Mediação é recomendável para resolver conflitos de ex-casais - EntornoInteligente

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RIO — “Você é boa de briga?”

Esta é a primeira frase que a advogada Samantha Pelajo se lembra de ouvir, em 2009, de seu então cliente Marcone Rocca. Ele havia se separado da mulher e estava pronto para ir para o litígio. No entanto, contra todas as expectativas, a guarda compartilhada dos filhos — na época com 11 e 14 anos — e o estabelecimento de pensão alimentícia foram decididos em sessões de mediação, sem sequer chegar perto dos tribunais. Foram só quatro sessões, de duas a três horas cada. Ao fim do processo, Samantha recorda ter ouvido de Marcone: “Eu ainda sinto mágoa da minha ex-mulher, mas agora eu consigo conversar com a mãe dos meus filhos”.

Veja também Proibido no Brasil, comércio de barriga de aluguel movimenta internet Um terço dos projetos de lei para infância e adolescência gera retrocesso, diz estudo — Pela minha observação, a mediação consegue resolver entre 70% e 80% dos casos. E de forma rápida — destaca a advogada, hoje presidente da Comissão de Mediação de Conflitos da OAB-RJ. — A grande vantagem é que o mediador vai ajudar as pessoas a tomarem decisões a partir do que faz sentido para elas. Às vezes, o impasse é aparente.

No caso do carioca Marcone, os filhos ficaram a maior parte do tempo com a mãe, e uma vez por semana com ele, que jamais deixou de pagar a pensão, até que os filhos chegassem à idade adulta.

— Hoje eu percebo que seria ainda melhor, porque a tendência é uma divisão do tempo mais igualitária. Com isso, entre os meus amigos que se divorciam, quase não vejo mais a existência de pensão, porque, como a moradia é dividida, não há tanto essa necessidade. Em 2009, tudo era ainda muito novo. A Lei da Guarda Compartilhada havia sido assinada só há um ano.

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No Rio, existem hoje dez câmaras de mediação, entre elas a da OAB, da PUC-Rio, do Ibmec e do Ministério Público estadual. Todas gratuitas.

Especialista em divórcio colaborativo, a advogada Olivia Fürst defende a troca de termos como “pensão alimentícia” para humanizar o Direito:

— Prefiro usar “manutenção financeira”, pois não se trata só de alimento. Em vez de “guarda”, “responsabilidade compartilhada”. Assim como “visita” substituo por “rotina de convivência parental”. Os pais interessados em participar da vida do filho chegam com os ombros contraídos, cheios de medo de perderem relação com a criança, mas, quando eu digo isso, ficam mais calmos. Essas expressões antigas retratam uma ideia de família que não deve mais existir.

Mediação é recomendável para resolver conflitos de ex-casais

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