E, de repente, Rio até pode ganhar (II)

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Entornointeligente.com / Repito o título da crónica que escrevi no DN há 15 dias, porque o que parecia impossível aconteceu e pode voltar a acontecer. O modo como o líder do PSD resolver a questão da lista de deputados, a pedir uma gestão equilibrada, sem condescendência mas também sem arrogância, resultará num impulso final para disputar a vitória nas legislativas ou, pelo contrário, para destruir parte do capital conseguido com a vitória interna.

A afirmação ao centro, repetida vezes sem conta por Rui Rio, não pode estar permanentemente a ser posta em causa pelo próprio. Não se conquista o eleitorado moderado com ziguezagues que colocam o PSD na disponibilidade de conversar com o Chega, se disso depender a criação de uma maioria parlamentar. Nesta matéria, a única estratégia válida é a recusa de qualquer diálogo com a extrema-direita, demonstrando dessa forma a esses eleitores a inutilidade do voto no partido de André Ventura, para construir uma alternativa a um governo de esquerda liderado pelo PS.

De igual forma, uma coligação pré-eleitoral com o CDS, para além de afastar o PSD do centro onde Rio quer ganhar as eleições, acrescenta instabilidade na campanha eleitoral. O CDS deve, da mesma forma que a Iniciativa Liberal, mostrar nas urnas o seu peso eleitoral e, se for caso disso, contribuir, juntamente com a IL, para a formação de um governo de centro-direita. Numa eleição bipolarizada, por pouco que Rui Rio entenda haver à sua direita, o voto útil será determinante para determinar o vencedor. Tema que ganha importância, por ser agora praticamente impossível repetir 2015, quando o segundo partido mais votado acabou a governar. Costa estará fragilizado politicamente e incapaz de repetir o feito e uma substituição por Pedro Nuno Santos, com entendimento à esquerda, implicará novas eleições no momento (seis meses depois) em que o Presidente as puder voltar a convocar.

Rui Rio foi, aliás, inteligente ao anunciar a sua disponibilidade para viabilizar (pelo menos os dois primeiros orçamentos) se o PS vencer, esperando dos socialistas resposta idêntica. É certo que nessas circunstâncias, com uma vitória do PSD, António Costa deixará a liderança do PS e o senhor que se segue, muito provavelmente Pedro Nuno Santos, encostará à esquerda e não estará disponível para ceder ao PSD. Ainda assim, sem orçamento para 2021, sem possibilidade de dissolução da Assembleia e novas eleições nos seis meses seguintes, seria uma enorme irresponsabilidade não viabilizar temporariamente um governo liderado por Rio.

Para chegar à vitória, Rio conta com um governo completamente desgastado e um primeiro-ministro que já nem uma parte significativa dos socialistas entusiasma. Acresce que os dois meses até às eleições serão vividos a gerir uma pandemia que é um pau de dois bicos para quem governa. O aumento exponencial de novos casos e de internamentos obriga a impor medidas restritivas, num momento em que também cresce exponencialmente o cansaço pandémico e diminui a adesão popular ao cumprimento dessas medidas. O pior que pode acontecer ao PS é o país chegar a meio de janeiro no pico de uma onda com o SNS a rebentar pelas costuras.

É certo que o poder, antes de ser ganho por quem o ambiciona, começa a ser perdido por quem o detém e, se sabemos que o PS e António Costa entraram definitivamente numa fase descendente, falta-nos saber se o PSD e Rui Rio terão engenho e arte para lá chegar.

Jornalista

LINK ORIGINAL: Diario Noticias

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