Weintraub articula candidatura para o governo de SP fora da órbita de Bolsonaro #brasil

Weintraub articula candidatura para o governo de SP fora da órbita de Bolsonaro #brasil

Entornointeligente.com / SÃO PAULO ? Dos Estados Unidos, país em que mora desde que, pressionado, anunciou sua saída do cargo de ministro da Educação, Abraham Weintraub tenta viabilizar sua candidatura ao governo de São Paulo fora da influência da família Bolsonaro. Ele negocia com siglas nanicas o controle do diretório estadual paulista para fazer o desembarque de seu grupo.

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Entre essas legendas está o PTC (Partido Trabalhista Cristão), rebatizado recentemente de “Agir 36”, que mantém conversas com Weintraub desde março. O principal articulador é Victor Metta, advogado e ex-assessor no Ministério da Educação (MEC). Ele participou da estruturação do PSL em 2018 para a campanha presidencial, e deixou o partido no ano seguinte.

? O fato é que a gente sofreu muito por não ter uma casa. Em 2020, ficou muito em cima da hora, ficou todo mundo espalhado. Agora tem um monte de liderança querendo surgir, e o presidente, como da vez passada, reluta em tomar uma posição ? diz Metta.

Quem são os possíveis candidatos a presidente em 2022 A atuação de Luiz Henrique Mandetta no Ministério da Saúde e a visibilidade que ganhou na época fizeram o Dem cogitar lançar o nome dele em candidatura própria em 2022 Foto: Jorge William / Agência O Globo Após anulação as condenações na Lava-Jato, Lula reestabeleceu os direitos políticos e poderá concorrer em 2022. Lideranças do PT dizem que Lula só não sai candidato se ele quiser Foto: Edilson Dantas O presidente Jair Bolsonaro cada vez se mostra mais claramente candidato à reeleição. Em visita à Câmara, em fevereiro, após ser xingado por deputados da oposição, ele respondeu: “Nos encontramos em 22”. Foto: Isac Nóbrega/PR Antes da decisão que possibilita Lula se candidatar, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) foi aconselhado pelo ex-presidente a rodar o país se apresentando como pré-candidato Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo 23/10/2018 Terceiro colocado nas últimas eleições, Ciro Gomes quer ser a opção da esquerda para derrotar Bolsonaro em 2022 Foto: Valter Campanato/Agência Brasil / Agência O Globo Pular PUBLICIDADE O governador de São Paulo tem se colocado como opção de centro direita a Bolsonaro, não evitando o embate com o presidente, de olho em 2022 Foto: Fotoarena / Agência O Globo Os planos de Doria podem esbarrar nas articulações de grupo de tucanos para lançar o governador do RS, Eduardo Leite, à Presidência Foto: Gustavo Mansur / Agência O Globo Após ir para o segundo turno na eleição para a Prefeitura de São Paulo com votação expressiva, Guilherme Boulos se cacifou para concorrer novamente para presidente Foto: Marcio Alves / Agência O Globo O governador do Maranhão, Flávio Dino, defende a criação de uma frente ampla de esquerda e seu nome é um dos catados para essa coligação Foto: 11/01/2013 / Agência Brasil Desde que saiu do governo brigado com o presidente, o nome do ex-juiz Sergio Moro é cotado para 2022 Foto: Fabio Pozzebom / Agência Brasil Pular PUBLICIDADE Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza, começou a ser assediada por líderes partidários para participar de composições de chapa para disputa à Presidência. Pelo menos três legendas já enviaram emissários para discutir o assunto com a ela Foto: Patricia Monteiro / Bloomberg Candidato a presidente pelo Novo em 2018, João Amoêdo planeja se candidatar novamente em 2022, mas enfrenta resistências no partido Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo Senador Tasso Jereissati se colocou como opção do PSDB para a Presidência em 2022 e ganhou o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado Uma das condições impostas pelos aliados do ex-ministro a essas legendas é a inclusão de uma cláusula estatutária para impedir a executiva nacional de interferir no diretório de São Paulo. A exigência, no entanto, tem atravancado as conversas. Ao GLOBO, o presidente do PTC de São Paulo, Carlos Roberto de Almeida, diz ter informado a Weintraub que “não tem condições de fazer essa alteração no estatuto”, mas que continua trabalhando para fechar o acordo.

