BRASIL: Obras de saneamento em São Conrado seguem em ritmo lento - EntornoInteligente

Jornal do Brasil / Parte das obras do Sena Limpa, programa da prefeitura do Rio de Janeiro para a despoluição das praias, ainda não está concluída em São Conrado. Com a previsão inicial de conclusão para o final de 2013, as obras se arrastam e compromete a biodiversidade da praia, considerada uma das mais bonitas da cidade. O surgimento de línguas negras, em dias de chuva, e o esgoto despejado no costão da Avenida Niemeyer são apenas parte do problema, que já pode ser considerado uma questão de saúde pública para o Rio de Janeiro.

As obras são responsabilidade da Rio Águas e da Cedae. Segundo informações da Associação de Moradores de São Conrado (Amasco), as obras referentes a Prefeitura estão praticamente concluídas faltando ainda a ligação do Rio Canoas ao Rio do Pires em frente ao Fashion Mall, shopping do bairro.

No entanto as obras da Cedae seguem praticamente paradas. Uma delas, a de recuperação da Elevatória de esgoto da Avenida Niemeyer, está sem contrato há mais de um ano e as obras seguem paralisadas. Já a colocação da tubulação da Niemeyer, mesmo lenta, aparentemente, está andamento. “O ponto crítico é que enquanto não houver a interligação de todas as obras a praia continua poluída e as famosas ‘linguinhas negras’ continuam”, explica José Britz, presidente da Amasco.

“As obras foram prometidas para final de 2013 e depois tiveram a conclusão adiada para meados de 2014, estamos nos aproximando do final do ano e, até agora, não vemos progresso na obra”,  aponta Fabrini Tapajós, integrante do movimento Salvemos São Conrado, iniciado em 2012.

Fabrini destaca ainda que, apesar do aparente andamento das obras, a estrutura seria apenas um paliativo para a real situação do saneamento. “É uma obra que foi bastante questionada, levamos o projeto para especialistas que conhecem o nosso problema e eles levantaram a questão de que é um trabalho paliativo. O esgoto emanado é muito maior do que eles estão pretendendo conter com essas obras. Pode ser que dê resultado nos dois ou três primeiro anos, mas com o crescimento demográfico, ainda não será o suficiente”, explica.

O ativista chama a atenção para o fato das obras estarem totalmente fora do prazo e a pressão que os moradores do bairro de São Conrado e Rocinha, frenquentadores do local, já fizeram para que as obras tivessem continuidade e o esgoto despejado in natura, não fossem mais uma constante. “O projeto Sena Limpa é um trabalho em conjunto com a Cedae, e os dois estão com os prazos totalmente descumpridos e não temos nenhuma perspectiva de entrega, não temos ideia de quando vai acabar. Diversas vezes tivemos reuniões, foram dando prazos que foram descumpridos inúmeras vezes”, afirma Fabrini.

“O Rio de Janeiro tem um passivo ambiental muito grande”

Biólogo da Uerj e integrante do Conselho Municipal de Meio Ambiente, David Zee aponta que a questão do saneamento é algo que não afeta somente a praia de São Conrado, mas a cidade do Rio de Janeiro em geral “O Rio de Janeiro tem um passivo ambiental muito grande em relação ao esgoto, é uma defasagem muito grande entre o crescimento urbano e a criação de infraestrutura”, aponta o biólogo.

Zee aponta também que o atraso nas obras piora mais ainda a situação ambiental do local. “é preciso pressionar as autoridades.O que eu fico mais espantado hoje é que a cidade precisa dessa obras todas e que a burocracia e a contrariedade de determinados segmentos impedem essas obras. É uma questão  de saúde publica, não só em São Conrado”, aponta.

Perguntado sobre a eficiência da obra, o biólogo aponta que a construção de um emissário seria o ideal, no entanto a falta de planejamento e de um estudo adequado impediram que um projeto mais ousado pudesse acontecer. “Uma obra de um emissário precisa de um planejamento, uma reserva de recurso, autorização, estudos de impacto ambiental. Se fazendo uma manutenção, uma recuperação, já está demorando, uma obra feita desde o inicio vai demorar ainda mais”

O biólogo Mario Moscatelli faz pesadas críticas ao atraso das obras de saneamento em São Conrado. ” Parece que vale mais a pena fazer algumas centenas de obras quebra-galho, do que uma definitiva.  Acredita-se na impunidade e na falta de fiscalização”. O biólogo também chama a atenção para os impactos causados pelo atraso, que não atingem só o meio ambiente. “O impacto principal e na saúde publica, a pessoa pode sair com uma doença séria, como a hepatite A, se entrar em contato com a água. É um problema econômico para a cidade, porque acaba denegrindo de um produto turístico do Rio de Janeiro, que são as praias”, aponta o Biólogo.

Resposta

Procuradas pela reportagem do JB a Fundação Rio Águas respondeu que “que estão em andamento as obras do Programa Sena Limpa na Praia de São Conrado. As equipes trabalham nas frentes de conclusão da rampa de acesso à praia e na caixa desarenadora do Canal da Rocinha. A Rio-Águas realiza intervenções de drenagem no programa, tendo prazo previsto de conclusão em dezembro deste ano”

Até o fechamento dessa reportagem, a assessoria da Cedae não entrou em contato com o JB para falar sobre o prazo de conclusão das obras de recuperação da elevatória de esgoto e do andamento da colocação da tubulação, ambas na Avenida Niemeyer.

Con Información de Jornal do Brasil