Os equívocos pra campanha (I) - EntornoInteligente

jornal da madeira / Será que alguém acredita que pode ser candidato a qualquer cargo político de eleição se não tiver atrás de si um partido mobilizado, dinamizado, estabilizado, unido, empenhado, devidamente organizado e eficaz? Sempre tive dificuldade em conceber a confusão entre o partido e o governo, sobretudo quando aquele, por ser uma espécie de elo mais fraco, sai fragilizado e secundarizado desse confronto. Regra geral – e o PSD nacional de Passos é exemplo negativo disso – quando se confunde partido com governo, quando são os mesmos protagonistas a estar num lado e no outro, o partido acaba por ser a primeira vítima dessa ideia hoje ultrapassada, que se pode misturar liderança partidária com liderança governativa e que tudo funciona bem em ambos os lados. Em termos eleitorais há uma óbvia diferença entre estas duas frentes perfeitamente distintas, porque quem sofre derrotas ou conquista vitórias nas urnas não são os governos mas os partidos. Os governos são consequência de vitórias eleitorais. Não há governos a concorrer a eleições legislativas, apenas partidos e respectivos manifestos eleitorais que nem precisam de ser programas de governo exaustivos, demagógicos, muitas vezes elaborados em cima do joelho e que nos tentam vender gato por lebre. Tenho a sensação que há pessoas – e não critico quem tem essa ambição pessoal – que aos olhos dos militantes dos partidos mostram que querem ser mais chefes do governo do que, antes disso, presidentes do partido. O problema, no caso do PSD da Madeira, é que precisam de unir os cerca de 7 mil militantes-votantes, cerca de 63% de um universo de 11 mil, metade dos quais não têm qualquer militância partidária ativa. Aliás, a coisa tende a ser mais complexa, quando é sabido que até hoje a chamada militância ativa raramente ultrapassava os 3.500 militantes pelo que das duas uma: ou esta disputa interna no PSD regional despoletou um súbito interesse participativo entre os militantes “adormecidos”, o que até considero normal, ou houve um milagre de inscrições a martelo relacionadas apenas e só com este processo eleitoral interno mas que depois voltam a afastar-se como no fundo sempre fizeram. A rotatividade nas estruturas dirigentes locais, a começar pela freguesia, é importante para mobilizar pessoas. A cristalização, associada à ideia de que é preferível manter sempre as mesmas pessoas com base numa lógica ridícula de que assim se evitam amuos e outras chatices frequentes quando os lugares são escassos, é perigosa e carrega potenciais ameaças que podem ter custos políticos elevados. O que hoje ocorre no PSD da Madeira, atendendo aos estatutos vigentes, é isso mesmo, uma forma de agradar a todos e de distribuir lugares encarando as pessoas pela mesma bitola. Os partidos precisam de ter estruturas dirigentes devidamente hierarquizadas. É assim em todo o lado. Hoje acho que os social-democratas podem estar a pagar caro por isso. Não conheço partido que não tenha uma estrutura dirigente hierarquizada e diferenciada. O PSD da Madeira precisa de voltar a ter outra estrutura dirigente, mais clarificada e mais reduzida. O que implica a convocação, que preferia fosse agendada já no congresso de Janeiro de 2015, de um congresso apenas reservado às questões estatutárias. As Comissões Políticas concelhias – e o rombo eleitoral nas autárquicas demonstrou essa necessidade – têm que ser reativadas. As Comissões Políticas de Freguesia precisam de ser dinamizadas dando-lhes a importância que porventura hoje não têm, até porque nem todas as pessoas disponíveis para dar o seu contributo ao partido têm paciência para serem meros gestores de sedes ou coladores de cartazes. E por falar em sedes há uma questão que os militantes precisam de suscitar nas reuniões com os diferentes candidatos. Sabe-se que o “jackpot” é importante para o funcionamento dos partidos, pelo que é evidente que uma previsível redução do montante a distribuir no futuro, vai implicar o encerramento de muitas sedes por parte do PSD, que será o mais penalizado por ser aquele que mais sedes tem. O “jackpot”, a par da redução dos deputados, tem sido compreensivelmente um dos alvos preferenciais das atenções, apesar de se ter transformado uma espécie de lotaria demagógica – tipo quem corta mais que quem. A minha dúvida, e por isso a lógica do desafio deixado aos militantes para que esclareçam o tema, é saber, depois dessa redução, que sedes de freguesia serão encerradas, e como se compatibiliza a apologia de maior mobilização e participação de militantes no processo de debate interno e de decisão no partido, sem que existam condições, e não existirão mesmo, para ser mantida a atual rede de sedes por evidente falta de recursos financeiros?

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