BRASIL: Sem dinheiro e com Correão depredado, Cabofriense não descarta fusão - EntornoInteligente

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Diante do abismo que separa cada vez mais impiedosamente os grandes dos pequenos, a tradição aparece como frágil sustentáculo. Mas, para manter as portas abertas, até disso os clubes podem abrir mão. É perante este dilema que se encontra a Cabofriense – adversária do Vasco, hoje, às 17h, pelo Carioca. O clube da Região dos Lagos não sabe até quando preservará sua atual identidade.

Veja também As primeiras 24h de Campello como presidente do Vasco Com Eurico à mesa, Alexandre Campello é empossado presidente do Vasco Vasco tem a primeira mulher vice-presidente de sua história Rodrigo Caetano é sonho de consumo de Campello no Vasco No ano passado, o Tricolor Praiano deu início a uma parceria com o Sampaio Corrêa, de Saquarema. Essa relação se baseia, hoje, no compartilhamento de estrutura e mão de obra. Quando a Série A do Carioca chegar ao fim, parte do elenco mudará de endereço para defender o Sampaio na Série B1, cuja disputa começa em maio. É uma maneira de oferecer um contrato mais longo para profissionais acostumados a terem trabalho apenas nos primeiros meses do ano – os meninos das categorias de base têm vínculos que duram a temporada inteira.

– No início, era apenas um empréstimo de jogadores. Mas criamos uma amizade. Hoje, pensamos em uma estrutura para os dois, com estádio e CT bons – explica Rômulo.

A afinidade entre os clubes é tão grande que eles podem se tornar um só. No fim de 2017, esse desejo era mais latente, mas focos de insatisfação surgiram em Cabo Frio quando Valdemir admitiu que poderia abrir mão até do nome do clube.

– Para nós, a fusão se encaixa. Para o torcedor, não. Recuamos. Mas o Rômulo (presidente do Sampaio Corrêa) está desesperado lá, eu tenho a minha luta aqui. A gente busca alternativas. Está cada vez mais difícil fazer futebol. Esse pode ser um caminho para a Cabofriense não morrer – aponta o dirigente.

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Desde que a Associação Desportiva Cabofriense ganhou seu nome atual, em 1997, Valdemir ocupa a cadeira da presidência. Os mais de 21 anos no cargo, sem que surja um sucessor, moldaram uma relação cujos limites são difíceis de traçar. Se há questionamentos sobre a transparência desse processo, também existe, na cidade, o consenso de que, sem o cartola, a equipe já teria fechado as portas.

A única receita garantida atualmente é o direito de transmissão do Carioca. Durante a seletiva, R$ 800 mil entraram nos cofres. Com a classificação à fase principal, uma nova verba de até R$ 2 milhões estará à disposição. É mais ou menos o que o clube estima que irá gastar até o fim do torneio. Só com folha salarial, desembolsará R$ 320 mil mensais.

Quando falta dinheiro, é comum Valdemir recorrer ao que chama de “paitrocínio”. Em troca de socorros que eventualmente dá ao clube, estampa a marca de sua empresa, uma loja de materiais de construção, nos uniformes do time:

– Antes, eu não botava o logotipo em respeito. Mas acho justo divulgar quem sustenta o clube. Não é uma questão de ética, mas de necessidade. Ninguém me dá um real. O dinheiro sai daqui (da loja).

ESTÁDIO VIROU PROBLEMA

Buraco no teto da sala de musculação é um dos problemas da Cabofriense – Guilherme Pinto A Cabofriense reconhece que parou no tempo. Enquanto clubes de história mais recente, como Boavista e Macaé, avançaram, o tricolor estacionou. Um dos reflexos é o Estádio Alair Corrêa, que pertence à prefeitura, com quem o clube pouco dialoga. Desde dezembro, a luz do estádio está cortada por falta de pagamentos do município. Durante entrevista ao GLOBO, Valdemir foi interrompido para autorizar a compra de óleo diesel para alimentar o gerador que abastece o local.

No Correão, que serve de local de treino para a equipe principal, a penúria é evidente: faltam materiais, parte da arquibancada está danificada, o gramado encontra-se longe do ideal, e uma sala de musculação é iluminada por um buraco no teto. Procurada pela reportagem, a prefeitura não se manifestou até o fechamento da edição.

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O estádio também não cumpre seu papel como fonte de receitas. Hoje, o laudo dos Bombeiros libera a presença de apenas 2.066 torcedores, menos da metade da capacidade original. Ainda assim, as arquibancadas não enchem. As duas partidas da preliminar disputadas no Correão tiveram média de 845 pagantes e renda de R$ 4.732. Dificulta o fato de, por segurança, o clube não poder mandar lá as partidas contra os times grandes.

O período de declínio do clube acompanha o da própria Cabo Frio, em grave crise financeira depois de anos de abundância graças aos royalties do petróleo. Também pesou o vaivém político que fez a Cabofriense ser abraçada e esquecida com a mesma rapidez pelas recentes administrações. Há duas décadas, os ex-aliados Alair Corrêa (PP) e Marquinho Mendes (PMDB), atual prefeito, revezam-se no cargo.

– Eu me envolvi muito com a política da cidade também – admite Valdemir. – Talvez isso tenha atrapalhado, porque afastou o torcedor.

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