além disso, soma-se a intenção declarada do Sr. Ministro em promover a criação de mais cursos de Medicina no ensino público, intenção extemporânea e não concretizada pelas Escolas citadas pelo Sr. Ministro. Depois da Universidade Católica Portuguesa, o IUCS-CESPU e uma outra universidade privada aguardam luz verde para a homologação dos seus cursos de Medicina.

Ensino da saúde há quase quatro décadas Por esta altura, a CESPU está de parabéns: são 39 anos de crescimento sustentado, com uma reputação além-fronteiras no ensino da saúde – tanto que mais de metade dos estudantes do IUCS são estrangeiros. Desde o início que o projecto educativo da CESPU passa pela especialização na área da Saúde, com uma clara aposta na componente prática. A integração dos estudantes em ambientes reais de trabalho culminou recentemente no projecto conjunto com a Trofa Saúde, com um hospital-escola a funcionar nas instalações do Hospital Central do grupo, em Vila do Conde . O maior hospital privado do país é agora o espaço privilegiado para os estudantes do IUCS-CESPU aprenderem com a prática. Aquando do lançamento, António Almeida Dias, Presidente do Conselho de Administração da CESPU, explicava ao Estúdio P/Público que as escolas da CESPU são as instituições de ensino “que apresentam o maior número de ciclos de estudo e pós-graduações abrangendo praticamente todas as áreas científicas e tecnológicas do sector da saúde”. Só falta Medicina. Porquê?

Para António Almeida Dias “não falta rigorosamente nada do ponto de vista formal” para a homologação do Mestrado Integrado em Medicina (MIM), acrescentando que a única coisa que poderá faltar é “a disponibilidade política para se fazer a aprovação”. A proposta apresentada ultrapassa significativamente os rácios exigidos em termos de recursos humanos e, no caso dos recursos físicos o argumento de disporem do maior e “um dos mais bem equipados” hospitais privados do país é inquestionável. Mas não é só: “Contamos também com a presença de 22 unidades públicas hospitalares, o Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa e a Unidade de Saúde Local de Matosinhos”, explica o Presidente do Conselho de Administração da CESPU, “sendo que estas instituições obtiveram autorização do Ministério da Saúde, como é exigido por lei, para poderem participar neste mestrado integrado”.

Acrescenta ainda que do ponto de vista da investigação, “os professores que foram apresentados para este MIM têm todos níveis elevados de publicações científicas na área e são pessoas com conhecimento médico”, pelo que é mais um ponto a favor para a aprovação do curso. “É por isto que nos custa imaginar que haja uma resposta negativa a esta nossa pretensão”, partilha Almeida Dias, “até porque as condições que nós apresentamos para desenvolver este curso são únicas”.

Médicos a mais, médicos a menos. A saúde é universal Se por vezes se ouvia dizer que há médicos a mais em Portugal, a pandemia de Covid-19 parece ter mostrado outra realidade. O acesso a este Mestrado Integrado em Medicina não é, no entanto, exclusivo a estudantes portugueses. Olhando para a tradição da CESPU e para Portugal como destino de referência no ensino da saúde, é altamente provável que haja uma grande procura deste curso por parte de estudantes estrangeiros. “É muito importante que os responsáveis pelas decisões neste país percebam que ao aprovarem cursos, obviamente com qualidade, estes não se destinam somente a estudantes de nacionalidade portuguesa”, reforça Almeida Dias.

Foto Cada estudante [do Mestrado Integrado de Medicina] terá um tutor que o acompanhará ao longo de todo o curso” José Manuel Amarante, Coordenador do MIM da CESPU Há pouco mais de um ano, José Manuel Amarante, coordenador do MIM do IUCS-CESPU, escrevia no Público sobre “os preconceitos que têm vindo a bloquear o ensino médico não-estatal”. Agora, “com maior conhecimento e responsabilidades”, afirma sem hesitar: “continuo a pensar o mesmo porque racionalmente, não vejo outra razão para esse bloqueio”. E sustenta com factos: além de docentes com grande experiência (como ele próprio, aliás, ex-director da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto) “temos 90 doutorados integrados em 96 centros de investigação, dos quais 52 com a classificação de excelente e 21 de muito bom, com mais de 5000 papers publicados”. A maior parte dos docentes exercem clínica, o IUCS-CESPU ocupa o 7º lugar nacional no ranking internacional Scimago à frente de escolas que ensinam Medicina e o rácio previsto estudantes e docentes é de 1 para 2 e no estágio, 1 para 1.

