Conheça o museu na Cidade do México que foi o palco do atentado que matou Trotsky - EntornoInteligente

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CIDADE DO MÉXICO – Casa sem entrada principal. Quarto de dormir protegido por grossas portas de ferro. Paredes com buracos de bala, tudo nos remetendo aos últimos dias de vida do revolucionário russo León Trotsky, morto por um golpe de picareta em agosto de 1940. Como se 80 anos não tivessem se passado, está tudo lá, aparentemente intacto, no Museo Casa de León Trotsky, localizado no pitoresco bairro de Coyoacán, a 11 quilômetros do centro histórico da Cidade do México.

A capital mexicana tem mais de 150 museus, entre eles os de Antropologia, Bellas Artes, o Soumaya, o da Revolução e o da artista plástica Frida Kahlo – para citar só alguns dos imperdíveis. Mas também tem o Trotsky, que leva o visitante, fã ou não, a um passeio pelo enredo de vida e morte de um dos fundadores do Estado soviético.

Três construções e um amplo jardim compõem o pequeno museu. Na primeira delas, a História é contada via organogramas, recortes de jornais, fotos e cartazes, sem aparatos tecnológicos. Em um canto, o busto de bronze de Trotsky se destaca. Lá fora, à esquerda, está a casa dos seguranças do revolucionário, com informações sobre a edificação.

Mas é no jardim que a História começa a se materializar. Mais exatamente no monumento que guarda as cinzas do líder soviético e as de sua mulher, Natalia Sedova. Adiante, no fundo da propriedade, chega-se à casa em que o casal viveu por 15 meses dos três anos que passou no México. E onde Trotsky recebeu o golpe que o matou.

Depois de ser banido da União Soviética em 1929 por Josef Stalin (que desde a morte de Lenin, em 1924, assumira o comando do estado), Trotsky viveu exilado e sob o fantasma de possíveis atentados, na Turquia, França e Noruega, até chegar ao México, em 1937, a convite de simpatizantes da causa comunista.

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Comprada por Trotsky, com doações do Socialist Workers Party/USA (Partido Socialista dos Trabalhadores dos EUA), a antiga residência, seu mobiliário, a louçaria, os utensílios e as roupas no armário expõem o enredo de austeridade dos últimos dias de vida do organizador do Exército Vermelho.

Celular. Portas de ferro, grossas, na proteção ao quarto de Trotsky – Léa Cristina São sete cômodos. Todos muito simples. A cozinha, o quarto do casal e o do neto Esteban Volkov, o banheiro, a sala de refeições, o escritório de Natália e secretárias, além do estúdio de Trotsky. Ali, sentado à mesa de trabalho, ele recebeu o golpe de picareta do espanhol Ramón Mercader, que conseguira se infiltrar entre os amigos do líder soviético, como se fosse um jornalista belga.

Trotsky morreu no dia seguinte, em 21 de agosto de 1940. Mercader viveu por mais 38 anos, 20 dos quais passou na prisão. Mas ele foi condecorado pela KGB e jamais confessou que tivesse agido em nome de Stalin.

A Casa Museo de León Trotsky é uma instituição de apoio ao asilo político e conta com suporte da Secretaria de Cultura da Cidade do México. Depois da morte de Trotsky, a prefeitura comprou a residência da viúva, como forma de ajudá-la financeiramente, deixando que ela a usasse enquanto vivesse. Mais tarde, Natália foi para a França e, quando morreu, teve suas cinzas transladadas para o jardim de Coyoacán.

Relatos em cada cômodo

Aos 91 anos, Esteban, o neto, é o diretor-geral do museu. Em 2017, o lugar recebeu 60 mil visitantes. Aberto de terça a domingo, das 10h às 17h , a casa tem ingressos a 40 pesos (ou US$ 2,20) . Fica próximo à Casa Azul, como muitos chamam o Museu Frida Kahlo – aliás, vale combinar os dois programas no mesmo dia. Do Centro, pegue o metrô: chegará à Estação Coyoacán em 15 minutos. O site é museocasadeleontrotsky.blogspot.com.br.

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Organizadas pelos cômodos da casa, placas vão contando o que aconteceu em cada um deles – de tal modo, que é possível visualizar cenas descritas.

Na saída, atravessando novamente o jardim, há quem imagine Trotsky caminhando entre os canteiros. Ou cuidando de suas plantas, como o escritor cubano Leonardo Padura descreve no livro “O homem que amava os cachorros”, um romance de ficção sobre fatos reais. Trata-se de uma passagem sobre o dia seguinte ao primeiro atentado sofrido por Trotsky, na mesma casa, três meses antes de sua morte:

No jardim. Protegido pelas construções, um espaço de privacidade – Léa Cristina / fotos de léa cristina “Liev Davidovitch (Trotsky) sentira verdadeiro desgosto ao comprovar que seus cactos tinham sido as principais vítimas do atentado. Vários foram pisoteados e outros perderam alguns dos braços, e ele trabalhou durante dias para salvá-los, embora soubesse que com isso tentava devolver apenas alguma normalidade à vida de uma casa que nunca a tivera e que, até o desenlace, viveria em permanente estado de guerra.”

Conheça o museu na Cidade do México que foi o palco do atentado que matou Trotsky

Con Información de OGlobo

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