08-01-2020: o dia em que se temeu a guerra (e 09-01-2020: o dia em que os democratas querem limitar o poder militar de Trump) - EntornoInteligente
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E num instante a tensão escalou. Ouviram-se, leram-se e trocaram-se ameaças. E se…? Donald Trump não reagiu de imediato, esperou – isto se se excluir um tweet algo provocatório . Mas esperou. Ao país – ao mundo, na verdade -, o presidente norte-americano disse querer “abraçar a paz com quem deseja o mesmo”, reforçou sanções económicas ao Irão e não foram anunciadas retaliações militares. A tensão diminuiu de imediato. E não voltou a escalar, pelo menos até ver.

“Quero dizer a todas as pessoas e líderes do Irão que queremos que tenham um futuro, e um ótimo futuro, um que mereçam. Um futuro de prosperidade em casa e em harmonia com as nações do mundo. Os EUA estão disponíveis para abraçar a paz com quem a procura”, disse Trump esta quarta-feira, 18 horas depois do ataque iraniano, numa declaração que durou poucos minutos e em que não foram permitidas perguntas por parte da comunicação social. “Continuamos a avaliar as nossas opções.”

Embora o caminho da ação militar não esteja para já totalmente excluído – em momento algum Trump negou fazê-lo -, não foi anunciado como a primeira opção. Por agora, o Irão vai ter um reforço das sanções económicas e ouviu alguns avisos: “Os nossos mísseis são rápidos, precisos, eficientes e letais, mas o facto de termos este armamento não significa que tenhamos de o usar. Não queremos usá-lo”. Mais: “Têm de abandonar as suas ambições nucleares e parar de apoiar terrorismo” e “devemos trabalhar todos em conjunto para fazer um acordo [nuclear] com o Irão, tornando o mundo um lugar mais seguro e mais pacífico”.

Mais de uma dezena de mísseis iranianos atingiram duas bases aéreas no oeste do Iraque – Asad e Erbil, onde estão militares dos EUA e aliados. “A feroz vingança dos Guardiães da Revolução começou”, decretou em comunicado a Guarda Revolucionária, organização militar de elite do Irão.

Depois de contradições de ambos os lados, a Casa Branca garantiu que ninguém ficou ferido nestes ataques. No entanto, fontes iranianas falam em mais de 80 vítimas – não especificam se mortais ou apenas feridos. Ou seja, oficialmente não há registo de danos pessoais. A mais recente discussão é se os mísseis foram realmente lançados para matar ou não.

“Com base no que vi, acredito que tinham o objetivo de causar danos estruturais, destruir veículos e equipamento, matar pessoas. Essa é a minha opinião”, dizia aos jornalistas Mark Milley, um general experiente das forças armadas norte-americanas, aqui citado pela CNN.

Por outro lado, uma fonte dentro da Casa Branca assegurou ao “Washington Post” que os EUA souberam com horas de avanço que os mísseis seriam lançados e que tinham como objetivo causar o mínimo de danos possíveis. Falou de um “evento calibrado” em que a dimensão das consequências estavam limitadas.

O Irão lançou os mísseis à mesma hora em que o drone norte-americano matou o comandante militar iraniano Qasem Soleimani – 01h20 (hora local). E depois começaram as ameaças: “Se retaliarem, desta vez vamos responder na América”. O aviso estendeu-se logo de seguida ao Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e a Haifa, em Israel. Prometiam então uma terceira vaga de operações.

Do lado norte-americano continuava o silêncio. Ouviu-se apenas o departamento de Defesa confirmar o ataque e pouco mais. “Vai ser uma tragédia se os EUA optarem pela a ação militar em vez da diplomacia”, considerava à NBC News Jonh Kerry, antigo secretário de Estado da Administração de Barack Obama, algumas horas após os acontecimentos. “A Administração de Donald Trump correu para um confronto. Se houver uma resposta na mesma medida, vai tornar-se uma guerra desnecessária que não teria de acontecer. Será uma guerra imprudente escolhida pelo presidente dos EUA.”

Mas nada disso aconteceu e, já esta quarta-feira, Mike Pence garantiu que os EUA estavam seguros e que tem informação de que o Irão deu instruções às várias milícias para não atacarem alvos norte-americanos ou civis. “Ouvimos as ameaças. O mundo ouviu as ameaças do Irão. Por ordem do presidente, movemos forças para garantir um certo nível de segurança”, disse aos jornalistas.

Um aviso antes de um cumprimento – Enquanto eu for presidente dos EUA, o Irão não vai ter armamento nuclear. Bom dia!

O aviso de Donald Trump foi feito ainda antes de cumprimentar a sala cheia de jornalistas de todo o mundo e as milhares de pessoas que acompanhavam a transmissão da primeira declaração do presidente norte-americano após o ataque do Irão a bases militares que abrigam soldados dos EUA no Iraque. Na mesma declaração acusou ainda a anterior Administração de financiar os mísseis agora disparados, através do dinheiro enviado no âmbito do acordo nuclear assinado 2015, e insistiu que ao matar Soleimani os EUA travaram “um dos maiores terroristas e que estava a planear ataques contra território norte-americano”.

E depois de o presidente falar e as tensões não terem escalado, no Irão a crise era dada como terminada. “Acabou”, garantiu Muqtada Al-Sadr, um influente clérigo xiita. “Apelo às forças iranianas para que sejam deliberadas, pacientes e não iniciem ações militares e desliguem as vozes extremistas e alguns elementos desonestos até que todos os métodos políticos, parlamentares e internacionais tenham sido esgotados”, divulgou em comunicado, traduzido pelo “Middle East Eye”.

No entanto, depois disso, dois mísseis atingiram a Zona Verde de Bagdade (considerada a área mais mais segura da capital e onde se localizam várias embaixadas). Ao contrário do que aconteceu nos ataques às bases militares, não houve reivindicação da autoria do lançamento. Os EUA asseguram que, uma vez mais, não há vítimas.

Os Estados Unidos acreditam agora que foi “restabelecido um certo nível de dissuasão” com o Irão. Admitem também que milícias xiitas vão prosseguir as operações contra as forças norte-americanas no Iraque, “quer sejam dirigidas diretamente ou não pelo Irão”.

“Através dos ataques aéreos que fizemos contra as Brigadas do Hezbollah no final de dezembro, e de seguida a nossa operação contra Soleimani, penso que restabelecemos um certo nível de dissuasão”, disse em conferência de imprensa Mark Esper, responsável da Defesa norte-americano. “Mas veremos. O futuro o dirá.”

Entretanto, e “independentemente das ações do Irão”, esta quinta-feira a Câmara dos Representantes vai votar a proposta que prevê a limitação dos poderes de Donald Trump na atuação militar dos EUA.

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