Ronaldo/30 anos: Mais maduro, a mesma ambição - EntornoInteligente

jornal da madeira / A entrada no clube dos 30 promete não mudar Cristiano Ronaldo, um ícone desportivo e publicitário transformado em homem maduro, que tem na sinceridade e no profissionalismo os seus traços determinantes. Ronaldo cresceu com os olhos do mundo à espreita. Aquele miúdo franzino, de ar frágil e sonhador, que caminhava um passo atrás das então ‘estrelas’ do futebol do Sporting (Jardel, João Viera Pinto ou Marius Niculae), deu lugar a um adulto seguro de si, pouco preocupado com o que os outros pensam e extremamente honesto. “As pessoas que me conhecem bem adoram-me”, assegurava numa entrevista em 2012. Mas são poucos os que conhecem o ‘melhor do mundo’ fora dos relvados. Cristiano Ronaldo criou uma figura mediática e resguardou-se. Refugiou-se nos de sempre, o filho Cristianinho (a identidade da mãe é o segredo mais bem guardado do futebolista), a família e a equipa do empresário Jorge Mendes, e optou por uma vida quase de clausura na sua mansão em La Finca, uma zona exclusiva de Madrid. Longe vão os tempos da freguesia de Santo António, numa das zonas menos nobres do Funchal. Foi aí que, a 5 de fevereiro de 1985, nasceu Cristiano Ronaldo. Filho de Dinis e Dolores, irmão de Hugo, Elma e Cátia, herdou o nome do presidente norte-americano Ronald Reagan. O pequeno da família Aveiro só queria saber da bola. “O meu caso é um pouco especial, porque nunca tive ídolos. Jogava no meu bairro, com os colegas, por puro prazer”. O pai, técnico de equipamentos do Clube Futebol Andorinha de Santo António, levou-o consigo e o miúdo impressionou, mas o seu ‘jeito’ despertou a atenção do Nacional, que o levou 1995 a troco de 20 bolas e um conjunto de equipamentos para os infantis. Foi na Choupana que despertou a atenção de Aurélio Pereira, do departamento de prospeção do Sporting, que o contratou, em 1997, por 25 mil euros. A mudança para Lisboa mexe com o jovem. No seu quarto, no lar do Sporting, Ronaldo chora todos os dias, com saudades da família. “Choro porque sou uma pessoa normal, que tem momentos maus e outros não muito bons. Isso ajuda-te a acostumares-te a todas as circunstâncias”, contou uma vez. O primeiro momento verdadeiramente negativo aconteceu quando tinha 15 anos: num exame de rotina, detetaram-lhe um problema cardíaco. Foi operado e poucos dias depois estava de regresso aos treinos. Essa força de vontade, essa capacidade de trabalho, tantas vezes elogiadas por tanta gente, foram notadas pelo romeno Laszlo Bölöni, que o chamou para treinar com o plantel principal, quando tinha apenas 16 anos (juvenil), e o lançou a 14 de agosto de 2002, frente ao Inter de Milão, na primeira mão da pré-eliminatória da Liga dos Campeões, em substituição de Toñito. O primeiro golo chegou pouco depois, na sexta jornada da Liga de 2002/03, frente ao Moreirense, na sua estreia a titular. Mas o Sporting era pequeno para tanto talento. Em 2003, no jogo de inauguração do novo Estádio José Alvalade, com o Manchester United, impressiona Alex Ferguson e é contratado de imediato por 15 milhões de euros. "Depois de termos jogado com o Sporting na semana passada, os rapazes falavam nele constantemente no balneário e, no avião de regresso do jogo, insistiram que o contratasse", revelou então o histórico técnico dos 'red devils'. Em Manchester, mudou definitivamente. Molda o corpo – o miúdo franzino é substituído por um homem atlético, que não ingere comida de ‘plástico’ nem álcool – e o caráter. Politicamente incorreto, desportivamente brilhante, o madeirense tornou-se um verdadeiro 'ex-libris' para tabloides e revistas cor-de-rosa. As suas conquistas reais ou hipotéticas fizeram correr rios de tinta, quase tanto como a Bola de Ouro que recebeu, pela primeira vez, em 2008, ou os patrocínios milionários que assinou. Depois de conquistar (quase) todos os títulos pelos ‘red devils’, o madeirense precisava de novos desafios. Eles chegaram em tons ‘blancos’, numa apresentação apoteótica no estádio Santiago Bernabéu, que ilustrou a transferência mais cara de sempre do futebol – o Real Madrid pagou 94 milhões de euros. Em Madrid, bateu recordes atrás de recordes, colecionou títulos, ganhou mais duas vezes a Bola de Ouro e cimentou a rivalidade com Lionel Messi. Mas, na vida madrilena de Ronaldo há um antes e um depois. Se nos primeiros anos deu mostras de arrogância, com tiradas como “as pessoas têm inveja, porque sou rico, bonito e um grande jogador”, com pequenas birras e conflitos de balneário, desde a última temporada tem demonstrado maior maturidade e cuidado, sem, contudo, comprometer a sinceridade que o carateriza. “Demasiada humildade é um defeito”, alertou numa entrevista à televisão brasileira Globo. Por isso, mesmo atingida a barreira dos 30 anos, não se espere que Ronaldo deixe de assumir-se como aquilo que sente que é: o melhor futebolista do Mundo.

Con Información de jornal da madeira




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