Um pouco de saudosismo - EntornoInteligente

Jornal do Brasil / A conjuntura política e de segurança faz com que a imprensa se concentre, em seu noticiário, nestes fatos, protelando, a segundo plano, o noticiário sobre o trânsito, fonte de meus artigos semanais. Assim sendo, nada melhor do que tentar elevar o  “baixo astral” a que estamos todos sujeitos, mercê do noticiário degradante que nos é mostrado.

Em 1967, quando fui convidado pelo governador Negrão de Lima, atendendo à sugestão do PTB, recém-extinto, através a deputada Yara Vargas, o Detran se situava na Secretaria de Segurança, tendo minha indicação sido recebida de maneira fidalga pelo então secretário general Dario Coelho.Tive dele apoio incondicional, que não sofreu solução de continuidade pelo seu substituto, general Luiz de França Oliveira.

Sendo eu o primeiro Oficial de Marinha a exercer este importante cargo, tive que atuar com a prudência típica do PSD mineiro, ao qual o governador pertencia. A tal ponto foi este meu comportamento que, ao ser agraciado com o título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte, no ano seguinte, merecer do governador a observação da justiça da condecoração, com a frase: “Você está mineiríssimo nas suas ações.”

Por causa deste cuidado, esperei até ter consideração pública e conceito de eficiência, para “Dar a Cesar o que é de Cesar”, convidando para a divisão de policiamento, tradicionalmente ocupada por colegas do Exército, um oficial da Polícia Militar. Escolhi, por ser lógica, o oficial de operações do Batalhão de Trânsito, a quem eu não conhecia. Somente na sua posse senti que havia feito “um gol de placa”, pelo comparecimento maciço dos oficiais, seus colegas, de todos os batalhões que, naquela época, possuíam um pelotão de trânsito. Se obtive sucesso, na minha administração, devo, e muito, à fidelidade canina de meus colegas da briosa Polícia Militar. Almoçava, diariamente, não aceitando convites interesseiros, no “meu” Batalhão de Trânsito, então comandado pelo coronel PM Joaquim Murilo Maldonado, a quem devo imensamente pelo apoio que dele sempre recebi, aliado a uma lealdade impecável. Coloquei, também, como oficial de meu gabinete um capitão PM e, como meu ordenança e segurança, um soldado PM por minha opção paraibano, conterrâneo de meu filho mais velho, armado com um revolver Colt, 45, gentilmente a mim emprestado pelo Corpo de Fuzileiros Navais.

Consegui adestrar um grupo de cinquenta soldados, no Corpo de  Fuzileiros, a dirigir o trânsito com gestos marciais, e equipados com luvas brancas, fato que lhe valeu o apelido de “Os luvas brancas”, absolutamente incorruptíveis.

E hoje, o que se vê? A direção do trânsito nas ruas é delegada a uma empresa civil,, tercealizada, como se possível fosse, com esta prática, se obter eficiência.

O assalto debochado aos veículos de carga nas principais vias de tráfego de acesso ao Rio, que vive uma “guerra civil”, onde não deveria se poupar os prisioneiros, como nos tempos da Guanabara.

Não entendo como, a exemplo do que ocorre nos condomínios, onde o acesso é controlado, não se faz o mesmo nos acessos às favelas, controlando o tráfego de veículos na sua entrada e saída; em substituição às policias pacificadoras, que não pacificam coisa nenhuma e tem como resultado a morte de policiais, em menor número e com pior armamento, do que o tráfico que reina soberano.

Por tudo isto, sou um saudosista de tudo de bom que já tivemos e que, infelizmente, se acabou, vítima da pior das alianças: a incompetência unida à vaidade.

Um pouco de saudosismo

Con Información de Jornal do Brasil

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