Refinaria Passadilma - EntornoInteligente

OGlobo / Quando o bicho destroça o que Jaguar chama de minha “mente insana”, acontece um fenômeno digno de estudo por neurocientistas: Nicolelis, Damásio, Pinker, Ramachandran e outros. Seguinte: filhas e netos viajam e/ou leio sobre o novo sinistério Passadilma, e a cuca explode em segundas de partido alto, sem que eu tenha controle sobre o processo. Os versos saem inteiros e levam dias “cantados” pela mente até a exaustão. A coisa não para. Uma cozinha de primeira segura o batuque, entre vivos e mortos: das Neves, Caboclinho, Ovídio, Gordinho, Beloba, Cabelinho, Marçalzinho, Álvaro Santos, Júnior de Oliveira (neto do eterno Silas), Tuninho Fuleiro no riso. Quando os versos começam, não adianta frear com bebida, calmante, jazz nas alturas, não há como interromper. Fico esgotado, como se estivesse muito doente. Dois exemplos: “Meu pai me levou ao cinema/ para ver o Monstro da Lagoa Negra./ Quando o bicho apareceu/eu saí correndo na maior bandeira/ mas o que fascinava o menino/ era o tal do drópis/ com o sabor de coisa nova/ que encontro nos versos do grande Nei Lopes”. Ou esse: “Pior que amar periguete/ é a diabete que me acometeu./ Come o cara pela beira,/ meu muque de atleta a glicose comeu./Mas a morte que vem/ não me deixa tão fora do fuso./Sempre fui meio parado/ e talvez vire charge do Chico Caruso”.

Vou logo avisando: se eu tiver um treco, a culpa é desse sinistério Passadilma. O panaca contemplado com o Planejamento fez m no dia seguinte à posse e já estaria sendo fritado. O da Saúde reclama dos coitados que pagam os planos indecentes, em flagrante política de “quem não Chioro não mama”. Um pastor paspalho, como salientou o Belloto, é detido com 11 malas (incluindo ele próprio), cheias de grana. “É dinheiro dos fiéis”. Sem dúvida! Esse filho da …do Senhor cai no minisportes e entra de sola, “não entendo nada do assunto”. O governo revida com um carrinho digno de Fellipe “Boquinha-de-lesma” Mello: quem vai cuidar das Olimpíadas é o Merca Dantes Navegado. O cume da catástrofe é Rebellão, conhecido no ministério anterior como “7a1”, ir pra Ciência e Tecnologia. Quando arguido sobre astronomia, declarou que não perde o horóscopo. Pretende usar as árvores derrubadas pela ruralista da Agricultura para a pesquisa de células-tronco. Ah, o apelido mudou: sai 7a1 e entra, em homenagem ao antigo posto, “É bola”.

Ainda faltam algumas palavras, sobre o pardieiro da Cultura, onde aconteceu a volta dos que não foram. Prometem feijoada e nos enfiam bala Juquinha podre goela abaixo. Não sei se essa necessidade de alianças espúrias constitui um casus foederis mas a sonoridade é perfeita.

Lendo sobre a Segunda Guerra Mundial, me impressiona a permanente confusão no Istmo da Carélia. Então, beleza. Sinistros da Refinaria Passadilma: vão todos pra Carélia! Pode ser que com 40 abaixo de zero, brrr, a corrupção congele. Se era para abrir as pernas desse jeito horrível, pomba, porque não chamaram a Sharon Stone que sabe fazer isso bem mais bonito.

Aldir Blanc é compositor

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