BRASIL: O rosto nacionalista do governo Trump - EntornoInteligente

G1 Globo / A demissão, pelo Twitter, do secretário de Estado Rex Tillerson não é um lance errático e impulsivo do presidente americano, Donald Trump. Ela representa um passo na direção de um governo mais nacionalista, mais protecionista e mais linha-dura em sua política externa.

Tillerson, ex-CEO da Exxon, vivia às turras com Trump em temas como Irã, Coreia do Norte, Rússia ou Oriente Médio. Chegou, de acordo com relatos não desmentidos, a referir-se ao chefe como “débil-mental”. Sua saída era dada como certa há pelo menos cinco meses.

Ela ocorre num momento em Trump começa enfim a pôr em prática os sentimentos de caráter nacionalista e protecionista com que conquistou o eleitor americano.

Impôs tarifas ao aço e alumínio importados, num movimento que provocou a saída do assessor econômico Gary Cohn, ex-executivo do Goldman Sachs que frequentemente se aliava a Tillerson, ao secretário da Defesa, Jim Mattis, e ao assessor para segurança nacional, H.R. McMaster, numa espécie de barreira de defesa contra os instintos populistas de Trump.

Em desafio a Trump, o quarteto, núcleo da “ala globalista” do governo, foi contrário à saída dos acordos climáticos de Paris, à suspensão do tratado nuclear com o Irã e à mudança da embaixada em Israel para Jerusalém.

Com o enfraquecimento dos “globalistas”, as medidas de cunho nacionalista ganharam vulto nos últimos dias. Depois de elevar as tarifas sobre o aço e o alumínio, Trump impediu a compra da empresa de telecomunicações Qualcomm pela Broadcom, de Cingapura, sob o pretexto de que ela sofre influência indireta do governo chinês.

De acordo com o Washington Post, ele também ficou insatisfeito com o pacote de US$ 29 bilhões em tarifas e retaliações apresentado contra a China, acusada de violar a propriedade intelectual de empresas americanas. Pediu ao representante do Departamento de Comércio, Robert Lighthizer, “algo bem maior”.

Pôs agora na chefia da diplomacia americana o ex-deputado e diretor da CIA Mike Pompeo, conhecido por posições ainda mais duras que Trump em relação ao Irã. Foi um combativo opositor do acordo nuclear quando era deputado.

Adversário de qualquer negociação ou concessão à Coreia do Norte – posição oposta à de Tillerson –, Pompeo terá agora de cuidar das tratativas para o encontro entre Trump e o ditador Kim Jong-un, previsto para maio. O resultado é incerto.

Pompeo tem ainda uma visão mais próxima à de Trump sobre a Rússia, ao minimizar as investigações sobre a interferência na campanha eleitoral de 2016.

Tillerson, a quem se atribuía proximidade com Vladimir Putin (foi condecorado por ele quando executivo da Exxon), surpreendeu no governo. Denunciou a intervenção russa na campanha e, pouco antes de ser demitido, atribuiu ao governo russo a responsabilidade pela tentativa de envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal e de sua filha em Salisbury , no Reino Unido.

Inexperiente em política externa, Tillerson jamais se integrou ao Departamento de Estado. Provocou uma debandada entre os diplomatas, ao deixar vagos postos-chaves na burocracia interna e no exterior, como as embaixadas na Alemanha, Turquia e África do Sul.

Seu substituto, ao contrário, tem familiaridade com a área graças à atuação no Congresso e à experiência militar. Como diretor da CIA, Pompeo tomou medidas que lhe garantiram apoio do pessoal e a coesão interna. Entre os diplomatas, é unânime a visão de que será um gestor melhor que Tillerson.

Mais que isso, ele pensa como Trump a respeito da maioria dos temas de política externa. Sua palavra, portanto, será levada a sério no exterior como representante legítima da vontade de Trump.

Essa característica também pode se tornar um problema. Em vez de uma barreira contra os arroubos de Trump, Pompeo deverá encorajá-los. Do quarteto de contenção Mattis-Tillerson-Cohn-McMaster, restam apenas dois no governo – e não se sabe quanto tempo McMaster dura.

Trump enfrenta no final do ano eleições legislativas dificílimas (o distrito da Pensilvânia que venceu com vinte pontos de vantagem se tornou um terreno disputadíssimo na votação especial de ontem). Está ainda diante do avanço investigações a respeito da interferência russa. Nada mais natural que tente desviar a atenção para o cenário externo.

BRASIL: O rosto nacionalista do governo Trump

Con Información de G1 Globo

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