“O bloqueio que referi resulta, de facto, de vários preconceitos” – ideológicos, por razões corporativas da própria Ordem dos Médicos e, depois, “há ainda a oposição dos responsáveis pelos cursos estatais que, sabendo que o número de estudantes do mestrado do IUCS-CESPU será muito reduzido relativamente às escolas públicas, e o facto de serem seleccionados não exclusivamente pelas classificações, mas também por entrevista adequada com vista a avaliar a sua apetência para virem a ser médicos, temem que os nossos estudantes acabem mais bem preparados e, assim, possam seriamente competir com os colegas dessas escolas no exame nacional para a escolha da especialidade”, o único que avalia por igual os estudantes de todos os mestrados, comparando, assim, a qualidade da formação nas várias escolas médicas. “Se não se trata de preconceitos, então por que razão o ensino da Medicina é praticamente a única excepção, o único monopólio público, no ensino universitário em Portugal?”, questiona José Manuel Amarante.

Mestrado Integrado em Medicina no IUCS-CESPU: o que será diferente? José Alberto Duarte, Reitor do IUCS-CESPU, assume a leccionação do MIM como parte da “evolução natural de uma ambição há muito definida”, não representando, contudo, o “fechar de ciclo”. Pelo contrário: “O IUCS-CESPU está vivo, respira saúde e não se satisfaz apenas com a oferta formativa actual e com um hipotético MIM futuro”. A actual submissão à A3ES de outras duas propostas de programas doutorais, uma em Psicologia e Saúde e outra em Patologia e Reabilitação Oral, para além de uma outra em Toxicologia “são prova dessa vitalidade e da sentida necessidade, no seio do IUCS, da procura de uma constante melhoria em termos formativos”, afirma.

Com o novo hospital-escola, é possível apostar na “investigação do foro clínico de carácter interdisciplinar e translacional”, por exemplo. Além disso, “o hospital está dotado de todas as especialidades que vamos precisar, assim como de uma residência universitária, permitindo a permanência e uma maior dedicação de estudantes e profissionais de saúde para estes fins.” Como factor de diferenciação, José Manuel Amarante, coordenador do MIM, reforça novamente o acompanhamento dos estudantes de forma muito próxima, muitas vezes dificultado nas escolas públicas devido ao número excessivo de estudantes, e de “um contacto próximo dos doentes, diário, desde o terceiro ano lectivo”.

O plano curricular deste mestrado é “o único que exige a frequência de sete anos curriculares: três na licenciatura em Ciências Biomédicas do IUCS-CESPU, ou equivalente, seguidos de quatro anos de mestrado, reforçando assim o ensino em ambiente clínico”, contou o coordenador do curso. “De igual modo, para que a aprendizagem decorra da melhor forma, cada estudante terá um tutor que o acompanhará ao longo de todo o curso”, concluiu.

No que respeita ao ensino da saúde nas escolas da CESPU, falta apenas permissão para fazer o que melhor sabem -agora, num plano direccionado especificamente à Medicina. “Pretendemos apenas que nos seja igualmente dada a oportunidade de formar médicos que, acreditamos, serão competentes, terão a compreensão, empatia e compaixão necessárias para com os doentes e que sejam solidários e socialmente úteis e empenhados”, termina o Coordenador do MIM.

Mestrado Integrado em Medicina (MIM) no IUCS- CESPU A quem se destina: Estudantes previamente licenciados em Ciências Biomédicas. Duração: 7 anos lectivos (3 de licenciatura em Ciências Biomédicas, acrescidos de quatro de mestrado). Locais de ensino: IUCS-CESPU, em Gandra; Hospital Privado Central, do Grupo Trofa Saúde; Centro Hospitalar Tâmega e Sousa; Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro; UsLS do Nordeste e de Matosinhos de Matosinhos e do Nordeste e ainda cerca de 16 unidades hospitalares públicas e privadas que ancoram o curso. Corpo docente: O corpo docente do MIM integrará 98 docentes dos quais 87 são doutorados, 5 são mestres e 4 licenciados-especialistas, de todos os graus da carreira académica (catedráticos, associados e auxiliares).
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