? O medo maior deles é lançar o Weintraub a governador, e a (executiva) nacional vetar. Mas isso não vai acontecer. O que é combinado, é combinado. Mas as portas estão abertas. Eu, particularmente, gostei do projeto deles ? afirmou Almeida.

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Metta pondera que a intenção da articulação não é “em hipótese alguma divergir, mas servir de apoio” aos planos de Bolsonaro. Para ele, a formação de um partido mais “orgânico” para o bolsonarismo é uma etapa natural do processo de maturação da direita conservadora no Brasil, a que ele define como “adolescente”.

A ideia do grupo de Weintraub é fechar com um partido até setembro ou outubro e fazer um road show pelo interior de São Paulo, apresentando o novo projeto à militância bolsonarista.

PUBLICIDADE Incerteza sobre 2022 Outros partidos se mexem para abrigar candidatos bolsonaristas em 2022. Amigo de Metta, o empresário Otávio Fakhoury assumiu na última quinta-feira o diretório nacional do PTB. Nas mãos de Roberto Jefferson, o partido passa por uma guinada à direita e tem promovido expurgo de quadros de esquerda e de centro. Fakhoury está responsável, segundo ele, por abrir a legenda a “conservadores e liberais ressentidos”, como o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles e Filipe Sabará, que foi candidato a prefeito de São Paulo, ambos expulsos do Partido Novo.

? O ideal é a gente ter dois, três partidos conservadores fortes, e no fim eles se coligarem para ganhar. Não tenho vontade de ficar competindo com a legenda que o Weintraub escolher. O PTB vai ser o primeiro a coligar com ela ? declarou o empresário.

Um outro articulador sustenta que o risco de Bolsonaro perder a eleição em 2022, identificado pelas pesquisas mais recentes, reforça a urgência da construção de alternativas.

? Nós pensamos em algo para além do ciclo eleitoral. Não sabemos o que vai ocorrer em 2022, então temos que nos preparar para tudo. Digo até que o choque de uma derrota (de Bolsonaro nas eleições), que seria péssimo, impulsionaria muito o movimento no longo prazo ? diz Metta.

PUBLICIDADE Aliados de Bolsonaro afirmaram ao GLOBO que críticas de Weintraub a alguns membros do governo federal no último ano irritaram o Planalto. Bolsonaro, então, preferiu cacifar por vontade própria o nome de outro ministro para o posto, Tarcísio Gomes de Freitas, ministro de Infraestrutura.

Nas chamadas “motociatas” ? manifestações de motociclistas a favor do presidente ? realizadas no Rio e em São Paulo nos últimos meses, o presidente defendeu a candidatura de Tarcísio.

O fraco desempenho de candidatos bolsonaristas nas eleições municipais de 2020 e o naufrágio à vista do Aliança pelo Brasil, partido que Bolsonaro tentou colocar de pé após romper com o PSL, contribuíram para a avaliação do grupo de Weintraub de que seria necessária uma casa própria para os conservadores no próximo ano. Metta e seus aliados temem que, dividida em diversos partidos como no último pleito, a direita que apoia Bolsonaro tenha resultados tímidos mais uma vez.

Controlar o próprio partido permitiria a esse grupo, além do mais, driblar a interferência do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL) nas candidaturas conservadoras no estado. No ano passado, uma parte dos bolsonaristas criticou o que julgou ser uma falta de articulação do filho do presidente, que centrou esforços como cabo eleitoral de seus ex-assessores, Paulo Chuchu e Sonaira Fernandes, que acabaram eleitos vereadores, em vez de fazer campanha para um número maior de postulantes.

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