BRASIL: Vídeo mostra confusão no bar Bip Bip após homenagem a Marielle - EntornoInteligente

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RIO – Um vídeo mostra o momento de uma confusão envolvendo frequentadores do bar Bip Bip, tradicional reduto boêmio no bairro de Copacabana, na Zona Sul do Rio, e um policial rodoviário federal. Devido ao tumulto, o comerciante Alfredinho foi detido e levado para uma delegacia . Depois de prestar depoimento como testemunha, o pequeno empresário, de 74 anos, foi liberado.

A confusão aconteceu durante a roda de samba que ocorre no local nas noites de domingo. Segundo depoimentos prestados na 14ª DP (Leblon), o tumulto começou quando o policial rodoviário federal Haroldo Ramos de Souza, de 57 anos, que estava de folga, criticou uma homenagem feita por Alfredinho à vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada na noite da última quarta-feira, junto com seu motorista, Anderson Gomes.

De acordo com esses relatos, houve discussão entre algumas pessoas presentes e o policial federal, que teria deixado o local e retornado meia hora depois com uma arma.

Por meio de um comunicado, a Polícia Militar informou que agentes do 19º BPM (Copacabana) foram acionados para verificar uma ocorrência em um estabelecimento comercial. “No local, um policial da Polícia Rodoviária Federal alegou que foi agredido por frequentadores que estavam naquele local”, diz a nota da corporação. Os policiais, então, levaram Alfredinho e o agente para a 14ª DP (Leblon).

O executivo Jean Marc Schwartzenberg, de 49 anos, estava presente no momento. Ele contou ao GLOBO que, após ser vaiado, o agente assumiu uma postura agressiva e chegou a “levar um tapa”. Ele relatou que o policial, então, deixou o local e retornou meia hora depois, com uma arma e ameaçando os presentes.

– Quando os músicos falaram “Marielle Presente” e o Alfredinho falou sobre o ato ecumênico desta terça-feira, o policial começou a gritar: “E os 200 policiais mortos como é que fica?” Então, as pessoas começaram a vaiar, e ele foi subindo tom. Ele interrompeu a roda de samba, foi super agressivo. O agente interrompeu o dono do bar gritando e xingando todo mundo para meter medo, da mesma forma que mataram a Marielle para meter medo na gente. Um cara mais exaltado deu um tapa nele e ele foi embora – afirmou.

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Segundo o executivo, houve uma trégua no tumulto, e os músicos já tinham voltado a tocar. Foi quando o agente federal retornou com uma pistola na cintura.

– Ele foi para cima do Alfredinho, eu estava do lado, e ele levantava a camisa para mostrar a arma, dizendo: “Cheguei aqui com vontade de dar uns tiros”. Então começou a fazer discurso, até que a polícia chegou. Foram três viaturas – disse. – Não ficou dúvida para ninguém que o agressor era ele.

O advogado Rodrigo Mondego, que acompanhou Alfredinho na delegacia na madrugada desta segunda-feira, frisou que o agente da PRF estava de folga e embriagado. De acordo com Mondego, o agente alegou primeiro que foi empurrado, depois que levou um soco e, mais tarde, na delegacia, citou pontapés e arranhões. No entanto, na 14ª DP, não solicitou ir ao IML fazer o exame de corpo de delito, tampouco o delegado teria feito o pedido.

– Foi registrado como lesão corporal. A diferença de via de fato para lesão corporal é justamente o laudo que indica a lesão – explicou Mondego, que também fez um post no Facebook sobre a confusão.

Segundo ele, o delegado de plantão registrou Alfredinho como testemunha da agressão.

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“O delegado não quis me receber na condição de advogado e apenas colocou o agente da PRF como vítima de lesão corporal e o Afredinho como testemunha (de algo que ele não viu)”, escreveu o advogado na rede social. “Sim, é isso, o Alfredinho foi arbitrariamente conduzido para a delegacia para ser testemunha de algo que ele não viu. Esse, a priori, é o entendimento dos órgãos de Estado do RJ. Se a gente vivesse em um Estado de Direitos, o dono do Bip Bip teria sido vítima de crime de ameaça e abuso de autoridade”.

Em nota, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) disse que, “inicialmente, não houve nenhum registro de comportamento que configure desvio de conduta funcional, representando tão somente atitudes e opiniões pessoais do servidor”. Informou ainda que “não houve nenhum registro de utilização de arma de fogo ou quaisquer outros acessórios policiais”. Na conclusão, o órgão relata que se solidariza “com os familiares da vereadora assassinada, assim como de todas as vítimas da violência, e não medirá esforços para auxiliar na prisão dos envolvidos no caso”.

Leia abaixo a íntegra da nota da PRF:

“Em atenção aos questionamentos referentes à ocorrência envolvendo um servidor da instituição num bar em Copacabana, em 18/03/2018, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) esclarece que:

– Por volta das 22h40, fomos informados sobre uma possível confusão envolvendo um policial rodoviário federal num bar em Copacabana, após supostamente ter se expressado numa discussão no local em relação a fatos ocorridos na cidade;

– Uma equipe da PRF foi acionada para verificar a informação e avaliar a conduta do policial, sendo comunicada que a ocorrência já havia sido encaminhada para a 12ª DP (Copacabana);

– Na 12ª DP (Copacabana), foram informados que a ocorrência estava na 13ª DP (Ipanema);

– Ao chegarem na 13ª DP (Ipanema), os plantonistas disseram que a ocorrência seria registrada na 14ª DP (Leblon);

– Então, o servidor envolvido no caso foi levado na viatura PRF da 13ª DP para a delegacia de registro;

– Os envolvidos foram ouvidos na delegacia e a investigação ficará sob responsabilidade da Polícia Civil;

– Inicialmente, não houve nenhum registro de comportamento que configure desvio de conduta funcional, representando tão somente atitudes e opiniões pessoais do servidor;

– Não houve nenhum registro de utilização de arma de fogo ou quaisquer outros acessórios policiais;

– Ressaltamos que opiniões e atitudes da vida privada dos servidores não representam o posicionamento da instituição;

– A Polícia Rodoviária Federal solidariza-se com os familiares da vereadora assassinada, assim como de todas as vítimas da violência, e não medirá esforços para auxiliar na prisão dos envolvidos no caso.”

BRASIL: Vídeo mostra confusão no bar Bip Bip após homenagem a Marielle

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