Drogas, álcool e suicídios reduzem expectativa de vida nos EUA - EntornoInteligente

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WASHINGTON – A epidemia de opioides , mortes associadas ao consumo de álcool e suicídios fizeram a expectativa de vida nos Estados Unidos cair pela segunda vez consecutiva. De acordo com um estudo publicado no BMJ, anteriormente conhecido como British Medical Journal, feito a partir de dados oficiais, a queda da expectativa é maior entre homens brancos que moram em comunidades rurais do país, justamente o grupo que está sendo mais afetado pela atual crise de drogas entre os americanos.

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Segundo os dados de 2016, a expectativa de vida média do americano ano ao nascer era de 78,6 anos em 2016, contra 78,7 anos em 2015 e 78,9 anos em 2014. Entre homens, a queda foi de 76,5 anos para 76,1 anos no período. Ainda não há dados de 2017 – que deverão ser conhecidos apenas em dezembro -, mas tudo indica que a redução da expectativa de vida pode estar acelerando.

Expectativa de vida entre os americanos

2016: 78,6 anos

2015: 78,7 anos

2014: 78,9 anos

– Todos os fatores que levaram à redução da expectativa de vida nos dois anos anteriores continuam – disse ao GLOBO o professor Steven Woolf, pesquisador da Universidade da Comunidade da Virgínia (VCU) e autor do estudo publicado na BMJ, lembrando que a queda parece pequena, mas é signficativa. – Estamos vendo um aumento de mortes por abusos de substâncias e desespero.

Apesar de um novo plano do governo federal para combater a crise de opioides, ela hoje é considerada uma epidemia e mata mais de 64 mil americanos por ano. E esta nova atuação não alocou tantos recursos quanto o esperado para o setor. A morte associada ao álcool, como em acidentes de carros, continua alta, e o número de suicídios cresceu no país, segundo o estudo.

– Temos que aumentar o tratamento aos usuários de drogas e álcool, óbvio, mas precisamos avançar nos estudos para entender os motivos que levam as pessoas a se viciarem – afirmou o especialista.

Expectativa mais baixa que a média de outras nações ricas

O levantamento ainda aponta que este é um problema mais concentrado nos EUA. Nos anos 1960, a expectativa de vida no país era muito superior à média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que inclui as nações mais ricas do planeta, como os países europeus, Canadá e Japão. Em 1995, os Estados Unidos e as nações ricas tinham a mesma expectativa de vida média, mas hoje há uma diferença de quase dois anos: 78,6 anos nos EUA, contra 80,3 anos na OCDE.

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– Os outros países desenvolvidos não possuem algumas características que temos aqui, como a crise de opioide, a facilidade de acesso às armas, o que eleva taxas de homicídios e suicídios, além de um estilo de vida diferente. Nossas cidades são planejadas para que as pessoas se movimentem por carros, não caminhando ou de bicicleta. Nossa vida é mais sedentária, nossa alimentação é pior – disse ele.

“As conseqüências dessas escolhas são terríveis: não só mais mortes e doenças, mas também escalando os custos dos cuidados de saúde, uma força de trabalho mais doente e uma economia menos competitiva. As gerações futuras podem pagar o maior preço”, indica Woolf, em seu relatório.

Menos acesso a serviços de saúde

O estudo ainda mostra que os americanos têm muito menos acesso a serviços de saúde que em outros países ricos. Não há nos EUA um sistema público de saúde. No governo de Barack Obama, o país aprovou uma reforma para obrigar todo cidadão a ter plano de saúde, mas essas normas estão sendo desfeitas pelo governo Trump. Os estudos indicam que a cobertura de saúde nos EUA deve piorar nos próximos anos anos, com menos pessoas com acesso a médicos, medicamentos e hospitais.

O relatório informa ainda que o aumento da desigualdade nos EUA, o aumento da pobreza e as diferenças regionais explicam por que este fenômeno afeta mais homens, brancos e pessoas do interior. O aumento de suicídios no país é outro indicativo de problemas sociais que acabam afetando a saúde pública.

Neil K. Mehta, professor de Gestão e Política de Saúde da Universidade de Michigan, lembra que o dado da queda da expectativa de vida nos EUA por dois anos seguidos é muito preocupante:

– A última vez que a expectativa de vida caiu em dois anos consecutivos foi no início da década de 1960 – disse ele.

Apesar de ver um cenário favorável para o futuro, com a queda no número de fumantes no país, novas tecnologias de saúde e melhora no nível educacional da população (pessoas mais instruídas tendem a ser mais saudáveis), Mehta lembra que o impacto desta epidemia de drogas afeta mais os jovens, o que tem potencial de reduzir as expectativas. Mas ele afirma que outras questões de saúde também impactam a expectativa de vida.

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– O que mais pode impactar as tendências a longo prazo é o aumento da obesidade e diabetes. Ao contrário das mortes relacionadas com opioides, obesidade e diabetes estão afetando quase todos os segmentos da sociedade, jovens e velhos. Medidas efetivas de saúde pública para controlar a obesidade nos escapam. Já existe uma boa evidência de que a obesidade está atrasando os ganhos que podemos ter na expectativa de vida – disse Mehta.

Ele afirmou que a questão da obesidade pode servir de alerta para outro países:

– O gerenciamento da obesidade provavelmente requer políticas e programas abrangentes que ultrapassem os cuidados médicos e as medidas tradicionais de saúde pública e incluem atenção à disponibilidade de alimentos, ao ambiente social e ao apoio às famílias.

Drogas, álcool e suicídios reduzem expectativa de vida nos EUA

Con Información de OGlobo

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